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Fischer, NBS e Objectiva entram com recursos na Caixa

Caixa Econômica - Fila

EM PRIMEIRA MÃO – A Caixa Econômica Federal divulgou esta semana, para as agências que estão disputando a sua concorrência publicitária, o conteúdo dos recursos apresentados pelas concorrentes Fischer, NBS e Objectiva, questionando as pontuações que deixaram nos primeiros lugares da disputa a Nova S/B, a Propeg e a Artplan.

Os longuíssimos documentos — o da Fischer chega a 46 páginas –, assustam a quem imagina que a procura de uma agência para atender o governo deveria se basear exclusivamente na capacidade técnica das selecionadas.

No entanto, por conta da burocracia que envolve este tipo de disputas, acabamos vendo advogados e publicitários ocupando seu caríssimo tempo para procurar pelos em ovos, tais como: teriam as licitantes usado o canto correto da página para numerar suas propostas? Será que erraram o tamanho da fonte em que a apresentação foi escrita? E por aí por diante.

As agências, naturalmente, usam todos os argumentos possíveis para retirar pontos das primeiras colocadas e elevar os seus. A Janela está disponibilizando, em primeira mão, para seus leitores, os originais dos recursos da Fischer, da NBS e da Objectiva, assim como um resumo dos principais pontos levantados por cada uma delas.

O que diz a NBS
Case apresentado pela Artplan estaria fora do prazo, diz a NBS
Case apresentado pela Artplan estaria fora do prazo, diz a NBS

A NBS protestou por ter ficado apenas a 3,67 pontos da terceira colocada, o que alegou ter sido por equívoco de avaliação, por parte dos julgadores, de sua proposta técnica, “malgrado a excelência apresentada”. Diz a agência, no recurso assinado por sua diretora Carla Maria Russi, que as justificativas para a pontuação menor foram abstratas e evasivas.

Para questionar o fato de a Artplan ter recebido a mesma nota de 5 pontos conseguida pela Nova/SB e Propeg, a NBS apontou não só que a Artplan apresentou um case da Amil que estaria fora dos prazos solicitados pelo edital como não teria indicado, quantitativamente, o alcance do banner de internet proposto, assim como não deixou claro qual anúncio, entre os apresentados, deveria ser veiculado em revista, “o que já denota displicência e inexatidão”.

Sobre a Propeg, a acusaão da NBS foi relativa às Estratégias de Mídia e Não Mídia, por não ter a agência especificado o formato da peça “Painel de Aeroporto”, o que “impede a correta análise e conferência dos valores atribuídos de forma unilateral pela Propeg”.

Veja aqui, na íntegra, o recurso da NBS.

O que diz a Fischer

A Fischer, que foi desclassificada na licitação por ter a comissão de licitação considerado que “ela identificou de forma prematura a sua proposta técnica”, não só entrou com recurso para voltar à disputa como pediu revisão nas notas da Propeg, da Nova S/B e até da NBS, quarta colocada. Para começar, ela protesta pelo fato de a Caixa sequer haver indicado qual seria essa identificação, além de a Propeg e a Nova S/B também terem apresentado peças já conhecidas pela Caixa. A agência chegou a reproduzir imagens de peças veiculadas pela Caixa em campanhas antigas que foi usadas nas propostas da Propeg e da Nova S/B. “Por que tratamento desigual para situações iguais?”, perguntou o representante da Fischer, Yuri Aizenberg.

“A história da Fischer e de seu premiado fundador – Eduardo Fischer — somado à lisura de todos os membros da Subcomissão Técnica, afastam qualquer dúvida ou indicio de um conluio ou fraude capaz de macular o certame”, reforçou a agência.

A capa da Nova S/B na Caixa
Fischer mostra que a capa da Nova S/B não usou a fonte Arial

A agência de Eduardo Fischer chega a pedir a desclassificação da Propeg pela possível falta de originalidade da proposta da agência, com o tema “Tem valor pra você”, que não só já havia sido aproveitado pela Calia para a própria Caixa como seria semelhante ao “Valores que geram valor”, utilizado pelo Itaú BBA, o que seria “muito provavelmente, questionado no CONAR”.

O pedido de desclassificação da NBS se baseia em insistir que a agência está ligada à Dentsu Aegis, que também seria acionista da Denstu Latin America, agência que igualmente concorreu à conta da Caixa.
Para propor a desclassificação da Nova S/B, a Fischer aponta que a capa do caderno de repertório não está com a fonte Arial, “desatendendo a exigência do edital”.

Como vale chegar aos detalhes na briga, a Fischer percebeu que a Propeg identificou errado um anúncio, chamando de “Pote de chocolate em pó” uma imagem clara de uma garrafa de cerveja. Pedindo que a peça “rigorosamente, seja desconsiderada”, a Propeg passaria a ter menos material que o exigido na licitação, ficando de fora dela.

Veja aqui, na íntegra, o recurso da Fischer.

O que diz a Objectiva

A baiana Objectiva, através de seus diretores Osvaldo Miguel da Silveira Filho e Anaiçara Povoas de Góes, não concordou nem com as pontuações que recebeu nem as conferidas aos vencedores. “A Subcomissão Técnica julgou utilizado critérios alienígenas, absolutamente distanciados dos estabelecidos no edital”, alegou. Ela protestou pelo fato de ter levado apenas 10 dos 15 pontos possíveis em Capacidade de Atendimento, porque apresentou na lista de clientes apenas clientes regionais, o que a Caixa considerou como prova da incapacidade de lhe atender.

Ela também não aceitou ter perdido pontos por apresentar dois cases de um mesmo cliente, já que o julgamento deveria ter sido pelos resultados conseguidos nos dois.

A Objectiva igualmente questinou as notas das demais agências. A Artplan teria “apresentado de forma confusa as tabelas e anexos”. A Nova S/B apresentou “peças de exequibilidade duvidosa”, perdendo apenas um ponto em Estratégia de Comunicação. E a Propeg teria apresentado um envelopamento dos corredores dos aeroportos de Brasília e Rio sem citar o custo extra da produção da estrutura de energia solar, que os dois não possuem. E a NBS foi acusada de apresentar um advergame para platformas mobiles, um trabalho que, por não existir em nenhuma tabela de valores do setor, demandando negociação de custo, contrariaria “o que foi determinado pela Comissão, a Lei e o Edital”.

Veja aqui, na íntegra, o recurso da Objectiva.

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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