Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 06/NOV/1981
Marcia Brito & Marcio Ehrlich

 

Janela Publicitária
Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Tribuna da Imprensa.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Rio debate em assembleia o direito de participar da Federação Nacional.

Será dia 18-10 no Sindicato dos Jornalistas do Rio (Rua Evaristo da Veiga, 16, 17º andar), às 19h30min a Assembleia Geral Extraordinária do Sindicato dos Publicitários do Rio de Janeiro (convocada após um abaixo-assinado com mais de 250 assinaturas), quando o presidente da entidade, Murilo Antônio de Freitas Coutinho, esclarecerá oficialmente à classe os fatos ocorridos durante o 1º Congresso Nacional Sindical de Publicidade, realizado de 21 a 24 do corrente no Hotel Othon.
O abaixo-assinado, que circulou por inúmeras agências e veículos cariocas ainda apontava:
"Tais fatos foram noticiados pela coluna de propaganda do "Diário Popular", de domingo, dia 25, e estão sendo comentados no meio publicitário, envolvendo a imagem do nosso Sindicato". Esta convocação também se justifica pela necessidade de uma reavaliação dos publicitários do Rio de Janeiro diante da não aprovação no dito Congresso da Carta de Princípios sobre a Regulamentação da Profissão de Publicitário, proposta aprovada em Assembleia Geral deste Sindicato. Acreditamos que a fundação de uma Federação Nacional de Sindicatos de Publicitários seja do maior interesse de toda a categoria aqui do Rio de Janeiro.
Como pôde se ler na matéria publicada em nossa última coluna, e nas opiniões de outros jornalistas e publicitários publicadas nas colunas de todo o país (cujos trechos que mais dizem respeito ao Rio estão publicadas aqui), a imagem da classe publicitária carioca e de seu Sindicato ficou profundamente comprometida.
É óbvio que cabe a todos os profissionais de propaganda do Rio - sindicalizados ou não (num assunto desta importância, impedir a participação, ainda que sem direito a voto, dos profissionais não sindicalizados, seria um burocratismo antiprofissional e antidemocrático) - participar desta Assembleia, para ouvir as justificativas de quem esteve presente no Congresso do Othon, e votar sobre os destinos do Sindicato carioca.
Lá, a classe poderá, democraticamente, responder a várias perguntas. A nível de sugestão, deixamos aqui algumas delas:
- Será que o Rio realmente apoia a ideia de que só deve participar da Federação se a sede e o presidente forem daqui?
- Será que, politicamente, Murilo Coutinho, sob qualquer pretexto, deveria ter retirado o Rio da Federação?
- Será que um representante de classe pode tomar atitudes pessoais públicas que se sobreponham aos interesses da entidade que representa, quando o assunto disser respeito à classe?
- Um presidente de entidade de classe precisa ou não manter publicamente um decoro compatível com seu cargo?
Continuamos confiando na maturidade do mercado carioca.

Brasil se decepciona com a atitude do presidente do sindicato carioca.

"A virada de Mesa, que adiou a Federação"

"Faliu a Federação, numa virada de mesa, nada convencional, quando Murilo Coutinho, presidente do Sindicato dos Publicitários do Rio de Janeiro, pausadamente e sem muitas delongas, após ter sido derrotada a sua tese do Rio de Janeiro como sede da Federação, anunciava ao plenário que lamentava informar-lhe que não seria criada nesse momento nenhuma entidade, porque ele simplesmente não votaria e não havendo número suficiente de votos nada mais havia a ser discutido neste recinto.
(...) Murilo deixou bem claro para quem tivesse ouvidos que estava começando a ficar zangado, e se ficasse zangado ia ser uma "zorra", mas ia ser uma "zorra" mesmo. E deixava bem claro que não estava ali para aguentar rasteiras, que era macho e quem levantasse a questão ia ver com seus próprios olhos que era macho mesmo, que estava pagando essa "zorra" toda, e a escolha da sede [em Brasília] tinha sido uma tremenda deselegância para com ele... convidou o delegado de Brasília para sair no braço e quando se levantava da mesa para resolver a questão desabafou: Não vim aqui para aguentar rasteiras, não me venham com rasteiras porque a coisa pode ficar muito feia."
(...) Quanto a Murilo Coutinho, que realizara um excelente trabalho, carregara todo o ônus da Federação sobre suas costas, organizara toda uma festa como marco da nova entidade, o artífice de uma faina de valor incalculável, no desequilíbrio emocional e falta de maturidade, parece ter perdido qualquer chance de disputar uma chapa na futura Federação, quando tiver chegado a hora.
(Coluna "A moda da casa, de Tácio Feitosa e Nelson Cadena, jornal A Tarde, Salvador - BA, em 30-10-81).

"O lado imprevisto".

"Há algum tempo venho acompanhando, aqui da minha janela, o trabalho que o Murilo Coutinho vem fazendo à frente do Sindicato do Rio de Janeiro". O noticiário que me chega a respeito, as ideias que tem externado - e que tenho lido - levaram­me a acreditar que estava nascendo, no Rio de Janeiro, um novo tipo de liderança. Capaz de levar, aos trabalhadores publicitários (...) a um novo posicionamento diante da profissão.
Ai veio o noticiário de domingo passado [publicado em Asteriscos, no Diário Popular].
Eu não sei se o Murilo Coutinho já mediu, agora com a cabeça mais fresca, o mal que fez à classe, com a sua atitude.
[O publicitário] tem agido com um extremado individualismo: cada um quer tirar o seu. Os outros, que se virem. O resultado disso é que se tornou uma classe frágil, presa fácil de qualquer manobra patronal.
Assim, a atuação do Sindicato do Rio vinha sendo acompanhada com muito interesse pelos profissionais mais esclarecidos. Uma vitória das suas iniciativas redundaria, sem dúvida, num grande estímulo.
Dai a profunda desilusão que a atitude de Murilo Coutinho provocou.
"Se ele, que é um dos principais, age desse jeito, pouco sério", já se diz por aqui "imagine os outros".
(Coluna Pop Propaganda, de Elóy Simões, em Popular da Tarde, de São Paulo ­ SP, em 28-10-81).

"A Associação, rápido"

"A vaidade superou os interesses da maioria. Reunidos no Rio, na semana passada, os Sindicatos de Publicitários de diversos Estados não conseguiram fundar a Federação Nacional da categoria. O Rio de Janeiro não concordou que a sede da Federação fosse em Brasília e se retirou do plenário, que se encerrou por falta de quórum."
(Coluna "Propagando", não assinada, no Correio da Bahia, em 01-11-81).

"Comentando".

"(...) um novo "barulho" acontece no meio publicitário": (...) tudo acertado, passou-se à decisão quanto à diretoria provisória e cidade sede (da Federação), quando "entornou o caldo". Quando Brasília foi declarada vencedora, a diretoria do Sindicato do Rio resolveu retirá-lo da Federação, insistindo em que haveria interesse nela somente se a sede fosse no Rio. (...) A decisão de Murilo Coutinho, presidente do Sindicato carioca, estaria baseada em recomendação da Assembleia que teria imposto, como condição de filiação, trazer a sede para o Rio. Outra testemunha do fato, Sílvia Dias de Souza, a única representante paranaense presente, confirma que Murilo, sem conseguir provar o que teria sido deliberado pela Assembleia, "partiu para a ignorância", retirando-se exaltado.
É realmente lamentável. O que de certa forma consola, mas não resolve o problema, é saber que o que há de mais representativo entre os profissionais de propaganda do Rio não apoia nem concorda com o presidente de seu Sindicato.
(Coluna "Propaganda", de Ney Alves de Souza, na Gazeta do Povo, de Curitiba – PR, em 1-11-81).