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Padilha é emérito freqüentador das boas mesas, cadeiras, banquinhos e calçadas da boemia carioca.  
 

Categoria: Happy hour

06.02.07

A TV do Botequim entra no ar!

O Botequim do Padilha está começando uma nova fase.

A partir de agora, além de encontrar com o nosso comentarista gastronômico José Raimundo Padilha através dos seus textos brilhantes sobre o que há de melhor no circuito de bares e restaurantes do Rio de Janeiro -- e, algumas vezes, do mundo -- o leitor também vai ter a oportunidade de dividir a mesa com ele, em vídeos de dar água na boca, disponíveis aqui no site e no YouTube.

Para começar, a TV do Botequim do Padilha revisitou o Pavão Azul, tradicional bar-restaurante de Copacabana que serve -- o Padilha garante --, a melhor patanisca do Brasil.

Divirtam-se. E bom apetite.

Marcio Ehrlich
Editor

por marcioehrlich às 19:10:45
5 comentários | Happy hour

16.10.06

Descrever o Miam Miam é tarefa difícil. Seria mistura de bar descolado com restaurante fashion? Ou blended de restaurante trendy com lounge bar? Você decide. O fato é que o lugar esbanja bom gosto e surpreende pela modernidade. A começar pelo imóvel, um casarão de 1890, tombado pelo Patrimônio Histórico e decorado com mobília original dos anos 50, 60 e 70. Além de obras de arte, como os ursinhos prateados do artista plástico Richard Gallo, que já estiveram na Bienal de São Paulo. Detalhe: a casa foi residência da avó da proprietária, a chef Roberta Ciasca, que largou a carreira de marketing pelas panelas da escola francesa Le Cordon Bleu.

O amplo salão de pé-direito altíssimo é dividido em dois ambientes. Logo na entrada, de frente para a rua, fica um confortável lounge com sofás, poltronas e mesinhas de centro, onde você pode se esparramar com amigos e apreciar os drinks e aperitivos que fazem sucesso por lá. Minha dica é o mojito, muito bem preparado, com vodka Absolut. Ou ainda a estimulante caipivodka de uva com gengibre. Para acompanhar, peça os famosos rolinhos de rosbife com parmesão e rúcula. Ou as bolinhas de soja com molho de iogurte e hortelã. Opções light e bem saborosas. Tem também um vatapazinho (é assim mesmo que se escreve) aperitivo, para ser comido sobre pequenos discos de tapioca, como um canapé.

Atrás do lounge ficam as mesas do restaurante, todas com pé palito, tampo de fórmica e acabamento em alumínio, típicas das cozinhas brasileiras. Outro requinte do Miam Miam é que todos os móveis estão à venda, por conta de parceria com a loja de antigüidades Hully Gully. Gostou da poltrona? É só pedir que mandam entregar na sua casa. Tem até um cardápio de mobília, com a descrição dos móveis e seus respectivos preços. Mas fique tranqüilo, a comida é bem menos salgada.

A comida é outro diferencial do Miam Miam (que, em francês, significa nham-nham). A cozinha da chef Roberta faz comfort food, que é a tradução dos antigos sabores caseiros para a alta culinária moderna dos restaurantes. Segundo ela, uma “leitura sofisticada de ingredientes simples”. Meu prato favorito, e de uma legião de fãs, é a moqueca de peixe e camarão ao curry com arroz de coco, que vem numa tigela. Um espetáculo. Eu recomendo já com água na boca. E para encerrar, se quiser sobremesa, experimente o crepe de goiaba com calda de queijo.

Você pode ir ao Miam Miam apenas para beber e beliscar no lounge, ou ir só para jantar. O legal é fazer os dois. Se instale no lounge, peça uma bebida e uma entradinha. Assim você ganha tempo para escolher calmamente o que vai jantar em seguida. Combine com o garçon para ele aprontar uma mesa e chamar você quando o prato for servido.

Miam Miam
Rua Góes Monteiro, 34
Botafogo – Rio de Janeiro
(21) 2244-0125


11.10.06

Astor

Chegou a vez de falar de São Paulo aqui no Botequim. Sim, porque foi-se o tempo em que a Terra da Garoa parecia perder para a supremacia inquestionável dos bares cariocas. Digo “parecia” porque São Paulo sempre teve bares tradicionalíssimos, como Bar Leo, Pandoro, Amigo Leal, Bar Brahma. E cresceu muito nesta área. Importou a decoração e o astral dos botequins cariocas, melhorou o chopp, diversificou o cardápio, caprichou na higiene e colocou manobristas na porta. O resultado foram bares com menos de 10 anos, que já abriram como clássicos: Posto 6, Filial, Genésio, Salve Jorge.

O maior exemplo é o Astor, na Vila Madalena. Sucesso criado por 5 amigos que haviam aberto antes os imbatíveis Original e Pirajá, precursores da tendência paulista de bares com cara de botequins cariocas da década de 50. No Astor, eles se superaram. Nenhum detalhe foi esquecido para fazer você se sentir no melhor bar da sua vida. A começar pela alma do botequim: os garçons. Todos são descoladíssimos e formam uma seleção tão entrosada que até os reservas são, no mínimo, como aqueles garçons que todo mundo conhece pelo nome.

Na decoração, piso hidráulico, vidro bisotado, cartazes lambe-lambe, réplicas de luminárias antigas e um balcão de madeira maciça talhada e mármore, que foi trazido diretamente de um antiquário nos Estados Unidos. Há dois salões, um amplo no térreo, e um menor no andar de baixo, onde ficam os banheiros, sempre impecáveis. Até quando vai tirar água do joelho, o sujeito tem som ambiente. Sem falar dos monitores de plasma, que entretêm os clientes com mensagens dos patrocinadores.

Mas este parque temático para boemios não estaria completo sem uma cozinha de primeira qualidade. E não tem o que se peça no Astor que não seja, no mínimo, excelente. Para petisco, os campeões são os deliciosos bolinhos de arroz e os surpreendentes croquetes de mortadela. Cerati, claro. Imperdíveis. No quesito sanduíches, o filé com queijo Palmira quente é ótimo. Se a fome apertar, meu favorito é o picadinho Astor, com arroz, feijão, farofa, pastel, ovo poché e banana à milaneza.

Acompanhando tudo, o insuperável chopp Brahma da casa, considerado o melhor de São Paulo há anos. Do jeito que os paulistas mais gostam: espuma densa e branca por cima de um líquido dourado e cristalino, estupidamente gelado.

Pois é, meu amigo. São Paulo pode não ter praia. Mas tem o Astor.

Astor
Rua Delfina, 163
Vila Madalena – São Paulo
(11) 3815-1364


30.09.06

Bar Mofo

Quem me deu essa dica foi um amigo jornalista, editor da Martins Fontes, nascido em Belém e recém chegado de 16 anos vividos em Portugal. Combinamos de ir lá e furamos tantas vezes que eu acabei indo sem ele pela primeira vez, depois do vernissage do Anish Kapoor no CCBB.

O lugar tem seu charme. Um pequeno bar, aberto faz pouco tempo, na Barão do Flamengo, mais perto da praia do que do Largo do Machado. Poucas mesas dispostas em um salão de pé direito alto, dominado por uma foto enorme da orla do Flamengo antes do aterro. Do lado de fora, na calçada, mesas e bancos altos, de 2 lugares.

O som contribui para impregnar o Bar Mofo com uma aura de nostalgia carioca. Choros, sambas e canções de outros tempos, em que brilhavam astros como Dick Farney, Orlando Silva, Francisco Alves, Cartola, Noel Rosa e Carmem Miranda, entre tantos.

O chopp é ótimo, bem tirado e em boa temperatura. Mas o diferencial são mesmo as caipirinhas. Feitas de saquê, vodca ou cachaça. Você escolhe. São 7 sabores: graviola, abacaxi com hortelã, uva com manjericão, goiaba com requeijão, fruta-do-conde, melancia com hortelã e morango com gengibre. O mais legal é que no Bar Mofo você pode optar por um Mix de todos esses sabores, que vêm juntos numa tábua, em copinhos de 100ml.

Para beliscar, uma novidade nesse tipo de bar informal (apesar da óbvia informalidade): espetinhos diversos. Pedi um inusitado espetinho de kafta do qual não me arrependi. São 20 sabores, como este que aparece aí na foto. Tem também pastel, inclusive doce, raro de se encontrar em bares. Ideal para curar laricas noturnas.

Bom, está dada a dica. Agora desenferruja, levanta dessa cadeira e vai tirar o bolor no Bar Mofo. Eu recomendo.

Bar Mofo
Rua Barão do Flamengo, 35
Flamengo – Rio de Janeiro
(21) 2179-8284


17.09.06

Ovelha Negra

O lugar perfeito para um happy hour bem animado é a primeira filial no Rio do Ovelha Negra. Um bar de Porto Alegre, pioneiro no Brasil em só vender champagne – idéia inspirada nos botecos de Barcelona. Você encontra champagnes, vinhos espumantes, prosecos, cavas e moscatéis de todos os tipos, de todas as procedências e de todos os preços. Em taça ou garrafa, que vem para a mesa geladíssima, dentro de um balde com gelo. Também servem água, que é para combater o fogo da galera.

O Ovelha Negra fica num casarão centenário em Botafogo, na rua Bambina, onde já funcionou uma carvoaria e hoje está totalmente preservado. O pé direito é alto, sem forro, deixando o telhado exposto, e as janelas são feitas com grossas pedras de granito. A decoração despojada e moderna do interior acompanha o estilo. Nas duas laterais do salão, várias mesas com bancos no lugar de cadeiras. No centro, um mega mesão coletivo alto serve a vários grupos ao mesmo tempo. No fundo, um balcão bem grande, onde fica o caixa e uma enorme banheira daquelas antigas, com pernas. Dentro da banheira ficam as garrafas enterradas no gelo para serem retiradas facilmente antes de consumidas.

Ovelha Negra

O público que freqüenta o Ovelha Negra é bem eclético. Em geral, um pessoal acima dos 25 anos, que trabalha pra caramba e quer relaxar curtindo um happy hour longe dos botecos onde só se encontra chopp e cerveja. A exclusividade da champagne dá uma selecionada no ambiente, que é sempre muito agradável. Gente bonita de todas as idades. Pessoas alegres e felizes sob o efeito de suas taças borbulhantes. Pelo estilo da bebida, o lugar é o preferido do público feminino, que chega em bandos. Ela amam champagne!

Infelizmente, só abre de segunda à sexta das 17hs às 23hs. Se você já tiver entrado, ótimo, dá para ficar até depois da meia-noite. Caso contrário, às onze em ponto eles fecham a porta e ninguém mais entra.

Uma dica matadora para pedir, e rezar para que eles tenham, é o cava (espumante catalão) Codorníu Pinot Noir brut. O primeiro cava rosé espanhol todo feito com uva pinot noir. Sabor espetacular! Vale a pena.

Para não ficar bebendo de barriga vazia, eles servem comidinhas leves como sanduíches e tábuas de frios e queijos.

Mas fique atento: muita gente chama o Ovelha Negra de champanheria, o que não está de todo errado, mas tome cuidado para não confundir com o “Xampanheria”, bar de Impanema. Que igualmente só serve champagne, mas é freqëntado por outra tribo, mais “comportada”.

Ovelha Negra
Rua Bambina, 120
(21) 2226-1064
Botafogo – Rio de Janeiro


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