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Prole fica inativa, mas Loffler garante que não deve a ninguém

Sócios da Prole

O envolvimento do marqueteiro Renato Pereira nas investigações da Lava-Jato foi fatal para a vida da agência Prole, da qual é sócio há 13 anos. A empresa devolveu, no final de 2018, suas instalações no centro da cidade e, segundo o outro sócio da empresa, o publicitário Luiz Loffler, praticamente sem chance de retornar à atividade. “O nome da empresa ficou muito comprometido”, comentou, em conversa exclusiva com a Janela.

Mas Loffler diz ter a satisfação de saber que, diferentemente de tantas histórias que se contam no mercado publicitário em relação a fechamento de agências, a Prole não poderá ser acusada de ter ficado devendo a quem quer que fosse. “Pagamos a todo mundo: funcionários, fornecedores e veículos”, garante.

O site da agência também está fora do ar, mas o CNPJ 09.249.055/0001-04, da Prole Serviços de Propaganda Ltda., continua ativo, por conta de processos que ainda tramitam em Brasília envolvendo a empresa. No papel, os sócios constam como sendo Renato Barbosa Rodrigues Pereira, Eduardo Bandeira Villela, William Passos Junior, Luiz Eduardo Loffler e Marcelo Theodoro Carneiro, os mesmos que aparecem, nesta ordem, na foto desta matéria. Nos registros, também aparecem, participando da composição acionária, pessoas jurídicas ligadas a alguns daqueles cinco, como New Bases Participações Ltda. e Pensamentos Associados Comunicação e Participações S.A. (de Eduardo Bandeira Villela), Conecta Consultoria e Participações Eireli (de Renato Pereira) e Nimbus Comunicação e Marketing Ltda. (de William Passos Junior).

História

A Prole nasceu em 2005, numa sociedade do ex-diretor de criação da Ogilvy no Rio, André Eppinghaus, com Flavio Horácio Peixoto Azevedo e o diretor de arte João Paulo Pereira. A agência logo se envolveu em campanhas políticas, junto com Renato Pereira, que acabou se tornando sócio em 2006. Em 2008, entrou também na sociedade Luiz Loffler, vindo da V&S, no mesmo ano em que a Prole foi apresentada ao mercado como passando a fazer parte do Grupo PPR, que controlava a agência NBS.

A Prole estava de tal modo no auge que, em 2009, chegou a ser a escolhida para fazer a campanha da fusão entre as empresas Sadia e Perdigão, estrelada pela atriz Marieta Severo.

Durante sua existência, a Prole não só participou das campanhas de Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Luis Fernando Pezão, como era presença obrigatória nos grupos de agências que atendiam as contas dos Governos do Estado e do Município do Rio de Janeiro.

Só que, em 2014, a crise financeira já estava instalada em todo o Rio, saqueado pelos seguidos governos do PMDB. A Janela, na época, registrava um débito de R$ 700 milhões de Pezão com fornecedores e empresas terceirizadas, que levaram inclusive ao fechamento da produtora Carioca Filmes. Com o navio afundando, Eppinghaus e Azevedo deixaram a sociedade, de onde João Paulo Pereira havia se retirado um ano antes. Naquele ano, também, a NBS passou a ser da Denstu Aegis Network e o acordo com a Prole foi encerrado.

A Queda

A situação crítica se agravou em 2016, quando o governador Sergio Cabral foi preso e estourou o envolvimento de Renato Pereira com o esquema de propinas para o núcleo político de Cabral. O estrago estava feito para a imagem da agência. Na época, por determinação do juiz Sérgio Moro, a agência ficaria impedida de participar de concorrências até maio de 2019.

2016, aliás, registra um episódio envolvendo a Prole que um dia precisará ser melhor esclarecido pela História. A agência foi vencedora da concorrência do Ministério do Esporte, que previa uma verba de R$ 55 milhões. Sem grandes explicações, ela abriu mão da conta na hora de assinar o contrato, fazendo a Nacional, segunda colocada, passar para o primeiro lugar. Chegou a circular pelo mercado que seus diretores teriam concluído que a conta não seria rentável, situação inédita no meio publicitário. A estranheza que sentiu o mercado cresceu, segundo comentou-se à época, por ter a desistência beneficiado — permitindo que subisse para o segundo lugar — a agência Calia/Y2, cujo diretor Gustavo Mouco vinha a ser irmão de Elsinho Mouco, braço direito na comunicação do presidente Michel Temer.

Em setembro de 2017, Renato Pereira fez sua delação à Polícia Federal (homologada em março de 2018). Ainda em 2017, a Prefeitura de Niterói, cliente da Prole, não renovou com ela e abriu concorrência para contratar uma nova agência, com a conta indo para a E3, de Campinas.

Tendo aberto mão de continuar atendendo o Governo do Estado do Rio, a Prole começou a ver mesmo turvar seus horizontes  quando, nas eleições municipais de 2016, Pedro Paulo, candidato de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio — de cuja campanha a Prole, naturalmente, havia participado –, perdeu a disputa para Marcelo Crivella. A agência deixava, de vez, de ter força na política carioca. Tanto que, em 2018, a Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu não mais renovar seu contrato, com a Procuradoria do Município alegando que seguia a recomendação de Brasília. Apenas Binder e Propeg mantiveram a conta.

O Futuro

Luis Loffler, dos cinco sócios aquele que tem maior tradição na publicidade carioca — além de filho de Oriovaldo Vargas Loffler, um dos pioneiros da atividade no país, ele próprio já soma mais de 35 anos de mercado — acha improvável que a marca “Prole” volte a ser usada por qualquer dos sócios ou mesmo alguma outra agência de propaganda.

Mas o profissional não vê sua carreira encerrada. “Já tirei as férias que precisava, nos últimos dois meses, viajando com o meu filho. Acho que continuo podendo contribuir para o mercado carioca. Estou aberto a conversações”, adiantou.

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EM PRIMEIRA MÃO – Eppinghaus deixa Prole, que fundou há 10 anos (em 14/03/2015)

Derrota de Pedro Paulo leva Prole a reduzir criação no Rio (em 31/10/2016)

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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