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Morre Arthur de Negri, diretor de arte que atuou no Rio e Bahia

Arthur de Negri

Diretor de arte das agências cariocas Norton, L&M, Artplan e Standard Ogilvy & Mather nos anos 80, faleceu terça-feira, 11/02, o criativo Arthur de Negri, um dos expoentes, após deixar o mercado do Rio, da propaganda baiana nos anos 90, onde trabalhou pelas agências DM9, Propeg, Pejota, Publivendas e SLA.

Em sua carreira, também atuou em várias campanhas eleitorais, para políticos como Miguel Arraes e  Paulo Maluf (com Duda Mendonça), Lula e Marta Suplicy (com João Santana) e Fernando Henrique Cardoso (com Nizan Guanaes).

De Negri morreu em sua casa, em Arraial do Cabo, onde foi sepultado. Ele já vinha tentando se recuperar de complicações de saúde agravadas por três AVCs nos últimos anos.

Hiran Castelo Branco, Rodrigo Sá Menezes, Haroldo Cardoso, Said Farhat e Arthur De Negri (1980)
Na “Janela Publicitária” de 14/03/1980, registrávamos: “A GFM/Propeg recebeu, nesta última quarta-feira, em São Paulo, das mãos do ministro Said Farhat, o Prêmio Jeca Tatu, instituído altruisticamente pela CBBA. A peça vencedora, como já se divulgou, foi “Bandinha”, criada por Haroldo Cardoso e Arthur de Negri, que também estiveram presentes à cerimônia.”
Na foto, Hiran Castelo Branco, Rodrigo Sá Menezes, Haroldo Cardoso, Said Farhat e Arthur De Negri.

Sobre ele, escreveu nas redes sociais o criativo carioca Toninho Lima:

Eu era um moleque folgado, tinha uns 17 anos e ele já era adulto, tinha um Puma, carro esportivo com que uma geração inteira sonhava, e frequentava um posto de gasolina no Flamengo, no Rio de Janeiro.
Eu era um “cheira gasolina”, garoto fanático por carros e que ficava ali, peruando os mais velhos e seus carrões.
Como eu era folgado, de vez em quando levava uma dura do De Negri. Mas nada sério. Só um corretivo. Os anos passaram e, um belo dia, eu fui pedir um estágio na L&M Propaganda, onde fui aceito. Quem era o diretor de arte da dupla sênior da agência? Sim, o bom e velho Arthur De Negri e seu maravilhoso mau-humor. Me olhou com desprezo e disse: “Ah, conheço esse merdinha aí…” Eu, só de vingança, respondi revelando o seu apelido para toda a criação da agência: “Oi, Tutuca, tudo legal com você?” Levei o primeiro corretivo logo no primeiro dia. E ele lutava jiu-jitsu.
Tutuca, de onde você estiver, me desculpa, tá? Tenho certeza de que eu iria apanhar de novo agora…
Descanse em paz, meu ídolo.

A publicitária Elaine Wermelinger, que trabalhou com De Negri na Propeg, chegou a mobilizar o mercado este ano a ajudar financeiramente o criativo. Impossibilitado de trabalhar pelas restrições físicas, De Negri vinha passando por dificuldades. Em homenagem a ele, Elaine escreveu um texto se descrevendo como se fosse o próprio:

Sou um colecionador. Mas nem sempre foi assim. Antes, quando as calças ainda não alcançavam os pés, todo mundo me dava um papel em branco, lápis ou canetas coloridas para eu desenhar. E diziam: com esse talento, esse menino vai longe.
Acertaram: andei por todos os continentes. Deixei minha marca de trabalho – leia-se inspiração e transpiração – para diversos clientes, projetos, marcas e políticos. Tantos que não saberia nunca dizer quais deles me deixaram mais feliz ou foram os mais importantes.
E como sou, antes de tudo, um amante da arte de colecionar, junto com o ofício de criar, amo meus amigos, meus relógios, meus óculos, minhas canetas, e as obras de arte sejam minhas ou do mundo do bom gosto.
As coleções me deram paixão. E o talento me deu muitos, talvez todos, entre os principais prêmios de propaganda. O suficiente para eu saber que a hora de parar é jamais e que, mais do que um portfólio de todas as coisas boas que já fiz, é preciso saber que a boa arte não deixa nunca de emocionar todos. Se emociona, é arte.
Arte que muitos podem se beneficiar. Os que vão continuar o ofício de publicitário e os anunciantes que querem vender, divulgar idéias, conceitos e fazer desse mundo, um mundo melhor.

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Tupi FM.
Marcio Ehrlich

Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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