Foi onde começou a Janela Publicitária, há 31 anos. E hoje fechou as portas por falta de dinheiro para pagar seus funcionários.
A Tribuna é um jornal pelo qual tenho uma relação de amor e ódio.
Foi lá que pisei numa redação pela primeira vez, em outubro de 1969, para assinar a tira diária de quadrinhos "Sir Lancelot". Acabei sendo ilustrador, secretário gráfico, editor de cultura e colunista.
Aprendi muito sobre comunicação na Tribuna da Imprensa. E sobre a realidade brasileira, ao enfrentar a censura e ser chamado para depor no DOPS pelo conteúdo dos meus quadrinhos.
Mas nunca perdoei a traição feita pelo editor Hélio Fernandes Filho, em maio de 1985, para atingir a agência SGB, num episódio que levou à mudança da Janela Publicitária para o Monitor Mercantil.
Irritado porque a SGB não havia incluído a Tribuna na programação dos anúncios do Ponto Frio, Helinho plantou, no meio da Janela -- como se tivesse sido assinada pelos colunistas, Marcia Brito e eu -- uma nota dizendo que o Ponto Frio estava pensando em tirar a conta da agência por insatisfação com os resultados da sua nova campanha.
Na sexta-feira, tradicional data de publicação da Janela, antes mesmo de comprarmos o jornal na banca, já recebemos uma ligação irada do diretor da SGB, Arthur Bernstein, cobrando o assunto.
Após 8 anos, aquela foi a última Janela Publicitária publicada na Tribuna da Imprensa. No mesmo dia pedimos demissão e enviamos uma carta ao mercado comunicando nossa "não concordância com os objetivos da nova direção comercial daquele veículo".
Nunca escrevi nada sobre este caso. Mas 23 anos não foram suficientes para que eu anistiasse o jornal, que até hoje se diz vítima da ditadura militar, mas não soube agir dignamente neste pequeno momento da sua própria história.
Tá bem, nem todos. Mas boa parte. Será problema das secretárias? Em São Paulo, eu deixo recado para o Roberto Duailibi, um dos monstros da propaganda brasileira, e ele retorna a ligação. Ligo para o Eugênio Mohallen, monstro da nova geração, ele retorna. O Mauro Salles, outro monstro, se orgulhava de dizer que jamais deixava de atender quem quer que fosse.
Aqui, as reuniões nunca findam.
E antes que você, leitor sacana, pense em escrever um comentário anônimo aí embaixo dizendo "eles não querem é te atender, Marcio", fique sabendo que não sou o único a me queixar disso.
Não é de hoje que ouço profissionais de veículo reclamando que não conseguem ser atendidos por mídias cariocas. E profissionais de produtoras lamentando que não conseguem mostrar portfólios para os produtores de RTV do Rio.
Já ouvi do dono de uma produtora o seguinte comentário, literalmente: "você liga para um diretor de criação em São Paulo para mostrar o rolo de um novo diretor que você contratou, o sujeito marca hora e te atende. Pode pegar uma ponte-aérea que vai dar tudo certo. No Rio, se finalmente você consegue ser atendido, até parece que eles estão te fazendo favor em conhecer mais uma opção do mercado".
Prezados coleguinhas cariocas, lembrem-se que o mercado dá voltas. Quem se acha hoje na posição de não retornar ligação, amanhã pode estar num emprego que precise ser atendido.
Ensinar a secretária a anotar recados e dar retorno não é só prova de profissionalismo, não. É também de educação e grandeza de espírito.
Não satisfeita em embaralhar a ordem dos episódios de seus seriados, a Sony conseguiu desta vez embaralhar o próprio episódio. No sexto capítulo do reality show "America's Next Top Model" desta quinta-feira, 17 de julho, o bloco principal do programa -- em que as aspirantes a modelos fazem sua seção de fotos -- foi cortado da exibição, e os bloco final, da eliminação das meninas junto ao júri FOI EXIBIDO DUAS VEZES!!!!!
Não é sensacional? O que será que ainda falta a Sony inventar para desrespeitar o espectador?
Deve ser com a técnica do uni-duni-tê que os programadores de tv a cabo escolhem os episódios que vão colocar no ar em suas intermináveis reprises.
A moderna filosofia do "foda-se o espectador", que há tempos é praticada pela Sony Entertainment Television, também começou a ser adotada pela Universal Channel, o que nos deixa até curiosos se esta emissora conseguiu comprar o passe do mesmo gênio que vinha embaralhando todos os seriados da canal 49 da Net, provavelmente com o intuito de ajudar a emissora a ser notícia no jornal O Globo. O fato de a notícia ser tomando cacete na coluna do Xexéo não faz diferença. Afinal, como diz quem quer aparecer, "falem bem ou mal, mas falem de mim".
Tentem acompanhar as reprises da série House para ver do que estou falando. Um dia entra um episódio de uma temporada, no dia seguinte de outra. No outro, volta a temporada anterior e por assim vai.
Os americanos passaram décadas desenvolvendo técnicas sofisticadas de roteirização para manter o espectador preso às suas séries de televisão. Em menos de 20 anos de TV a cabo no Brasil, os brasileiros conseguimos bagunçar tudo.

Carioca que já gosta de ir aos centros culturais da região da Rua Primeiro de Março agora tem mais um programa que vale a pena: o Centro Cultural da Justiça Eleitoral, um prédio precioso de 1892 (na esquina da Rua do Rosário) que está sendo reformado, mas já abriga uma boa exposição de arte de pintores contemporâneos brasileiros em seu primeiro andar.
Ex-sede do Supremo Tribunal Federal, virou sede do TSE e, depois, do TRE-RJ. Repleto de pinturas que agora serão restauradas, o prédio ficou fechado -- e deteriorando -- por 20 anos, sendo utilizado como depósito de urnas eleitorais.
Somando o CCJE ao Paço Imperial, ao Centro Cultural Banco do Brasil, ao Centro Cultural dos Correios e a Casa França-Brasil, a região é indispensável ao carioca que diga gostar de cultura.
Aliás, imperdível também é a exposição "Mulheres Reais – Modas e Modos no Rio de Dom João VI", que está na França-Brasil até 6 de julho. Uma superproduzida mostra de figurinos da época de 1808 que nada fica a dever às mostras que estamos acostumados a ver em Nova York, Londres ou Paris. Até modelo vivo dentro de uma das instalações eu vi este fim-de-semana.


