Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 15/SET/1995
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Lobby atrasa divulgação da concorrência da Caixa

Até o fechamento desta matéria, o Diário Oficial da União não havia oficializado o resultado da concorrência da Caixa Econômica Federal, conhecido desde a semana passada a partir de vazamento das informações para a imprensa tão logo terminou o trabalho da Comissão de Licitação. Pelos pontos conquistados, foram consideradas vencedoras as agências Artplan e Denison (do Rio de Janeiro), Propeg (da Bahia) e MPM/Lintas (de São Paulo).
O motivo de tanta polêmica é uma violenta atividade de lobby que, segundo o jornal Correio Braziliense, estariam fazendo no Palácio do Planalto as agências DM9 e Norton. Nos bastidores, a história se explica pelo menos em relação à DM9, que participou da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso. A agência de Nizan Guanaes foi severamente penalizada pela Comissão de Licitação da Caixa Econômica porque teria ferido exigências do edital, apresentado um número de peças publicitárias superior ao permitido. A decisão, pelo que consta, desagradou setores internos do Palácio do Planalto, que teriam orientado a Caixa a alterar seus resultados. A área de comunicação da Caixa, presidida por Paulo Roxo, se recusou e, com a aprovação da presidência do órgão, lavou as mãos, encaminhando seu resultado para a Secretaria de Comunicação da Presidência para a homologação e publicação no Diário Oficial.
De lá para cá, o documento parou na gaveta do embaixador Sérgio Amaral, secretário de comunicação de Fernando Henrique, que, ainda de acordo com as apurações de coxia, teria decidido não decidir nada enquanto o presidente estivesse fora do Brasil.
Como nada disso é oficial ­ afinal, só a imprensa está dando suíte ao assunto - nada mais resta às quatro agências oficiosamente vencedoras senão esperar e também entrar na guerra do lobby. Neste momento de vagas magras por que passa a publicidade brasileira, ninguém quer deixar passar batida a verba de R$ 40 milhões que a Caixa Econômica já separou para investir em sua futura publicidade.

Concorrência da BR espanta o mercado

A BR Distribuidora, premiada este ano com o titulo de Anunciante do Ano do Colunistas-Rio, está sendo motivo de espanto no mercado publicitário brasileiro. Ela acaba de se responsabilizar por um dos editais de concorrência pública mais absurda e equivocada dos últimos tempos para escolha de uma agência de propaganda. Entre as razões da surpresa está a lembrança do profissional que a BR tem à frente de sua comunicação, Bayard Lagrotta, que sempre foi respeitado por demonstrar uma enorme experiência no assunto, deixando a suspeita de que a origem do edital não foi a área de comunicação da empresa.
Lançado na última semana, o edital da BR trocou a valorização da técnica publicitária por um conjunto de firulas burocráticas cuja ineficiência pode prejudicá-la seriamente na escolha das melhores soluções para o seu atendimento. Batendo de frente com a eterna reivindicação do setor de que o trabalho criativo e de planejamento de uma agência é que determina com mais precisão a sua capacidade, a BR não confere a estes quesitos mais do que uma quarta parte do peso para a pontuação final. Em vez disso, sai pontuando desde o número de computadores e aparelhos de fax em funcionamento na agência até o ano (!) em que foi produzido o software de processamento de texto utilizado pelos redatores. Como se alguém fosse mais brilhante escrevendo no Word 6.0 que no Word 2.0.
O descompasso do autor do edital para os assuntos publicitários é tal que o fez se preocupar mais com tempo de carteira assinada que com o talento de quem estará em julgamento. Um criador como Sílvio Matos, por exemplo, que já conquistou dois Leões em Cannes, como só é diretor de criação há menos de 3 anos, vai receber menos pontos que outro que apresente 20 anos de profissão, mesmo que este jamais tenha conquistado nem mesmo uma medalha de bronze de anúncio de menos de 60 cm no Colunistas.
Dentro do mesmo espírito burocrático, a BR acha fundamental que o responsável pelo planejamento da agência tenha diploma de nível superior - mesmo que de odontologia, já que o edital não especifica em que especialização - premiando-o com mais pontos ainda se também tiver algum diploma de pós-graduação.
No meio de tanta purpurina, chega a ser cômica a ressalva feita sobre os layouts que as agências poderão apresentar para ilustrar as suas propostas criativas. A BR só aceitará se forem "rafes feitos com caneta hidrocor em folha de papel oficio"!! Mais prosaico, impossível.
Durante a próxima semana, líderes do mercado publicitário entrarão em contato com a BR para alertar sobre estas e outras inadequações do edital. Entre as preocupações do setor está a iminência da publicação do segundo edital do grupo Petrobras, correspondente à comunicação institucional da holding. Antes que os equívocos se dupliquem, convém mesmo ao setor colaborar para que a Petrobras - por tantas vezes um exemplo de profissionalismo e competência na comunicação publicitária - reencontre o seu rumo.

Sebrae lança campanha para defender os pequenos

A primeira campanha da Giovanni para o Sebrae nacional começou a ser veiculada ontem, mobilizando a opinião pública para o encaminhamento para o Congresso, esta semana, do projeto do novo Estatuto da Pequena e Média Empresa.
Em três comerciais de TV dirigidos por João Daniel Tikhomiroff pela Jodaf, três spots de rádio e três anúncios para mídia impressa, a campanha procura denunciar com humor os abusos da atual legislação.
Os filmes, por exemplo, mostram uma enfermeira, um treinador de atletas e um pai austero fazendo exigências rigorosíssimas a interlocutores que só são revelados no final: tratam-se de simples bebês. E aí que a locução, em off, revela: "E mais ou menos assim que o Brasil trata suas pequenas empresas".
Criada por Adilson Xavier e Cristina Amorim, a campanha teve ainda trilha da Dr.DD, spots do Estúdio Nova Onda e fotos dos anúncios de Daniel Geller.

26 agências do Rio escolhem segunda o seu presidente

Está tudo pronto para a eleição da Abap-Rio. Ela pode não estar tendo o clima animado que apresentou a recente eleição do Clube de Criação, mas a disputa já trouxe ares tão renovadores para a Associação de Agências do Rio que no almoço promovido pela entidade na última segunda-feira, para a apresentação das plataformas das duas chapas, estiveram presentes representantes de mais de 20 agências, contra as menos de uma dúzia habituais.
Neste almoço, Sérgio Silva, da Standard-Rio, oficializou o nome de sua chapa como "Convite", deixando claro que ele é candidato por ter sido convidado por Armando Strozenberg. Dentro desta postura, Sérgio apenas discursou para apresentar sua plataforma. Enquanto isso, o outro candidato, Jonas Suassuna, da Zapt, líder da chapa Rio, se assumiu candidato acreditando no que ele próprio recomenda quando faz campanha para políticos: além de discursar, entregou aos eleitores folhetos impressos com sua plataforma e com os detalhes de como vê os estatutos da Abap e ainda distribuiu buttons adesivos com a marca criada para a chapa.
Como eleição só se define após a abertura da última cédula, a Janela vai evitar fazer previsões sobre o vencedor. No entanto, para dar ao mercado a oportunidade de fazer as suas especulações, a Janela publica, em primeiríssima mão, a relação completa dos votantes e o número de votos de cada um. A Abap-Rio tem 27 associados. Estará de fora da votação apenas a Premium, por se encontrar temporariamente afastada da entidade. Com isso, estarão em jogo 150 votos. Vale lembrar que, na Abap, os votos são distribuídos de acordo com a receita operativa de cada agência no ano anterior. Na listagem a seguir, acompanhe os pesos dos votos, a receita necessária para cada faixa e as agências incluídas nelas:
14 votos (receita acima de R$ 11,52 milhões): Artplan, Pubblicità & Esquire e Standard Ogilvy & Mather.
12 votos (de R$ 8,22 a R$ 11,52 milhões): Denison, Giovanni e Salles.
10 votos (de R$ 5,48 a R$ 8,22 milhões): Contemporânea.
8 votos (de R$ 3,43 a R$ 5,48 milhões): Caio, DPZ e J. Walter Thompson.
6 votos (de R$ 1,90 a R$ 3,43 milhões): V&S
4 votos (de R$ 1,05 a R$ 1,90 milhão): GR.3 e Chris Colombo.
3 votos (de R$ 0,58 a R$ 1,05 milhão): Luz e Zapt.
2 votos (de R$ 294 a R$ 588 mil): Almap/BBDO, Cláudio Carvalho, Publinews, Garden, Genesis, Norton e D+.
1 voto (até R$ 294 mil): Aroldo Araujo, Escaleno, JG e Speroni.

Plus se instala no Rio com super estrutura

A Plus, uma das produtoras paulistas que mais comerciais têm feito para o Rio de Janeiro, acaba de ampliar significativamente sua presença no mercado carioca. Desde a última semana, com o nome de Plus-RJ, ela ocupou toda a bem montada estrutura que a recém-fechada produtora Claquete mantinha no Rio, com escritórios, ilhas de edição e um amplo estúdio na Barra da Tijuca.
A produtora tem na sua cúpula três cariocas - Hugo e Sérgio Tikhomiroff e o diretor Mário Marcio Bandarra - e começou a ganhar espaço no Rio viabilizando financeiramente a produção de comerciais criativos para várias agências, como Artplan, V&S e D+. Foi para a V&S que ela produziu o comercial "Slogans", que trouxe para o Rio um dos Leões de Bronze do Festival de Cannes deste ano.
Entre os apoiadores mais fortes da abertura da Plus-RJ está exatamente o criador daquele comercial, Sílvio Matos, que agora é diretor de criação da Contemporânea. Para ajudar, Sílvio também é fã do trabalho de um novo diretor de comerciais que está começando a se destacar no Rio, André Pellenz, que já está contratado com exclusividade para gerenciar a Plus no mercado carioca.

Cartas

"Prezado Marcio,
Na sua coluna publicada esta semana há uma informação que gostaríamos de ver, se possível retificada.
Embora tenha sido convidada para participar da concorrência da Slopper, a Denison Rio preferiu ficar de fora declinando do convite. Agradeço sua atenção.
Risoleta Miranda, assessoria de Imprensa, Denison-Rio"

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• PARABÉNS PRA VOCÊ - A Janela se abre para comemorar os próximos aniversários do mercado: Dia 15 (Hoje): Marion Green; Dia 19: Isabelle Tanugi (Zohar); Dia 21: Cecília Velozo.
• ALÔ, ALÔ - Vinte e nove agências foram classificadas para a concorrência da Telebrás, esta quinta-feira em Brasília. Ontem mesmo foram abertas as pastas de propostas técnicas e dentro de duas semanas o mercado já conhecerá o resultado.
• NOVAS NA ZAPT - A agência de Jonas Suassuna está com novas contas. Será dela o novo lançamento imobiliário que a Andrade Gutierrez fará na Barra no final deste ano, assim como o lançamento de um novo serviço de "Resgate Azul" da Semeg, um socorro especial para estradas e eventos esportivos. A agência começou também esta semana a campanha de apresentação de seu cliente Shopping Center Tijuca, que se instalará em 1996 na Avenida Maracanã. Jonas diz que a Zapt também será a responsável pela conta quando o shopping já estiver em funcionamento.
• CARGO ABERTO - A Cláudio Carvalho Propeg, que se instalou oficialmente ontem no Rio, está à procura de um Diretor de Atendimento. Cláudio garante que, para se adequar aos novos tempos da agência, está atrás de um profissional de porte, que vai gerar na área de atendimento a mesma agitação e cascata de mudanças que está acontecendo na de criação carioca.
• YES!! - A produtora de comerciais Yes, dirigida agora por Leonardo Servolo, aumentou o número de diretores exclusivos que serão oferecidos às agências cariocas. Além de Ronaldo Soares, que reside no Rio, a Yes incluiu no seu portfólio os nomes conceituados de Tito Teijido e Sérgio Mastrocola, ambos residentes em São Paulo. A proposta de Leonardo é dar mais opções para que os criativos daqui possam produzir seus filmes aqui mesmo no Rio de Janeiro.
• ESPAÇO FOI PRO ESPAÇO - O Espaço da Propaganda, aquele projeto que Armando Strozenberg, atual presidente da Abap-Rio, aprovou com o prefeito César Maia para instalar as entidades publicitárias cariocas no galpão do MAM, gorou. Tanto Jonas Suassuna quanto Sérgio Silva, candidatos à Abap-Rio, já declararam que, quando eleitos, vão abrir mão de sua realização.
• CASA DÁ BINGADINHA - A Casa da Criação deve faturar a partir de outubro R$ 1 milhão no lançamento do Super Bingão Esportivo de seu cliente Arte Show, que ainda terá uma verba de manutenção mensal em torno de R$ 500. Todo o tema da campanha, de apelo popular, será baseado em "Dê a sua bingadinha", apresentado pelo cantor Dicró.
• BOTA NEW NISSO - A agência de promoções New Business - que já ganhou vários prêmios com seus clientes Brahma e Brazilian Food - está de casa nova. Saiu do Centro e foi para a Praia do Flamengo, 344/5º andar. Os telefones passaram a ser 552-0595 e 552-0845.
• CARTAS - Correspondências para a Janela devem ser enviadas para a Praia de Botafogo, 340 grupo 210, CEP 22250-040, telefone (021) 552-4141. Ou via Internet, pelo e-mail: Ehrlich@centroin.ax.apc.org.