• Morre Altino João de Barros, pioneiro da mídia no Brasil

    Altino João de Barros
    O livro de Altino, contando as histórias da sua vida e da mídia no Brasil
    O livro de Altino, contando as histórias da sua vida e da mídia no Brasil

    Aos 92 anos, morreu na madrugada deste domingo, 18/02, Altino João de Barros, um dos profissionais de maior longevidade, em atividade, da publicidade brasileira. Carioca de 1926, fez sua carreira desde o início na McCann Erickson, entrando na empresa aos 18 anos como office-boy. Lá, acabou mudando para a área de mídia, ainda no Rio, onde, mesmo trabalhando na agência, cursou a Universidade do Estado da Guanabara para formar-se em ciências econômicas aos 38 anos. Em 1974, mudou-se para a matriz da McCann, em São Paulo, onde atuou até chegar a VP executivo.

    Em 2013, lançou seu livro autobiográfico, “A mídia no Brasil do reclame à era digit@l”, em parceria com a jornalista Nara Damante. Nele há depoimentos de amigos, admiradores e familiares contando a sua história de vida, entre as quais a criação, para a Copa de 1978, do hoje consagrado “Top de 5” da Rede Globo, depois de perceber a oportunidade de comercializar, para seu cliente General Motors, a mera contagem regressiva que as TVs utilizavam para sincronizar com suas afiliadas a entrada no ar de programas em rede nacional.

    Altino participou, em muitos casos até da criação, de todas as entidades publicitárias do país, como Grupo de Mídia de São Paulo, o Instituto Verificador de Circulação (IVC), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e o Conselho Executivo de Normas Padrão (Cenp).

    Altino será sepultado às 16:30h deste domingo, no Cemitério do Morumby, em São Paulo.

    Marcio Ehrlich

    Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.

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    Discussão

    1. Antonio Luiz Accioly Netto

      Marcio,
      Li com grande tristeza a noticia publicada hoje na “Janela Publicitaria” sobre o falecimento do grande Altino João de Barros.
      Eu tenho por ele um carinho muito grande a acima de tudo uma enorme gratidão pelo o que ele – creio que até de forma involuntária – fez pela minha carreira.
      Em 1968 eu era o Mídia da Denison Propaganda, cargo que eu estava ocupando numa avaliação muito especial do Sérgio Ferreira, então vice-presidente da agencia. Até então eu era meramente assistente de contato do atendimento.
      Naquela ocasião recebi um telefonema da McCann Erikson que tinha sua sede aqui no Rio de Janeiro (na Rua México, em frente a então Embaixada Americana). Era a secretária do Altino perguntando se eu poderia ir lá conversar com ele. Eu era um ilustre desconhecido e nunca tinha recebido um telefonema destes . Até fiquei apreensivo, vai ver era por que eu tinha uma espécie de “cobertura” das colunas de publicidade dos jornais (eram várias, quase todo bom jornal tinha uma) e será que eu havia fito algum comentário pulicado inoportuno ? Afinal o Altino era o suprassumo dos Mídias e particularmente na Denison uma agencia que tinha nascido de uma costela da McCann o Altino era uma espécie de divindade. Quando cheguei ao encontro fui recebido com muito respeito, mas de forma bastante arguidora. Foi então que aos poucos percebi que estava sendo sabatinado para um convite de trabalho na agencia. Foi meu 1º. convite (“O 1º. convite a gente nunca esquece…”) . O Altino me mostrou todo o seu departamento (ocupava um andar inteiro no prédio, na Denison eu trabalhava numa garagem – realmente uma garagem de carros – adaptada na casa), oferecia 50% a mais do que eu ganhava e deveria chefiar um de seus setores de mídia. A McCann era tão grande que lá tinha um Mídia para cada veiculo : Televisão, Radio, Revistas, Jornais , Out Door e Cinema (na Denison era eu sozinho). A proposta era para revistas e a resposta deveria ser dada na hora. A coisa me pegou totalmente de surpresa . Porem pensei um pouco, a Denison me prestigiava bastante (entrei lá para trabalhar no departamento do pessoal, pois eu cursava a Faculdade de Administração de Empresas da UERJ ) e educadamente recusei a proposta. Lembro-me que ele me disse “Olha, eu só convido uma vez”, mas não fiquei. De volta à Denison já havia um recado na recepção para me apresentar ao Sérgio Ferreira. Pensei “Pronto, me ferrei”. O Sérgio que era meio sisudo ficou olhando para mim e perguntou “Voce sabe o que eu acho do Altino ? Eu conheço a McCann do Brasil e dos Estados Unidos. O Altino é o maior Mídia que está em atividade aqui e lá”. E continuou. “Sabe o que ele me falou de você ? Que o convidou para trabalhar lá e pela 1ª. vez teve um convite recusado. Disse ainda que você não havia aceitado o convite por pura lealdade à Denison”. Por fim, me entregou um papelzinho e falou para que eu o levasse ao departamento do pessoal. Estava dobrado e eu não abri , mas aquele papelzinho foi queimando minha mão. (jamais abri correspondência que não fosse minha, mesmo que não estivesse num envelope) . Quando o entreguei ao meu ex-chefe (lembre, eu entrei inicialmente para o DP) ele abriu, viu e perguntou : “O que houve ? Voce acaba de receber 100% de aumento !”.
      A 2. vez em que o Altino deu um up grade na minha carreira foi em 1972 quando eu tive a ideia de criar uma espécie de Clube de Mídias, para que os Mídias do Rio pudessem se reunir e trocar ideias sobre trabalho. Eu ainda era novato no cargo, a Denison que inicialmente tinha como seus principais clientes lojas de varejo (ela começou como o Depto. De Propaganda da DUCAL) além da Ducal tinha ainda a Bemoreira (Eletrodomésticos) . Mas havia acabado de conquistar as contas nacionais dos refrigeradores Kelvinator e principalmente dos refrigerantes da Brahma (mais tarde pegou a conta inteira das cervejas) .Eu achava que era importante que eu conhecesse bem mais o mercado (não havia faculdade de comunicação, a gente aprendia “no grito” , na experiência e lendo publicações americanas) . Fiz então um convite mimeografado (não existia xerox), eram umas 100 cópias roxas e mal impressas que enviei para todos os Mídias do Rio. A ABP presidida pelo Caio Domingues gentilmente me emprestou a sala de reuniões e para minha surpresa todos os Mídias do Rio compareceram em peso. A sala de reuniões ficou pequena, havia Mídia de pé encostado na parede. Naquela dúvida sobre o que fazer na frente daqueles cobrões todos , o Altino pediu a palavra e sugeriu que eu começasse a reunião. Expliquei o que tinha em mente e o Altino mais uma vez se levantou e disse “Creio que devemos aprovar a ideia por aclamação. E creio ainda que o 1º. presidente do Clube dos Mídias deve ser este rapaz que teve a ideia”. Quem iria discordar dele ? A ideia frutificou e os Mídias de São Paulo me convidaram para ir lá apresenta-la. Depois de muitos debates chegou-se a conclusão que “Clube” precisaria de estatuto, então o nome mudou para “Grupo de Mídia”, que prevalece até hoje.
      Finalmente, alguns anos mais tarde quando eu era diretor da ABP (Associação Brasileira de Propaganda) na gestão do Paulo Roberto Lavrille de Carvalho ele realizou a reunião anual para que a diretoria da ABP escolhesse a seleção dos “Publicitários do Ano”. Os diretores em conjunto davam suas indicações. Na hora de escolher o Mídia do ano eu me senti impedido e sugeri que o Paulo Roberto telefonasse para o Altino, pois como “papa” da Mídia como era conhecido ele poderia dar a melhor indicação. E ele, sem saber que eu e os outros diretores estávamos na sala de certa forma ouvindo a conversa falou “Mas por que você está me perguntando isto, se o melhor Mídia já faz parte da sua diretoria ?” O Paulo Roberto agradeceu, informou o que ele disse, eu quase morri de constrangimento ali na frente de todos, mas declinei da indicação, na minha opinião não ficaria nada bem um diretor da ABP ser indicado pela diretoria como o Mídia do ano.
      Depois disto o Altino – como a maior parte da McCann Erikson – se transferiu para São Paulo e eu praticamente perdi o contato com ele. Quando eu era o diretor da sucursal da Folha do Turismo/Mercado em Eventos em São Paulo fui visita-lo algumas (poucas) vezes, mas creio que ele já estava com algumas sequelas da doença que infelizmente o levou.
      Só posso terminar dizendo “OBRIGADO POR TUDO, ALTINO !”.

      Antonio L. Accioly
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