Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 22/AGO/1980
Marcia Brito & Marcio Ehrlich

 

Janela Publicitária
Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Tribuna da Imprensa.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.


PROPAGANDA E MERCADO
Está em novo horário o programa "Propaganda e Mercado", que estes colunistas apresentam aos sábados na TV Bandeirantes. Agora, estaremos lá às 13:30hs, logo depois da primeira edição do Jornal da Bandeirantes.
Esta semana, os entrevistados são João Baptista Pacheco Fernandes, diretor de operações da MPM, e vice-presidente de comunicação e marketing do Flamengo, que fala daquele clube; Francisco Borghoff, diretor de desenvolvimento da Norton, dará suas opiniões sobre os problemas que os produtos brasileiros terão em suas exportações; e João Madeira, gerente de comunicação social da Shell, contará o que a empresa vem fazendo no incentivo à cultura brasileira.

Publicitários cariocas dão opiniões sobre regulamentação profissional.

A matéria que publicamos semana passada com o projeto de regulamentação da profissão de publicitário, de autoria do senador Amaral Furlan, e que já está tramitando no Senado, gerou uma grande preocupação nos meios profissionais. Vários dirigentes de entidades nos solicitaram cópias do texto completo do projeto para que pudessem analisá-lo com maior atenção, e discutir seus propósitos com seus associados.
De qualquer maneira, resolvemos ouvir alguns representantes de entidades publicitárias sediadas no Rio de Janeiro, para que nos dessem suas opiniões, ainda que pessoais, sobre a questão da regulamentação profissional.

Edeson Coelho (presidente da ABP - Associação Brasileira de Propaganda)
Eu, pessoalmente, não sou muito a favor desta regulamentação. Acho que na livre iniciativa, as próprias regras do mercado, de oferta e procura, desenvolvimento, necessidade, crise, etc., acabam por encaixar tudo.
Inclusive eu não discutiria a regulamentação apenas porque há um projeto no Senado. Se tiver que haver uma regulamentação, acho que a classe deveria se reunir e propor um trabalho atualizado e organizado, e não entrar para consertar o trabalho do deputado fulano, ou do senador sicrano. Deveríamos é "lobbyar" para que este projeto nem ande. E botar alguma coisa direita no lugar.
Mesmo assim, sem camisa de força. Não gosto muito desse negócio de se ter "carteirinha de publicitário". Pra mim, isso de ficar proibindo pessoas que não têm curso de trabalhar numa agência é "brincar de profissão". E na minha opinião, no Brasil, com excesso de faculdades, o ensino de comunicação, por não estar condicionado às disponibilidades do mercado, esta até tumultuando o processo.
Acho que a classe publicitária deveria se reunir para discutir o processo de regulamentação desde a estaca zero, esquecendo tudo o que a 4.680 disse sobre a profissão, numa época em que a necessidade era proteger os corretores e agenciadores de publicidade. A classe só deve é deixar a seleção profissional para o mercado. O analfabeto e o picareta, que aparecem, é claro que serão eliminados. Não por eles terem carteirinha que terão direito a trabalhar na agência, enquanto outros, talentosos, mas sem curso e carteirinha, vão ter que ficar de fora.

Clementino Fraga Neto (presidente do capítulo­Rio da ABAP-Associação Brasileira de Agências de Propaganda)
Em princípio, acho que é preciso dizer que qualquer projeto que não tenha recolhido amplos subsídios com a classe é falho O Cedampa - Centro de Desenvolvimento da Pequena Agência, ouvido pelo senador Amaral Furlan, apenas, não é totalmente representativo. Eu mesmo, durante três meses, participei do grupo de trabalho do Sindicato das Agências estudando e pesquisando a estrutura das maiores agências brasileiras, para estabelecer um Código de Funções, que é muito mais abrangente e detalhado que os cargos apresentados pelo "Projeto Furlan", de acordo com a matéria que a Janela publicou semana passada - já que não li o original do projeto.
Ainda assim, depois de ler a matéria, enviei o estudo do nosso Sindicato à ABAP em São Paulo, solicitando que ele fosse encaminhado pela Associação ao senador Amaral Furlan.
Eu percebo que a tendência, no futuro, é se exigir que os publicitários tenham nível superior. Mas deve-se garantir o registro dos que já atuem na profissão há pelo menos dois anos, para não prejudicar uma batelada de bons profissionais que estão no mercado e não têm culpa de não existir uma lei anterior. Por outro lado. Quando digo nível superior não me refiro exclusivamente à Comunicação. A meu ver também poderiam ser publicitários os formados em Marketing, Economia ou em Administração de Empresas. Restringir a profissão aos formados em Comunicação não acho certo. A gama de coisas que interagem em nosso negócio e as especializações dentro da própria agência permitem que abramos o campo a estudantes de outras áreas.

Paulo Roberto Lavrille de Carvalho (presidente do Sindicato de Agências do Rio de Janeiro)
Apesar de todos os defeitos que a Lei 4680 tem, ela é uma boa lei. É a única que nós da indústria da propaganda temos como garantia da nossa atividade. Mas ela é híbrida, porque regula relacionamento comerciais entre agência-anunciante e regula a atividade profissional.
Mas, diante da evolução da propaganda, é preciso reestudar o problema mais profundamente para se encontrar caminhos melhores para a atividade. A Lei 4.680 deve ser mexida, não sei se através de nova lei, ou decreto.
O Sindicato das Agências já teve um grupo de empresários cariocas numa comissão procurando não uma regulamentação da profissão, mas um ordenamento das funções. Hoje mesmo, sabemos que ninguém praticamente é registrado profissionalmente no Ministério do Trabalho, talvez até porque naquele nível as categorias disponíveis sejam muito limitadas. Nosso estudo com uma apreciação mais ampla dos cargos inclusive deverá ser entregue ao sindicato dos profissionais, para apreciação. A meu ver, a coisa mais importante, no momento, é a definição de cada categoria profissional, para criar condições das pessoas que já atuam se registrarem. A partir dai, sim, podemos pensar nos casos futuros.
De qualquer maneira, acho que pelo menos alguns cargos devam ter formação superior, como o do profissional de atendimento. Só que esta formação não precisaria ser necessariamente através de faculdades de Comunicação. O fundamental é o profissional ter mentalidade de nível superior.

Pedro Galvão (presidente do Conselho Nacional dos Clubes de Criação)
Parece que já é óbvio o reconhecimento da necessidade de uma regulamentação. Principalmente porque até hoje não está perfeitamente definido quem é ou não publicitário.
No entanto é preciso se agir com extremo cuidado para não se mexer em certas conquistas da indústria publicitária, como o estabelecimento formal de uma percentagem para comissão de agência. A nova lei não poderia alterar os dispositivos da Lei 4680 que são necessários para a preservação da própria atividade publicitária, como é a remuneração do trabalho das agências.
Não conheço o texto original do Projeto Furlan, mas me pareceu que os comentários da Janela foram muitos procedentes. Pelo que percebi na matéria o projeto realmente deixa a desejar, por falta de maior orientação. O senador poderia até ter utilizado como subsídios um estudo pioneiro do Grupo de Atendimento de São Paulo, que é bastante objetivo.
Mas qualquer projeto que se faça deve ter a mais ampla contribuição dos profissionais, conseguida como foi a Auto-Regulamentação: muito antes de se chegar ao III Congresso de Propaganda, vários grupos profissionais debateram por muito tempo o tema, conseguindo analisá-lo com mais calma. Inclusive acho que só depois de toda a classe ser ouvida é que a Regulamentação Profissional deveria ser levada a um IV Congresso de Propaganda, quando então se fariam apenas retoques finais.
Quanto ao curso necessário para alguém ser publicitário, realmente não acho que deva ser o de nível superior. Acho esta uma exigência descabida. O necessário em determinadas funções da propaganda é o profissional ter uma cultura e uma inteligência superiores. O profissional que tiver mais equipado intelectualmente, obviamente ocupará postos melhor remunerados. Mas, no fundo, não vejo o que possa distinguir, na formação de um publicitário, um curso que seja de nível médio de um de nível superior.
A regulamentação da profissão inclusive será um dos temas do próximo Encontro de Criação, que faremos em Belo Horizonte, em outubro. Todos os publicitários deveriam discutir mais este projeto de lei e mesmo realizar algum lobby para que ele só fosse aprovado de forma a não ter que ser mudado dentro de um ou dois anos, e que possa satisfazer, se não a todos, pelo menos à maioria dos profissionais.

Carlos Martins (um dos presidentes do Clube de Criação do Rio de Janeiro)
A regulamentação profissional é necessária, desde que realizada ouvindo-se todas as partes envolvidas. Hoje, porém, se saísse uma lei definindo que só poderia trabalhar em agência quem fosse formado em Comunicação, o prejuízo seria grande se não fossem resguardados os profissionais que já estão há algum tempo no setor.
A partir da regulamentação, sim, a exigência de diploma de comunicação seria válida. Mas não considero que este diploma de comunicação precise ser de nível superior. O diploma seria unicamente como prova de que o estudante teve uma formação técnica prévia dentro das necessidades da profissão. O diploma seria inclusive o respaldo do profissional, assim como o são os dos engenheiros, médicos, advogados e outros.
No entanto, é preciso lembrar que a essência do perigo naquele Projeto Furlan é que ele, desavisadamente, pode provocar a explosão de cursos "técnicos" desestruturados De qualquer modo, é preciso que sejam ouvidas as opiniões de toda a classe profissional.

Brainstorming • Brainstorming • Brainstorming

Oscar José Santiago Lima desligou-se, afinal, como estava previsto, da Souza Cruz, passando para a Conceito, sua própria empresa de assessoria de marketing. Com isso, fica vaga a vice-presidência Nacional da ABA - Associação Brasileira de Anunciantes.
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 Outro da ABA que se desliga é Luis Lobo, vice-presidente-Rio, e ex-CBPE. Lobo está se transferindo para a Paraíba, e em seu posto assume Eugênia Nussinkis, da GilIette.
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Correspondência para a Janela: Rua Barão de Itambi, 7/605 - cep 22231 - Rio - RJ.
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 O jornalista Romeu Garela faz parte agora do departamento de Relações Públicas da Salles, que está sendo chefiado por Isaac Pilcher.
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 Umberto Martins (ex-Lynx filmes e ex-Blow-up), considerado um dos melhores montadores de filmes publicitários do mercado estará, no próximo mês, atuando na Jodaf.
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A Salles esta procurando um profissional de atendimento que tenha muita garra. E o telefone de lá é 225-7244. Boa sorte.
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A Setembro já contratou o profissional de mídia que precisava. Elaine Wermelinger Rodrigues deixou a Artplan e foi respirar os ares de Belô.
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 Ainda sobre a Setembro, o David Paiva, que era diretor e redator da agência, está indo para a criação da DPZ em São Paulo.