Janela Publicitária    
 
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 
11:21 Beat Sonido Yes Filmes Zuêra
A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes 2013, com o patrocínio da DM9Rio, Staff, 11:21, Beat, Sonido, Yes e Zuêra.
 

CANNESPALLOOZA.

Lou Reed, Franz Ferdinand, Puff Daddy. Parece o lineup de um festival de música, mas foram os caras com quem esbarrei por  aqui em Cannes. No caso do Puff Daddy (P.Diddy, ou sei lá qual é o nome que esse Zé Fanfarras está usando agora, foi) esbarrei literalmente na entourage de 450 mil seguranças que ele carrega a tira colo (pra quê?). Mas vamos lá, uma coisa de cada vez.


WALKING ON THE WILD SIDE

Lou Reed: "Ninguém tem senso de humor aqui?"
Take a Walk on The Wild Side
Perfect Day
Comecei o dia Chiquinho Scarpa style: perdi o barco para o St Tropez, o que acabou sendo uma sorte. Primeiro porque ontem fez um tempinho de “merde”.
Depois porque subi para a sala de imprensa e estava chegando Lou Reed, que tinha acabado de fazer sua palestra no Auditório.
Bem antes de escrever bobagens sobre Cannes, eu escrevo bobagens sobre música para jornais e revistas há 15 anos (muito mais esporadicamente nos últimos 5), e já entrevistei uma penca de bandas nacionais e internacionais.
Posso dizer nunca estive numa sala com alguém tão “sinistro”, no sentido carioca do termo, como Lou Reed.
Setenta e um anos nas costas, andando como alguma dificuldade, Reed entrou, parecia que os jornalistas tinham perdido a língua. Só de olhar, Reed já intimidou todo mundo. Não é agressividade, nem arrogância. É como se você estivesse diante das histórias todas do cara, das experiências que o sujeito já viveu e você ficasse humilde. É como encarar um monstro.  
Uma jornalista arriscou uma pergunta:
- Como o senhor faz para se manter sempre criativo?
- Eu me masturbo. Todos os dias.
Ninguém ri. Algumas pessoas se chocam.
- Ninguém tem senso de humor aqui não?
Mas aí ele também não ri. Uma pessoa bate palma sozinha. Alguém ri forçado.
Outro jornalista tenta quebrar o gelo e amenizar o ambiente, arrisca uma pergunta inspirada numa música dele (Perfect Day).
- Qual foi o seu “Perfect Day”?
- Hoje. Estamos todos aqui, vivos. Isso é perfeito.
Mais gente bate palma. O dinossauro olha em volta, sem reagir e as pessoas ficam meio sem saber se é para parar ou para bater mais palma. Ele observa.
- Algum de vocês aqui não tem iPhone? Todos estão olhando para seus iPhones.
De fato, ninguém estava olhando diretamente para o cara, só tentando fotografar, filmar e postar Lou Reed.
Respondeu mais algumas perguntas óbvias sobre publicidade dizendo que gostava das coisas bem feitas, de imagens bem produzidas, que causam impacto mas ficou claro que para ele a propaganda é um aquário e não algo que tenha uma mensagem. É decorativo, às vezes entretenimento.
Sobre música, respondeu como um pastor.
- A música é o sangue e o espírito da humanidade. Sem ela, podem fechar o planeta que ele não fará mais sentido.
E deixou um recado, enfim para a classe.
- Alguém aqui está entendendo o que está acontecendo na mídia hoje? Já perceberam quem está tomando o comando? Nós. As corporações deixaram a porta aberta e nós invadimos. Não podemos perder isso e temos que saber o que fazer com esse controle. Isso é punk rock.
Entrevista encerrada, a dormência dos jornalistas continua. Sem falar nada, eles se aproximam de Reed para tirar fotos 1 metro mais perto. Parecia um Walking Dead ao vivo. Ele não fala nada, vira a cabeça, as meninas da organização começam a tirar a gente dali. Nem elas estavam entendendo aquela reação.
Alguns tiram discos e revistas para ele autografar. Eu inclusive. O cara do meu lado sai todo feliz com um álbum autografado por ele, mas a assinatura é um rabisco indecifrável. Sai outro da fila com uma revista, com outro rabisco, completamente diferente. Olho pro cara e ele está lá, finalmente com um sorriso discreto e cínico no canto da boca. Entendo o recado. Me afasto.
Ele passa andando amparado pelas meninas da assessoria de imprensa. A porta se fecha e a sala fica elétrica, admirada, ainda um pouco assustada.


FRANZ FERDINAND

Clique na imagem para ir para a página do New Directors Showcase 2013.
O dia ainda teve algumas palestras interessantes como a tradicional Saatchi New Directors Showcase que você pode ver todos os vídeos apresentados aqui: www.youtube.com/nds.
Assisti também o ótimo Future Lions, apresentado pela AKQA.  E se você é estudante, pode e deve saber mais sobre esse projeto de inovação com quem está começando em https://www.facebook.com/futurelions. Vai descendo o timelime que você vai encontrar alguns dos melhores trabalhos que vi em Cannes, como o Peeble Sense Danger: http://vimeo.com/64860956#at=2 e o Awaken para a Amazon: http://vimeo.com/64833627#
Mas enfim, depois disso, fui para a festa da Ogilvy Worldwide na praia em frente ao Martinez, sem grandes expectativas. Sempre tem um caipirinha aqui, um nice to meet you acolá e uma bandoca ou um DJ “revelação”. 
- Vamos ver se essa banda que vão colocar aí hoje é legal.
- Acho que é o Franz Ferdinand.
Achei que era brincadeira. Mas aí subiu no palco...o Franz Ferdinand.
Quem passava no calçadão lá em cima, não acreditava que eram os caras. Um amigo depois me disse que passou achando que era um grupo tocando covers do Franz Ferdinand. Engraçado.
Rolou um pocket show de 8 músicas incluindo os “hits” Take Me Out e Ulysses, mas não Walk Away, por exemplo. Muita energia no palco, mas mão interagiram muito, talvez muita gente ali nem conhecesse os caras. Um inglês depois veio me perguntar como nós, brasileiros conhecíamos aquele grupo.
Como estava ali de frente para o vocalista Alex Kapranos cantando algumas músicas junto e tal, cumprimentei o cara na saída e ele fez a gentileza de me dar a palheta do show. Gente fina.
...
...


PUFF DADDY

De lá fui para uma outra festa, convidado pelo meu camarada Claudio Lima, da Y&R Miami: o lançamento do canal de TV Revolt, que tem como um dos sócios o Sean Combs, que como rapper já usou os nomes de Puff Daddy, P.Diddy, Puffy, Sean John e agora, só Diddy.
Se você acha que só esse bando de nomes já é uma frescura, não viu a marra com que o sujeito entrou no Gotha Club em Cannes, fechado só para o evento dele.
Tinha mais gente de segurança do cara do que nas manifestações aí no Brasil por mais cidadania.
Nos EUA, onde P.Diddy já teve um de seus melhores amigos o cantor Notorious B.I.G baleado por uma gangue de rappers rivais, esse exército pessoal até faria sentido.
Mas em Cannes, a cidade mais coxinha do mundo nesta semana, os esbarrões nos convidados foram muito menos necessários e muito mais parte do circo.
Curiosamente, a casa, que estava fedendo a cueca até a chegada de P.Diddy, encheu de mulheres, outro mise-en-scène, só para usar uma palavra francesa que quer dizer mise-en-scène mesmo.
Aí o sujeito subiu no palco, acompanhado de mais dois ou três aspones que só ficavam tomando champanhe no gargalo e gritando “put your hands in the air muthafuckaaaas”. 
Daí pra frente foi um verdadeiro Furacão 2000 cantado em inglês. Com álcool de graça nos bares, Diddy só precisou colocar fogo na pista, cantando sua versão de Every Breath You Take (feita para homenagear Notorius B.I.G) e outros sucessos. Entre uma música e outra, derramava vodka no gargalo de quem estava na beira do palco.
Festa com Puff P. Puffy Daddy Diddy


PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE PUBLICIDADE

Encontrei na festa do P.Diddy dois jurados: o Moa, da NBS, que tinha julgado Promo e o Márcio Ribas, da Neogama, de Press.
Moa, que já está aqui há 10 dias (5 deles, só dentro da sala de julgamento) disse que achou o júri de Promo um pouco ansioso diante da quantidade de trabalhos que estavam ali, com a responsabilidade de receberem leões e não ter injustiças.
Já Ribas, também falando sobre a quantidade de inscrições disse que no caso do júri dele, a dificuldade foi não perder a concentração e o foco para não deixar o que era bom perder leão para o cansaço mental dos jurados e nem para as discussões.


PERGUNTA DO DIA

Se o festival fosse feito sem que os jurados de uma categoria soubessem o resultado da outra, os prêmios distribuídos seriam os mesmos?
Nos últimos anos por exemplo, Press e Outdoor que são julgados em separado, mas quase simultâneos, tem tido resultados completamente diferentes.
No formato atual de Cannes com vários dias de premiação, uma ação que recebe leão na segunda, pode influenciar e muito no julgamento de outra categoria em outro dia. Ou para receber mais, ou para fazer o júri ficar de bode de ver aquela peça ganhando muita coisa.
Parece pouco justo, e talvez seja. Mas é a regra do jogo.


SOBRE AS MANIFESTAÇÕES

Grupo de publicitários brasileiros se manifesta em Cannes.
A Fenêtre tem recebido várias mensagens perguntando como esse movimento popular no Brasil está repercutindo aqui.
Aqui em Cannes parece que tudo é farra, mas as manifestações são o assunto em qualquer roda de brasileiros que se junta.
Na verdade, o pessoal tenta acompanhar pela internet no meio de um monte de outras atividades, e a sensação é que a gente não tem muita noção da dimensão que isso tomou, se existe um discurso único ou se há expectativa de alguma resposta clara ou ação do governo, por exemplo, que não seja só jogar para a torcida e baixar o preço do busão.
Os estrangeiros vem nos perguntar sobre o assunto e é até difícil explicar de longe o quê e como está rolando.
Independente da política, tomara que o Brasil siga debatendo de maneira civilizada a importância de evoluir. Já está provado que dá para fazer estádios de alto nível, então dá para fazer escolas, hospitais e transporte de alto nível.


PARABÉNS, ARTHUR!

Rafael Donato e Arthur Donato
Rafael Donato e seu Arthurzinho.
Hoje é aniversário desse moleque fofo aí, o Arthur, filho do meu companheiro de cela Rafael Donato. Beijão pra você, garoto. Comemora muito aí no Brasil. Seu pai tá aqui, morrendo de saudade até quando está roncando como um mamute com laringite. Essa noite ele roncou em ritmo de Parabéns pra Você!


Fabio Seidl é o roadie especial da Janela em Cannes.