Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 13/FEV/1987
Marcia Brito

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Crescimento da demanda favoreceu pequenas e médias agências.

Roberto Bahiense
Roberto Bahiense: Política de pé no chão na Esquire.

Se houve um segmento do mercado que positivamente saiu fortalecido com o congelamento econômico foi o das pequenas e médias agências.
Ao contrário das grandes agências, que viram suas contas de cigarros, automóveis, bancos e governo sustarem campanhas e as veiculações que garantiriam os BVs irem para o brejo, as pequenas e médias presenciaram a retomada surpreendente de seus clientes em investimentos publicitários. Isto lhes garantiu um 86 com crescimentos significativos que, para algumas agências, ultrapassaram a ordem de 200%.
Já acostumados a conviverem com instabilidades política e econômica, acreditando no trabalho e sem se preocuparem com especulações no mercado financeiro, os empresários cariocas de agências de portes pequeno e médio aproveitaram o feliz momento do cruzado para investirem em seu próprio negócio, expandindo suas agências para melhores localizações, contratando pessoal de primeiro time para atendimento e criação, fazendo acordos operacionais e até promovendo intercâmbio de informações, trazendo profissionais de agências internacionais para reciclagem de seu pessoal.
Esforços deste nível foram feitos, por exemplo, pela Esquire, Claudio Carvalho e Tandem que, apesar de cariocas, trabalharam em silêncio hoje, tal qual a fábula da cigarra e da formiga, vislumbram novas e boas perspectivas neste momento de salve-se quem puder.
Claudio Carvalho
Cláudio Carvalho: muito trabalho e solidificação no mercado
Roberto Bahiense, Diretor de Atendimento da Esquire, não esconde seu desapontamento com a situação atual do País. Embora acredite que a inflação deste ano estará na faixa de 700%, estimada por alguns realistas, Bahiense já tem o orçamento de sua agência fechado e, segundo sua previsões, a Esquire vai se comportar muito bem durante este ano.
"Quando há dois anos eu e o Fraga resolvemos nos unir, já havíamos constatado que existia uma harmonia de objetivos e traçamos, então, nosso planejamento voltado para a qualificação de nossa carteira de contas". A Esquire sempre atuou no mercado multinacional e nossa preocupação foi buscar uma linha de produtos de consumo, devido nossa intimidade e experiência em lançamentos de produtos. No ano passado tivemos um crescimento de 220% e tivemos a felicidade de trabalhar muito para nossos clientes. Lançamos Matox, Nifti, Scepter e conquistamos, em dois anos, 10 clientes, resume Bahiense, explicando o sucesso da Esquire em 86.
Considerada uma agência clean pela postura sempre correta e elegante de seus diretores e pelo bom astral que deixa transparecer através de seu pessoal, a Esquire é, a meu ver, uma agência cheia de charme e profissionalismo. Acredito que, muito mais por esta última qualidade, do que por todas as outras que possui, ela tenha conquistado uma imagem séria no mercado. Trabalhando no Rio com uma equipe de 58 profissionais de primeiríssimo time que atende a 22 contas, como a Cyanamid do Brasil (agrícola e veterinária), Cristian Dior, Cohabita, Shulton Labolessel, RRCA (Raimar Richers Consultores Associados), Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, Cetel, Catalina, Albrás (alumínio brasileiro), Parthenon (linha Flats), entre outras, a agência do Fraguinha, como é chamado carinhosamente seu presidente de operações, Clementino Fraga Neto, e do Roberto Bahiense, é também vitoriosa em São Paulo.
Ricardo Galletti
Ricardo Galletti: entusiasmo dos anunciantes no ano do talento
"Nós somos a única agência de porte médio que tem uma estrutura montada em São Paulo, com criação, mídia e atendimento, sob a administração de Mônica Roisenbruth, uma profissional experiente, que já passou por agências como Almap, Denison e Artplan. Fomos também a única agência brasileira que, em 86, trouxe quatro executivos estrangeiros para Work-out, declara o Bahiense entusiasmado. Quando perguntado a que ele atribuiria esta performance "in", Bahiense tem a resposta na ponta da língua: "Foi a absoluta sintonia e harmonia na minha relação com a Fraga".
A Cláudio Carvalho é outro exemplo de sucesso em 86. Seu crescimento não foi só no faturamento, não. A agência do irrequieto e talentoso Cláudio Carvalho cresceu tanto que precisou mudar da casa que ocupava em Botafogo para uma sede bem maior, agora no Centro. Cláudio atribui o seu crescimento ao trabalho realizado desde a fundação da agência.
"Nós sempre trabalhamos muito mais que a nossa capacidade. 86 foi um ano de solidificações", confessa Cláudio. Nós solidificamos nossa posição com os clientes que já tínhamos, como a Rio Gráfica e a RCA. Conquistamos novos clientes, como a Faet, e posso dizer que entramos no 6º ano da agência com uma sensação ótima de maturidade profissional, além, é claro, do respeito de nossos clientes. Em 86, a agência de Cláudio também se associou à ABAP (Associação Brasileira de Agências de Propaganda), o que, para Cláudio, foi uma atitude muito importante, pois ele acredita que desta forma poderá contribuir para a valorização do mercado carioca.
Ricardo Galletti, Diretor de Criação da Tandem, apesar de ainda não ter fechado o seu balanço nos informou que a agência teve um crescimento bastante significativo e, assim como a Cláudio Carvalho, a Tandem também teve em 86 seu momento de solidificação.

Brainstorming • Brainstorming • Brainstorming

• Otávio Villardi acaba de deixar a direção comercial da Globo Rio.
• Fabinho Siqueira, diretor de criação da MPM contratou o Chico Abreia para atuar no departamento de criação da agência numa função inédita no mercado. O Abreia, segundo Fabinho, irá funcionar como um assessor e conselheiro sobre mídia eletrônica. A Yes continuará prestando serviços para o mercado.
• E o Liber Matteucci está de volta ao Rio, agora na Thompson, fazendo dupla com Velso Ribas.
• A Giovanni & Associados reforçou sua equipe de criação com a contratação do diretor de arte Rogério Cavalcanti e do redator Raul Miranda, que eram da VS Escala.
• O publicitário e escritor Antônio Torres nos comunica que seu livro "Essa Terra" já está sendo lançado na Inglaterra com uma bela capa e ilustrações da fantástica e saudosa Djanira.
• Não adianta tentar derrubar nem esvaziar as premiações do "Prêmio Colunistas", indiscutivelmente o maior e mais sério prêmio da propaganda brasileira. O Colunistas Rio está mobilizando todo o mercado, com agências, produtoras e profissionais se inscrevendo e dando suas sugestões no levantamento "indicações do mercado".
• Um conselho de quem entende do assunto: as empresas de assessoria de imprensa não deveriam confiar tanto nos correios. Colocar um release com uma notícia com data marcada, via correio e por impresso, nos dias de hoje não dá outra: o release só chega depois que o evento já aconteceu. Hoje, por exemplo, estou recebendo correspondência da Mido sobre uma copa de tênis que foi realizada em outubro e divulgada em 8 de dezembro. Isto é o que podemos chamar de notícia passada.
Nádia Rebouças
Nádia Rebouças, a "mulher maravilha", super heroína da propaganda carioca.
• A Thompson do Rio acaba de perder uma de suas profissionais mais brilhantes, a Nádia Rebouças que, após 8 anos na casa (sendo 5 só no Rio), assumirá, a partir de 9 de março, a direção de atendimento, planejamento e pesquisa na Caio Domingues & Associados. Nádia, todo o mercado sabe, foi uma peça fundamental para que a Thompson voltasse a expandir seus negócios no Rio até atingir a surpreendente posição de hoje.
• A Casa da Criação também deve tomar cuidado com suas divulgações. Não adianta economizar e colocar noticiário via impresso pelo correio. Nenhum jornalista gosta de receber notícia velha. Jornalismo é uma atividade dinâmica que vive do dia-a-dia. Notícia velha vai para a terceira gaveta.
• Anita Cunha deixou o departamento de RTVC da MPM.
• Nelson Gomes, diretor da Globotec, está circulando pelo Rio para, brevemente, reativar a produtora no mercado. O fato é que, quando Nelsinho saiu do Rio, a Globotec estava lá em cima. Agora ele deixa a produtora no topo em São Paulo para ver se a levanta aqui.
•Notícias para a Janela: Praia de Botafogo, 340 Grupo 210. Rio de Janeiro. CEP 22231. Tel.: 552-4141
• A Globo disse no ao No. Caetano Veloso disse, há 20 anos, "é proibido proibir".
• De muita coragem o anúncio da Folha de São Paulo que mostra as ilustrações do Palácio do Planalto, do Palácio dos Bandeirantes e da Prefeitura de SP com o texto: "A Folha só quer uma coisa desse pessoal: Distância", reafirmando o seu compromisso de estar é "com o rabo preso com o leitor". Genial.