Correios apontam queda de receita e corte na verba de publicidade

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A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) amargou uma queda de 8,60% em sua receita total no ano de 2017, caindo dos R$ 20,3 bilhões de 2016 para R$ 18,5 bilhões naquele ano.

Segundo o Relatório de Administração e Demonstrações Contáveis da empresa, divulgado esta sexta-feira, 01/06, um dos maiores percentuais de queda aconteceu na área de marketing direto, que caiu 9,9% entre 2016 e 2017. Como marketing direto, a EBCT considera “soluções para a comunicação dirigida de caráter publicitário, promocional e/ou informacional, por meio das quais os clientes podem promover seus produtos, serviços ou negócios”. Seus principais produtos são a mala direta — o envio de mensagens publicitárias — e a entrega direta — serviço específico para a distribuição em domicílio de publicações periódicas, como revistas, boletins, catálogos e tabloides promocionais –. Se em 2016 os Correios haviam faturado R$ 626 milhões em marketing direto, em 2017 o resultado foi de menos R$ 61,8 milhões, ficando em R$ 564 milhões. Também houve queda em outros serviços, como o de correspondências, que caiu de R$ 8,9 bilhões para R$ 8,5 bilhões.

O Relatório registra que os Correios foram forçados a uma “redução das despesas”. Na rubrica “patrocínio, publicidade e propaganda”,  a estatal fechou o ano de 2017 com um corte de R$ 105 milhões. Em 2016, a empresa havia investido R$ 169 milhões e, no ano passado, ficou com apenas R$ 64 milhões para aqueles itens.

Se considerarmos apenas os patrocínios, a redução foi dramática, caindo dos R$ 112,6 milhões de 2016 para R$ 14,4 milhões em 2017. E em publicidade e propaganda, os R$ 56,5 milhões do ano anterior foram reduzidos para R$ 49,4 milhões. Vale registrar que este valor chega a ser 30% menor que os R$ 70 milhões previstos pelo órgão para utilização pelas agências Artplan, Link Bagg, Master e Propeg, que venceram a concorrência de 2013 e, desde então, vêm tendo seus contratos prorrogados sucessivamente.

Os Correios chegaram a aventar o lançamento de uma nova concorrência em 2018. No entanto, voltaram atrás e renovaram mais uma vez, “em caráter excepcional”. Segundo o artigo 57 da Lei das Licitações, os contratos da administração pública “poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a 60 meses”. Só que a própria a lei ressalva que, excepcionalmente, o prazo poderá ser prorrogado por mais 12 meses, o que aconteceu em março último, quando as quatro agências garantiram se manter até 3 de março de 2019, com o mesmo valor previsto de R$ 70 milhões que haviam sido estabelecidos para 2017.

Não há garantia, porém, de que também em 2018 o valor integral venha a ser investido na comunicação da estatal.

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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