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Fotógrafos cariocas respondem: a publicidade vive sem Photoshop?

Modelos e Photoshop

A polêmica da semana no mundo publicitário internacional foi a decisão do banco de imagens Getty Image — comunicada por release à imprensa especializada — de que “desde o dia 1º de outubro, a Getty Images passou a não mais aceitar em seu portfólio imagens criativas que mostrem modelos cujo corpo foi retocado para fazê-lo parecer mais fino ou maior”.

Al Hamdan: "Foto publicitária não é jornalismo"
Al Hamdan: “Foto publicitária não é jornalismo”

A novidade vem reforçar uma nova lei francesa de que anúncios cujas fotos tenham tenham modificado o corpo do modelo devam indicar o fato aos seus leitores.

“Eu estou na Getty e até o momento não fui informado disso”, conta para a Janela o fotógrafo Al Hamdan, do Studio H, que já adianta não acreditar que uma regra dessas venha a pegar no Brasil. “Já era, não muda nunca mais”, garantiu o profissional, que lembra que foto publicitária não é como jornalística, que precisa retratar a realidade. No que é apoiado por Alexandre Salgado, da Artluz, que considera a decisão do banco de imagens totalmente inócua: “Pode até não ter tido Photoshop antes de a foto ser comprada. Mas vai ter depois que o cliente comprar”, ele brinca.

A opinião parece ser unânime entre os fotógrafos publicitários cariocas. Aderi Costa, do Studio do Cais, outro nome consagrado da fotografia no Rio, lança o desafio: “Vão até dizer que não tem. Mas posso garantir que vai ter”, afirmou.

Aderi Costa: "Podem dizer que não, mas vai ter"
Aderi Costa: “Podem dizer que não, mas vai ter”

Aderi, aliás, chega a dizer que se daria bem com uma lei como essa no Brasil:

– Eu e outros fotógrafos da minha geração, que aprendemos a fotografar ajustando bem a cor ou a luz, com certeza vamos conseguir entregar imagens bastante bonitas mesmo sem o Photoshop.

Ainda assim, o profissional não tem esperanças de que as regras mudem, porque “os novos diretores de arte, nascidos na época da informática, quando pensam em layout já pensam em uma foto montada, com o modelo fotografado no estúdio para ser aplicado em alguma imagem de fundo”. E aí, sem Photoshop, não tem como.

Salgado até tira a responsabilidade exclusivamente das costas dos fotógrafos:

Alexandre Salgado: "A gente está aqui para realizar o sonho do cliente"
Alexandre Salgado: “A gente está aqui para realizar o sonho do cliente”

– O cliente já se acostumou com as fotos serem mexidas. Mesmo que a gente não mexa, vem o pedido da agência ou do cliente. E a gente está aqui para realizar o sonho do cliente: ‘Bota mais cabelo no ombro… tá faltando peito… a bunda está grande!’, revela Salgado, que já tirou tatuagem e pinta de modelo porque o cliente não gostou.

No estúdio de Aderi, a coisa não é diferente: “Já arrumei muito dente para melhorar sorrisos! E de criança, então, que toda hora o dente cai? A gente vai lá e coloca!”

Histórias assim fazem parte da vida de qualquer fotógrafo publicitário, com raras exceções, como conta Hamdan:

– Quando eu fotografei o Cesar Maia para uma campanha à Prefeitura do Rio, notei que ele era um pouco estrábico e corrigi o olho. Mas ele mandou voltar ao original, ressalvando: “Eu sou estrábico, mesmo”.

Mas Hamdan termina revelando outro segredo: “Só que, do cabelo, que eu aumentei, ele não reclamou nem um pouco!”

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
  • Al Hamdan

    Obrigado por pedir minha opinião ME . Como eu disse: Já era. Photoshop na veia. Beijo

  • Antonio Carlos da Silva

    Mais uma especialidade que está sendo jogada pra escanteio pela “era digital”. Foram-se os montadores, os letristas, os produtores gráficos etc, etc, etc…

  • Qualquer fotografia é uma abstração da realidade.😀

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