• Cofre vazio impede a Prefeitura do Rio de fazer publicidade

    Eduardo Paes

    Neste 1º de abril, completa três meses a nova gestão de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio.
    Nos três meses, toda a comunicação municipal foi produzida internamente pela área digital da Coordenadoria Especial de Comunicação Institucional, vinculada à Secretaria Municipal de Governo e Integridade Pública, e que tem Alfredo Junqueira como coordenador.

    Nada saiu pelas agências Cálix, E3 e Nacional, contratadas pela Prefeitura em maio de 2020, como vencedoras da última concorrência. Na verdade, elas ainda não tiveram a oportunidade de se reunir com as autoridades municipais para receber briefing ou relatar o que fizeram durante o Governo Crivella.

    Segundo publicação do Diário Oficial do Município, a verba prevista para comunicação no primeiro bimestre do ano era de R$ 15.987.922,00. No entanto, o relatório registra o gasto de apenas R$ 143.431,00 para a área.

    A Prefeitura chegou a colocar publicidade nos relógios da Clear Channel, dentro da campanha contra a Covid-19, mas como parte do espaço gratuito a que o município tem direito pela concessão dos OOHs em área pública.

    Para fazer um balanço deste primeiro trimestre de Eduardo Paes na área de Comunicação, a Janela enviou um questionário à Coordenadoria de Comunicação Institucional, e que foi respondido pela assessoria de imprensa.

    Janela Publicitária – Por que, nestes três meses desde a posse, a área de comunicação da Prefeitura não chegou a convocar nenhuma de suas agências contratadas — Cálix, E3 e Nacional — para se apresentarem ou mesmo para que fossem informadas sobre o que o governo municipal esperaria delas?

    Prefeitura do Rio – Porque a atual administração da Prefeitura do Rio de Janeiro se deparou com um quadro de completa devastação nas contas do município nos primeiros dias de janeiro. O 13º salário do funcionalismo não foi pago pela gestão anterior e não havia recursos em caixa para quitar a folha de pagamento de dezembro, por exemplo. Além disso, estamos vivendo a maior crise da nossa geração com a pandemia da Covid-19. Não havia e ainda não há, portanto, qualquer previsão de investimento em publicidade. Precisamos focar no que é prioritário.

    JP – O contrato com as agências, assinado em 08/05/2020, já está se encerrando. Haverá renovação, a Prefeitura ficará sem agência de publicidade ou convocará uma nova licitação?

    PR – Todas as questões relacionadas ao contrato com as agências de publicidade ainda estão em análise.

    JP – Pelo contrato que a Prefeitura fez com as três agências, a verba, para o primeiro ano, era de R$ 18,75 milhões para cada uma. Este valor foi integralmente utilizado?

    PR – Todos as despesas com contratos públicos estão disponíveis no Portal de Transparência do Município do Rio de Janeiro.

    JP – Várias capitais brasileiras estão com campanhas na mídia tradicional – TV, rádio, imprensa, OOH — estimulando a população a se vacinar e a seguir os cuidados tradicionais quanto à pandemia. Por que a Prefeitura do Rio preferiu concentrar a sua comunicação apenas na mídia digital e nos DOOH de mídia gratuita?

    PR – A Prefeitura do Rio optou por concentrar esforços em campanhas digitais por causa da capilaridade das redes sociais e da facilidade de produção de conteúdo. Desta forma, conseguimos concentrar os recursos em setores mais críticos, como Saúde e Educação, por exemplo, além de aproveitar a capacidade orgânica de disseminação das redes.

    Mesmo sem impulsionamento publicitário, as contas institucionais da Prefeitura do Rio obtiveram audiência significativa com conteúdos sobre o combate à pandemia.

    Vale destacar que a decisão de focar nas redes sociais vem rendendo frutos. A Prefeitura do Rio tem hoje, nas quatro plataformas somadas, alcance potencial de 1,3 milhão de perfis, aumento de 13% frente a 31 de dezembro de 2020, sem investimento em impulsionamentos.

    JP – Como a atual gestão de secretaria vê a colaboração que agências de publicidade podem dar para a comunicação da Prefeitura no futuro?

    PR – Não questionamos a capacidade de atendimento das agências de publicidade. Mas ainda não é possível estabelecer como, ou quando, poderemos contar com elas.

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    Tupi na TV.

    Marcio Ehrlich

    Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.

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