Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 30/OUT/1981
Marcia Brito & Marcio Ehrlich

 

Janela Publicitária
Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Tribuna da Imprensa.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

O Dissídio não foi bem aquele.

Errata: no dissídio do Rio, sobre os salários acima de Cr$ 65 mil, não incidirá produtividade nenhuma, e o Sindicato não tem o menor direito de entrar nas agências para fiscalizar seu funcionamento, como foi publicado aqui e no Jornal do Comércio.
Ambos, porém, publicamos rigorosamente o que nos foi divulgado em envelope e papel timbrado do Sindicato dos Publicitários do Rio. Que, aliás, nem se deu ao trabalho de se desculpar pela mancada. Devidamente apontada pelo Sindicato das Agências.

Rio cobra de Murilo Coutinho resposta sobre a Federação.

Esta coluna, inclusive, ante tais atitudes, não cansava de lhe dar apoio.
As vésperas do Congresso, porém, Murilo começou a ficar visivelmente irritado ao tomar conhecimento de que Fernando Vasconcelos, presidente do Sindicato de Brasília pretendia - tendo grandes chances, por acenar com seu tráfego de influência no Planalto em benefício da nova entidade – disputar a presidência e a sede da Federação. Vasconcelos, inclusive, teria o apoio dos Sindicatos de Radialistas e Publicitários de Goiânia, Natal e Fortaleza, que reivindicavam também participar da Federação. Durante o Congresso, no entanto descobriu-se Murilo havia consultado oficialmente a Contcop e o Ministério do Trabalho para saber se tais Sindicatos, por já participarem da Federação de Radialistas, poderiam participar desta outra. Ante o parecer desfavorável, baseado em subjeções e não em leis, os três sindicatos, apesar de estarem presentes (porque as passagens já haviam sido emitidas) não puderam participar da votação. Naturalmente, logo que iniciou a sessão plenária, os três acusaram Murilo de tramar tal atitude para afastá-los. A acusação ao Sindicato carioca ficou sem resposta, porque Murilo, inabilmente se ausentara.
(Na véspera, Murilo já começara a perder preciosos pontos políticos ao abandonar os interesses do Sindicato que representava quando, após a votação das recomendações para regulamentação profissional, na qual as posições do Rio foram derrotadas, declarou que tais posições lhe haviam sido impostas pela Assembleia, mas que ele pessoalmente era contrário e por ele até votaria contra.)
Pouco depois, porém, Murilo chegava e a partir da presença dos 5 representantes sindicais era fundada a Federação partindo-se então para as votações de aspecto prático como formas de contribuição, sede, diretoria etc.
Só que, na votação da sede, após os dois candidatos apresentarem as respectivas vantagens, Brasília acabou ganhando, apoiada por Belo Horizonte e Porto Alegre, contra os votos de Recife e Rio.
Murilo ficou pálido. Visivelmente transtornado. E após alguns instantes mudo, pediu a palavra para informar que lamentava que a Federação não poderia mais ser fundada, pois, segundo uma decisão dos publicitários cariocas, tirada em Assembleia no Sindicato, caso a Federação não tivesse sede no Rio, este Sindicato não se interessaria em participar dela.
Com a retirada do Rio, obviamente desabava a Federação.
O pior, porém estava por acontecer.
Sem acreditar na afirmativa de Murilo, os outros dirigentes passaram a solicitar provas da existência desta Assembleia (sugerindo por exemplo, que se suspendesse temporariamente a reunião para que Murilo pudesse pegar a Ata no Sindicato) e tentar demonstrar que ele chegara a pensar até em uma chapa, consignada em um bilhete que teria sua caligrafia.
Um abaixo-assinado endereçado à Diretoria do Sindicato dos Publicitários do Município do Rio de Janeiro circulou esta semana pelas agências e veículos de propaganda cariocas, solicitando a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária "para o esclarecimento oficial de fatos ocorridos durante o 1º Congresso Nacional Sindical de Publicidade realizado de 21 a 24 do corrente no Hotel Othon", e que foram publicados na coluna Asteriscos do Diário Popular (SP), no último domingo 25/10.
Os fatos a que se refere o abaixo-assinado (já entregue ao Sindicato, com 243 assinaturas) foram presenciados por cerca de 50 jornalistas e representantes de entidades sindicais de propaganda de todo o país e envolveram a criação da Federação Nacional dos Publicitários da qual o Rio faria parte, através de seu Sindicato profissional. Estes foram os termos do Diário Popular.
"(...) o que se revelou foram as intenções menos éticas do Sindicato carioca, que pretendia fundar uma federação, conquanto coubesse a Murilo Coutinho sua presidência. Ou seja: "Se nós ganharmos, vale; se não, não vale." (...) a classe perdeu quase quatro dias no Rio de Janeiro para não chegar a nada (...) o Sindicato do Rio de Janeiro mostrou ser antiassociativo e dominado por um presidente carreirista, que antes de defender a categoria que representa está atrás de poder e prestígio para sua pessoa."
O que levou a respeitável coluna Asteriscos a emitir tais opiniões.
Em síntese, a história é a seguinte:
Há alguns meses, Murilo Coutinho, presidente do Sindicato carioca, iniciou gestões para criar uma Federação de Publicitários, através da participação de 5 sindicatos do setor - número mínimo legal - para aquele fim. Existindo, além do Rio, os de Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte (e estando São Paulo impossibilitado por ser de outra federação), Murilo louvavelmente fomentou a estruturação das entidades de Recife e de Salvador. No meio deste ano, contando com a legalização da entidade pernambucana, Murilo decidiu organizar no Rio um Congresso de Sindicatos de Publicitários. Com o apoio da Confederação dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade – Contcop, pautado no fato de o Sindicato carioca ter sua sede própria, e ainda no empenho que ele sozinho estava tendo para criar a Federação, Murilo contava em receber, no Rio, a Presidência da Federação. Conseguiu passagens para os delegados dos outros sindicatos, hospedagem, estadias, local para os debates, coquetéis e tudo o mais para tornar o Congresso irretocável. Atendeu até aos anseios do setor, ao colocar também em discussão a Regulamentação Profissional. Deixando a clara impressão que tudo se comportaria dentro dos mais nobres padrões democráticos, convocou Assembleias para ouvir da classe qual o comportamento que ele como Delegado do Sindicato carioca no evento, deveria ter.
Murilo Coutinho, então, ao contrário de manter o decoro que sua posição como representante da classe publicitária exigia, perdeu o controle, exaltou-se, xingando violentamente os presentes, afirmando que era macho, e chamava para a briga quem duvidasse. Em altos brados. deixava claro sua revolta:
- É uma (*) o que vocês estão fazendo comigo. Eu é que paguei esta (*) toda, para vocês estarem aqui.
No domingo, a partir do que havia ocorrido, o Diário Popular tirava aquelas conclusões.
Fica a questão: a classe publicitária carioca merece realmente este conceito perante os demais publicitários do País?
Esta coluna, que há 4 anos acompanha e participa de todos os esforços que Clube da Criação. Grupo de Mídia, Grupo de Atendimento, Associação de Contatos de Veículos, ABP e outras entidades têm dedicado para defender e valorizar este mercado, não consegue acreditar que os cariocas tenham feito aquela ressalva para participar da Federação.
Murilo Coutinho deve uma resposta aos publicitários que o elegeram presidente do Sindicato e delegado junto à Federação.
E os profissionais de propaganda do Rio de Janeiro, para não perderem a dignidade conquistada em tantos anos frutíferos de luta, devem uma resposta aos seus demais colegas brasileiros.
No próximo dia 18 de novembro, em local a ser divulgado, o Sindicato realizará sua Assembleia Extraordinária, já aceita pela Diretoria.
Confiamos na maturidade do mercado carioca.

Brainstorming • Brainstorming • Brainstorming

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