Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 11/AGO/1995
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Diretor da Standard pode presidir a Abap no Rio

Dois anos depois de o presidente da Standard Ogilvy & Mather ter tentado presidir o capítulo nacional da ABAP, a Associação Brasileira de Agências de Propaganda, o diretor do escritório Rio da mesma agência, Sérgio Silva, se prepara uma disputa semelhante ao lançar a sua candidatura ao capítulo carioca da entidade. Se eleito, seria a primeira vez na história da ABAP que na presidência de um de seus capítulos regionais estaria um diretor de uma agência de origem multinacional.
No próximo dia 21 de outubro, o presidente da ABAP no Rio e diretor da agência carioca Contemporânea, Armando Strozenberg, reunirá os associados da entidade em um almoço no qual apresentará o paulista Sérgio Silva, que há dois anos gerencia o escritório carioca da Standard Ogilvy & Mather, como o candidato escolhido pela atual diretoria à sua sucessão.
O comunicado oficial convocando os associados para a apresentação de candidatos foi publicado no dia 21 de julho nos jornais O Globo e Jornal do Brasil. No entanto, ou eles não foram lidos pelos publicitários cariocas ou estes não se empolgaram com a chamada, porque, segundo Strozenberg, ninguém se manifestou. O nome de Sérgio, assim, acabou sendo proposto pelo próprio Armando, bem impressionado pelas participações do publicitário nas reuniões da entidade e pelo trabalho que ele vem realizando à frente da Standard no Rio. Strozenberg chegou a consultar alguns líderes do mercado sobre a indicação. Como não houve reações negativas, Strozenberg sentiu-se à vontade para oficializar o nome.
A ausência de manifestações, porém, parece ter sido mais por desinformação que desinteresse. Quando souberam pela carta-convite da apresentação de Sérgio Silva, alguns publicitários cariocas se confessaram à Janela surpreendidos com o fato de a Abap-Rio já ter um candidato oficial. Mesmo sem quererem ainda se pronunciar abertamente e com o cuidado de não questionar a capacidade profissional do diretor da Standard, estes publicitários comentaram que estranhavam a proposta de o comando da principal entidade empresarial do mercado publicitário carioca não ficar nas mãos de um empresário do setor, e sim de um profissional de uma multinacional que poderia, a qualquer momento, ser transferido, para outro escritório do grupo.
A polêmica não é nova. Como relatamos acima, a candidatura de Ronald Assumpção, presidente da Standard, acabou não vingando. As pressões contrarias - oficiosas como agora - foram tantas que Ronald retirou o seu nome da disputa. A entidade foi assumida, então, pelo publicitário e empresário Roberto Duailibi, presidente da DPZ, como candidato único.
Armando Strozenberg não aceita à restrição a Sérgio Silva pelo fato de sua agência ser uma multinacional. "O senado já derrubou a distinção entre empresa de capital estrangeiro e empresa brasileira e nós vamos ficar nesta posição retrógrada?", ele protesta.
Este protesto do atual presidente da ABAP-Rio será levado ao encontro do dia 21, quando os publicitários cariocas já terão tido mais tempo de se informar sobre o assunto. Principalmente agora, que a notícia deixou os recônditos dos comunicados-oficiais-para-cumprimento-de-estatutos e chegou à imprensa especializada, o verdadeiro fórum para as discussões do setor.

Sani Sirotsky e Álvaro Gabriel de AlmeidaJanela do Tempo

Mais um flagrante do passado, tirado em 1978, durante o I Encontro de Criação Publicitária. O tema do encontro era que os criadores deviam perceber que tinham a faca e o queijo na mão. Devia ser exatamente do que estavam falando quando Sani Sirotsky, dono da SGB disfarçou e foi checar sua gravata. Enquanto isso, o redator novato Álvaro Gabriel de Almeida, ainda tímido, tentava desesperadamente tirar as palavras de sua boca para se manifestar a favor.

Propeg desiste da GR.3 e fecha com Cláudio Carvalho

A agência Cláudio Carvalho é o novo braço carioca do grupo baiano Propeg, que fechou finalmente ontem o acordo para entrar na sociedade e ganhar o direito de disputar pelo Rio as novas concorrências de contas federais que estão se abrindo no mercado carioca, como a da Vale do Rio Doce.
A Propeg quase fechou acordo com a GR.3, agência presidida por Gustavo Bastos, voltando atrás pela recusa deste publicitário de que - com apenas 30% de participação acionária - a empresa baiana ganhasse o direito de aparecer também na marca da agência.
Ontem mesmo, à noite, Cláudio Carvalho teve que viajar de urgência a São Paulo para finalizar o acordo, que só deveria ser comunicado oficialmente aos clientes de ambas as agências a partir da próxima semana.

Novas mudanças na criação agitam agências cariocas

Ainda levará um bom tempo para que o mercado publicitário no Rio de Janeiro encontre o ponto de equilíbrio de suas equipes de criação, balançadas desde a ida de Marcos Silveira para a vice-presidência da Mental Mark e de Sílvio Matos para a direção de criação da Contemporânea, desfalcando a V&S.
Como era de se esperar, esta agência saiu em busca de um novo redator e acabou encontrando Marcos Pedrosa, que estava como diretor de criação da D+. Dois gourmets, Lula Vieira e Valdir Siqueira, donos da V&S, trocaram os filhos de peixe. Perdido Sílvio Matos, filho do graúdo Mauro Matos, contrataram Marcos Pedrosa, filho de Carlos Pedrosa, nada menor.
Vaga a direção de criação da D+, ela foi rapidamente preenchida pelo diretor de arte Marcelo Giannini, que, curiosamente, na Contemporânea, era um dos pilares da restruturação que Silvio Matos pretende fazer na agência. Sem Marcelo, Silvio terá que buscar um novo nome para compor o time de estrelas que ele quer implantar na criação da Contemporânea. A caça a este nome já começou, prometendo que não será por causa dos criativos cariocas que esta coluna ficará sem noticias nas próximas semanas.

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• PARABÉNS PRA VOCÊ - A Janela se abre para comemorar os próximos aniversários do mercado: Dia 11 (HOJE): Vicente Nolasco (Pubblicità) e José Luís Vaz (Contemporânea); Dia 13: Marlene Fuchs (D+); Dia 15: Claudete Lima (Standard).
• MAIS UMA, MAIS UMA! - O espaço deixado pelo fechamento das produtoras Claquete e Mr. Magoo já deixou muita gente de olho. Agora é a vez de Ricardo Meyer, o veterano profissional de produção com passagem em várias agências e produtoras, que abre seu próprio negócio. Este mês ele inaugura a Bros, na Rua Sorocaba 527 (Tel.: 286-3979), com a proposta de atender as agências cariocas "com a cabeça de quem é publicitário, e não só produtor". Na Bros, Meyer terá o apoio operacional da locadora de equipamentos Link, ao lado da qual, inclusive, ela está instalada.
• NO ATENDIMENTO - Célia Menezes, a conhecida gerente de propaganda e promoções do jornal O Dia, está mudando de casa. Ela assume este mês uma das diretorias de atendimento da Contemporânea. E com o aumento no seu volume de novas contas, a Denison Bates também teve que aumentar seu atendimento no Rio. Para lá foi contratado Luís Loffler, que estava atendendo a Coca-Cola na McCann Erickson.
• UAU!! - A Cult está com nova conta. É dela a propaganda do Sexo Phone, que patrocina as sessões de cinema erótico da Bandeirantes.
• TOQUE DE CAIXA - A Caixa Econômica Federal suspendeu sine-die a abertura das propostas técnicas, dando às agências participantes da primeira fase de sua licitação um prazo para que elas próprias vetassem o recurso impetrado pela Pubblicità e pela HCA que as permitiria voltar à disputa. Lavando as mãos e deixando a solução para o mercado, é praticamente certo que as duas retomem à licitação para ver suas propostas técnicas disputando com as demais.
• LAMENTÁVEL - Este colunista não consegue acreditar que tenha sido a Artplan, uma agência que assumiu a defesa do Rio, a responsável pelo terrível carro de som que circulou pela cidade às vésperas do Grande Prêmio Brasil, em altíssimo brado, anunciando a corrida, como se fosse um reles vendedor de pamonhas. Nem pode ter sido do Jockey, onde está um publicitário de respeito, Luís Macedo. Terá sido então algum cavalariço o autor daquele atentado contra o Rio?
• CARTAS - Correspondências para a Janela devem ser enviadas para a Praia de Botafogo, 340 grupo 210, CEP 22250-040, telefone (021) 552-4141. Ou via Internet, pelo e-mail: Ehrlich@centroin.ax.apc.org.