Janela Publicitária    
 
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Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 20/DEZ/1991
Marcio Ehrlich

 

Esta edição da Janela Publicitária foi publicada originalmente no jornal Monitor Mercantil.
O seu conteúdo foi escaneado e transcrito para ficar à disposição de consultas pela internet.

Gabinete Civil de Brizola mantém as desqualificações

Não deu pra ninguém.
O Chefe do Gabinete Civil do Governo Brizola, Carlos Roberto de Siqueira Castro, acatou todos os vetos que a Comissão de Licitação emitiu contra os recursos apresentados por 17 das agências de propaganda desclassificadas na concorrência pela conta publicitária do Estado do Rio de Janeiro.
A decisão de Siqueira foi publicada esta quinta-feira no Diário Oficial do Estado, não só respondendo diretamente às alegações de cada uma das reclamantes como, muitas vezes, passando-lhes descomposturas.
Para a Zapt, por exemplo, o Chefe do Gabinete Civil diz que, se ela "desconheceu ou confundiu o que é letra expressa na Lei 4.680 (...) não pode imputar à Administração Pública o que é fruto de sua própria desatenção, por mais prejudicial aos seus interesses que isto venha a ser".
A Recall foi aquinhoada com a observação de que "a única dúvida que persiste é se a falta de um mínimo entre as razões alegadas (pela agência) é, efetivamente, produto de descuido".
Para a Altermark, Siqueira aponta que se a agência estava convencida da ilegalidade e da inconstitucionalidade do Edital, não devia "ter a elas emprestado a sua concordância expressa", nem mesmo abdicado do direito de denunciar o fato. E castiga: "se não o fez, e levanta, após a declaração de sua inabilitação, (...) exibe tal recurso o estigma da interpretação em causa própria da Lei Magna".
Enfim, foi uma lavada e tanto nas agências, em um campo no qual elas tradicionalmente são mais frágeis: o jurídico.
As agências brasileiras - acredito que não seja diferente em outros países - fortalecem-se basicamente na sua área operacional, já que seu produto principal é a boa e bem planejada criação publicitária. Assessoria jurídica é coisa recente, e voltada só para o novo código do consumidor.
Só que as licitações governamentais estão na ordem do dia de toda a imprensa brasileira, e quem não seguir rigorosamente as vírgulas da legislação - por mais absurda que nos possa parecer tanta burocracia - com certeza vai dar com os burros n'água. Seja a agência premiada em Cannes ou não.
A prova está em que o pessoal da Licitação do Estado até agora pouco ligou para a fama e o portfólio de quem estava concorrendo. Tratou como relapsas na área de documentos desde as maiores agências brasileiras - a MPM e a DPZ - até agências de curtíssima vida, como Manhattan e Positiva.
Siqueira Castro, inclusive, pelo seu texto, deixa claro que deveria ser obrigação das agências conhecerem profundamente a legislação brasileira que trata das prestações de serviço de empresas privadas para órgãos de governo. E mais, de quais são as diferenças que existem entre as interpretações federais e as estaduais.
Agora, segundo a assessoria de divulgação do Palácio Guanabara, a Comissão de Licitação deverá publicar, na próxima semana, no Diário Oficial, o aviso da data de abertura das pastas com as propostas das 17 agências classificadas.
E claro que, pelo andar da carruagem, antes de janeiro ninguém saberá quem fará ou não a propaganda de Brizola.
Às agências desqualificadas só resta lamentar estes paradoxos da relação com o governo.
Nada de novo, porém. Se fosse na área federal, Collor provavelmente diria que, se as agências não têm competência para participar de concorrências, que virem pintoras de cartazes de botequim...

Diretor da Shell recebe diploma como Homem de Marketing do Rio

Um almoço no Centro Empresarial Rio, esta quarta-feira, marcou a entrega do prêmio de Homem de Marketing 91 do Rio de Janeiro para o diretor de marketing da Shell, Pieter Jacobus Franciscus Vader.
O prêmio é promovido pela revista Marketing há mais de 10 anos e seleciona os profissionais do setor que se destacaram nos principais mercados brasileiros.
Entre as realizações da gestão de Pieter na Shell - que ajudaram a colocar o Brasil como segundo mercado mundial da empresa - estão o programa Clube Irmão Caminhoneiro Shell e a ampliação da promoção do Shell Responde para 4.300 postos desta bandeira em todo o país. Sem falar que apoiou o projeto de recuperação do Cristo no Corcovado, junto à Rede Globo.
Na entrega do diploma a Pieter Vader, um dos destaques esteve por conta do discurso de Armando Ferrentini, presidente da Editora Referência (responsável pela revista Marketing) e presidente da Abracomp-Associação Brasileira dos Colunistas de Marketing e Propaganda, posicionando-se publicamente em relação às críticas que os empresários brasileiros vêm recebendo do presidente Collor.
Anúncio publicado na edição impressa do Monitor, ao lado da Janela Publicitária
Ao relacionar os méritos do homenageado, Armando aproveitou para defender a importância do marketing, lembrando que "não há saída sem ele".
Armando abriu seu discurso citando que "quando a mais alta autoridade do País volta-se contra os empresários e os atinge duramente, a revista Marketing sente-se orgulhosa em entregar a um empresário e executivo, mais um título de Homem de Marketing, desta vez relativa a este duro ano de 91, que parece já estar com 24 meses de duração".
O presidente da Abracomp garantiu que "gostaríamos que essa entrega fosse feita também aos Melhores Homens de Governo deste País, mas esta é uma tarefa sobrenatural”. “Nosso júri poderia refletir semanas a fio sobre quem seriam os escolhidos, sem provavelmente chegar a nome algum.”
No entanto, alertou, "todos sabemos como é difícil ser fiel a esse ferramental de marketing hoje em nosso País, tantas são as incertezas e tamanha a miséria que se espalhou sobre todo o território nacional, em boa parte devido ao desvio de verbas governamentais, ao pouco caso que os sucessivos governos fizeram da saúde e da educação do nosso povo e ao carreirismo político, numa profissão que o preço do fracasso, ao invés de uma concordata, pode ser a nomeação para um alto cargo público com polpudos vencimentos”.
Para finalizar, Ferrentini sugeriu que os esforços de Pieter Vader merecem ser analisados "por todos os que desejam conhecer melhor do que o marketing é capaz, além de simples inscrições em camisetas dominicais", referindo-se ao prosaico hábito do presidente Collor.