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CCRJ e Felicidade Criativa: porque um não existe sem o outro?

Toninho Lima - Felicidade Criativa

Eu estive lá, nos anos 1980, naquela sala de reuniões da velha casa da J. Walter Thompson, na Rua São Clemente. Quietinho no meu canto, que moleque não se metia em assuntos de feras criadas. O José Montserrat Filho, na cabeceira da longa mesa, falava sobre a instituição que ele tinha fundado junto com outros nomes de rua da publicidade da época. Seriam uma trincheira contra o obscurantismo, um oásis de ideias, um libelo contra a ditadura e a sua imposição da ignorância. Lembro bem de como saí de lá emocionado, motivado e cheio de novas perspectivas.

O CCRJ nasceu assim. Como um movimento contra a mediocridade, a mesmice, a placitude criativa. Um levante, uma revolução. Suas campanhas eram a favor da vida, do amor, das ideias. Tomava partido de causas justas e vitais, como a campanha para tornar obrigatório que os cartazes de lançamento de filmes no Brasil fossem criados por designers brasileiros e não simples cópias dos originais americanos. Assim, o cartaz que lançou no Brasil o filme King Kong foi de longe o mais brilhante entre todos os seus concorrentes pelo mundo: uma obra-prima do Julio Shimamoto, que mostrava apenas os expressivos olhos do gorila em um close ameaçador.

O CCRJ passou por muitas fases, sempre agitando, sacudindo o mercado, trazendo as causas certas para o centro das discussões. Na gestão do Carlos Pedrosa discutíamos as relações trabalhistas entre as agências e seus funcionários mais explorados na época, a turma do estúdio de arte, com a campanha O Que Será do Serão?

Digo isso porque tudo que contei aí em cima me fez abraçar, logo no primeiro minuto, a ideia de lançar a candidatura do Daniel Japa para a presidência do CCRJ. Conheço a impulsividade, a impaciência, a vontade de fazer acontecer do cara desde que ele nem era ainda Japa. Era apenas um moleque como aquele que adentrava tímido o salão da velha J. Walter Thompson, ainda cheio de ideias na cabeça e sem nenhum traquejo para fazê-las ouvir. Foi esse garoto que um dia, por nada, apelidei de japoronga, que me fez lembrar, tantos anos mais tarde, porque eu era um criativo. Me fez rever minha trajetória e o quanto eu estava me deixando levar pela rotina corporativa das agências e me afastando do redator que eu era. Me fez, inclusive aproveitar uma ideia dele para criar uma série de filmes para um limpa-móveis, com o ator Luiz Fernando Guimarães, com uma pegada de humor e irreverência que há muito eu não praticava.

Pois foi esse mesmo moleque, que uma noite, meio bêbado, se lançou candidato à presidência do CCRJ. Apoiei na hora. E não demorou muito eu sugeri, já no grupo de whatsapp: vamos resgatar a Felicidade Criativa!

Nem me dei conta de que aquele papo de bêbado seria lembrado, menos ainda levado à sério. Nas semanas seguintes, o Japa não parava de me cobrar os próximos passos de um projeto que, caramba!, na verdade nem existia.

Por isso, quando você se inscreveu no canal Felicidade Criativa, se está seguindo o perfil no Instagram, a culpa é toda desse cara. Que se estivesse naquela sala da Rua São Clemente, certamente teria pedido a palavra e lançado uma ideia.

Por isso estamos aqui falando do meu projeto, que acaba de nascer, mas na verdade este papo todo é o jeito que eu encontrei de agradecer à vida por ter colocado no meu caminho um cara iluminado, generoso e acelerado bagarai como esse.

Obrigado, Japa. Estamos só começando, mas já deu certo.

Toninho Lima


O link para assinar o canal é Youtube – Felicidade Criativa.

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Tupi FM.
Toninho Lima

Toninho Lima

Toninho Lima é redator, atualmente na Kindle, professor na Miami Ad School e articulista na Janela Publicitária
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