Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 
A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes, com o apoio da GiovanniFCB em 2006.

 

23 de junho de 2006, sexta-feira

VIVA O GORDO!
E não é que o Ronaldo comeu a bola ontem? Na verdade ele não jogou tanto assim, foi só para fazer o trocadilho. Quem comeu - e principalmente, bebeu - muito ontem foram os 4 milhões e meio de publicitários que encheram o lounge do portal Terra no hotel Majestic, em Cannes. Uma festa, meus amigos, regada. Regada à champagne, claro.
A galera, como eu disse, compareceu à altura do Fenômeno, ou seja, em peso.
E fez uma festança para comemorar esta que foi a primeira grande alegria que o Zico deu ao escrete canarinho.
Zico foi durante os 90 minutos o alvo das chacotas de boa parte do público. Ou pelo menos a parte que fazia mais barulho, encabeçada pela dupla de ataque Álvaro Rodrigues e Luis Cláudio Salvestroni, da Agência3. Era só aparecer o galinho que eles puxavam: Vaaaaaaaaaascooooo! Quem não era cruzmaltino, vaiava o ex-rubro-negro do mesmo jeito.
Carlos "Dedé" Eyer, tricolor que reclamava que o Lenny tinha vaga no lugar do Ricardinho na seleção, levou uma mãozona inflável e tentava se livrar dos vascaínos aplicando um "pedala". Mas acabou sobrando para Pedro Prado, o "Papito" que não tinha nada com isso.
Ronaldo também foi homenageado pela galera. Assim que saiu o segundo gol o Majestic se uniu num sonoro coro de: Gooooooordoooooo, Gooooordoooo.
Luiz Nogueira, da McCann, não vestia a camisa 9 do Brasil, mas a 69 que era "assinada" pela cerveja Devassa, sua cliente.
Antônio Carlos Accioly, da Margarida Filmes, claro, estava lá também. E já não existe festa sem o Accioly, que estava apostando que o Brasil ia ganhar de sete. Se bem, para muita gente na festa, depois de alguns gorós, já devia estar vendo dobrado e achando que o Brasil não meteu 4, mas oito.
Os jornalistas brasileiros, enfim, relaxaram um pouco. Marcelo Queiroz, Laís Prado, Armando Ferrentini e Adonis Alonso estavam lá comemorando. O Paulo Macedo, do Propaganda e Marketing é que saiu antes do final porque ia descobrir antes de todo mundo quem ia ganhar leão no festival de 2018, já que o de 2006 ele já sabia desde o ano retrasado.
Parabéns ao pessoal do Terra pelo golaço. Foi o evento mais bacana de Cannes até agora.

Confira aí nas fotos essas e outras figurinhas carimbadas da Copa aqui em Cannes.

Cariocas do Rio e de São Paulo se reencontram.

João Daniel, Ehr Ray e Fernando Campos

Guilherme Jahara

Alê Braga

Luiz Vieira

Emmanuel e seus Youngs

Luiz Nogueira faz 69 em público

Accioly quer dizer o quê?

Waitermann dá uma de Galvão.

O susto do gol do Japão.

É gooool!!

É gooool de novo!!

Armando Ferrentini

Adonis Alonso

Marcello Queiroz

Salvestroni, Alvinho e Mauro Mattos

Pedro pedalado pela mãozinha de Dedé
           

PLANTÃO DA MADRUGADA
Shots PartyDeu borogodó na festa da Shots, revista inglesa que detém os direitos do Festival de Cannes. Com um overbooking nos convites, quem chegava depois dos jogos da Copa, simplesmente não conseguia entrar no rega-bofe, tinha que esperar alguém sair. A fila de espera durava mais de uma hora. Resultado?
Empurra, empurra, reclamação e o clima da festa, pelo que se via do calçadão ainda estava bem Amaury Jr. Era só o que faltava: nas festas que eu TENHO convite, não consigo entrar.

OLHA O PASSARINHO
Câmera da Maria Bonita FilmesMuito legal a idéia da Maria Bonita Filmes. Deram uma câmera descartável para a galera que está no festival registrar os melhores momentos do festival. No final, cada um escreve o seu contato na câmera e manda para a produtora revelar. As fotos mais criativas ganham prêmios bem batutas. O problema é que, segundo o que me contaram, uns gaiatos pegaram as câmeras dos colegas e resolveram clicar lampréias, manjubas, ouriços, cabides de lula e outros nomes da fauna marinha que fazem alusão às genitálias. Entre outras coisas.

O LONGO SHORT LIST
Me lembro que na primeira vez que vim a Cannes, em 2000, o short list de filmes durou pouco mais de 5h ou 5h30. Hoje, 6 anos depois, durou 9.
Se continuar assim, não demora muito e já vamos ter o short list dividido em 2 dias.
A fila para entrar no short-listA lista, de uma maneira geral, estava média, mas deu para ter uma idéia de que quando saírem oficialmente os leões, vamos ter um material bom. Alguns filmes, assim como alguns anúncios e outdoors que Cannes também premiou, estão com um raciocínio tão sofisticado que muita gente não pegou.
Um amigo meu disse que no próximo festival, para o short list de Press & Outdoor, o festival deveria fornecer aqueles audioguides que dão nos museus, para irmos escutando sobre o que se tratam as obras. Tem peças aqui que duvido muito que o público-alvo entenda. (N.R.: E desde quando o público-alvo vê essas peças, Fabio??? Tolinho... M.E.)
Em filme, uma campanha para um site de DVDs ingleses, por exemplo, mostrava duas vacas durante 5 segundos e assinava. FiveDVD.com. Depois mostrava uns porcos, mesma coisa. E por aí vai.
A exibição, como tudo em Cannes este ano, teve clima de Copa. Os argentinos, que trouxeram uma delegação enorme, torciam para os filmes de seu país e aproveitavam para vaiar toda vez que aparecia algum filme que fizesse menção ao futebol do Brasil. E não foram poucos: Ronaldinho, Pelé e Kaká apareceram bastante na tela. Do lado portenho, Riquelme e Leo Messi estavam toda hora.
A disputa entre Brasil e Argentina também era apertada no número de finalistas. 21 para o Brasil e 24 (hmmm...24, ui ui ui) para os discípulos de Maradona.
Falando nele, o comercial da Duda para o Guaraná Antarctica foi um dos mais aplaudidos entre os filmes brazucas. Na noite anterior, os criativos que assistiam o jogo do Brasil também torciam pelo filme, mas tinham dúvidas se os jurados entenderiam o espírito da coisa. Pelo menos os delegados parece que pegaram.
Outro filme muito aplaudido do Brasil foi o Ilusão de Ótica, da Lew, Lara para o consumo responsável da Schincariol. Uma placa de trânsito muda de sentido quando na frente dela é colocado um copo de cerveja. Simplicidade brasileira daquelas que pega na veia.
Mas há que se reconhecer que os argentinos estão, não é de hoje, com uma mão excelente para filmes. O que gera uma dúvida: porque o mercado brasileiro, muito mais forte, não está conseguindo se sobressair nesta área no nosso continente?
Um dos momentos mais...pitorescos do short list, inclusive, veio de Buenos Aires. Um filme da revista especializada LatinSpots apresentado por uma marionete e que defendia a criatividade, objetividade e o baixo custo de produção dos latinos.
A curiosidade foi que eles assumiram que o filme tinha sido criado para Cannes e se defendiam usando a alínea A4 do regulamento.
A tal marionete dava detalhes da vida pessoal de alguns jurados e diziam que se quisessem falar com eles fora dali seria impossível. Por isso, eles, que entendiam de eficácia de comunicação e criatividade estavam ali para dar o recado diretamente para quem interessava. E gastando pouco. Parece que deu certo.
Havia outros raciocínios novos. A TBWA NY por exemplo, para vender os salgadinhos Combo Pretzels criou um chefe de família meio drag queen que cuidava dos filhos fazendo tudo que uma mãe de verdade condenaria. Se um dos meninos se queixava de febre, a “mãe” mandava o moleque parar de frescura, que aquilo era fome e por isso ele podia comer o resto do salgadinho que sobrou. O conceito é: “O que sua mãe daria para você comer, se ela fosse homem.”
Mas como filme é para se ver não é para se explicar, fiz um apanhado do que tinha no You Tube e foi muito aplaudido aqui. Confira os links e veja se você concorda ou não com o público. Não inclui de novo, claro, os que eu havia apontado como favoritos ontem. No domingo eu volto contando como foi a festa de premiação.
PS: Queria agradecer a Marise Araújo (Blue Bus), ao Marcio Machado (Venus Publicidade), ao Romário e ao Clube de Regatas Vascão da Gama. Graças a eles, vou receber uma camisa oficial autografada pelo Romário, em retribuição a homenagem que fiz a ele e ao meu time aqui em Cannes quando fui receber o troféu do campeonato de futebol de praia. Muito, mas muito obrigado mesmo!!!

CONFIRA ALGUNS DOS FILMES PREFERIDOS PELO PÚBLICO EM CANNES:
Lowe London / Stella Artois:
Y&R Melbourne/ Fosters:
Ogilvy Argentina/ Sprite:
Gallegos USA/ Energizer:
Lowe Sydney/ Lynx:
Lowe Johannesburg/ Axe:
Wieden+Kennedy/ Nike:
180 Amsterdam/ Adidas:
Hakuhodo Tokyo/ Toyota:
Fallon London/ Sony (aplaudido do início ao fim):
Leo Burnett Sidney/ McDonalds:
Del Campo Saatchi/ Buenos Aires Zoo:
BBDO NY/ Fedex:


As Notícias do Dia
por Marcio Ehrlich

Festival afinal aborta o Leão da Ipas

Um dia depois da entrega dos prêmios de Press e da publicação dos resultados no Lions Daily e no site oficial da premiação, a organização do Festival de Cannes decidiu acatar a reivindicação da agência Giovanni FCB de cancelar a campanha inscrita em seu nome para a ONG Ipas e que defendia o aborto.
Relembrando a história: segundo a diretoria da Giovanni FCB, a campanha foi criada e inscrita por profissionais que não participam mais da equipe da agência -- entre os quais Fernando Campos, que deixou a direção de criação da Giovanni São Paulo para abrir a agência Santa Clara -- e seu conteúdo não é endossado pela empresa, além de o cliente jamais ter sido considerado oficialmente na sua carteira.
Com o cancelamento oficial, o Brasil passa a contabilizar 26 Leões até agora em Cannes 2006: 5 em Press, 9 em Cyber, 4 em Outdoor, 6 em Radio, 1 em Media e 1 em Direct.

Em tempo: alguém aí viu essa campanha publicada em algum lugar?

"Vida Real" garante a presença do Rio em Cannes

Ganhe ou não um Leão em Cannes, a campanha "Vida Real", criada pela NBS e produzida pela Conspiração para a Telemar já entrou para a história do festival ao garantir a sua presença no shortlist do Films Lions, sendo o único representante do Rio de Janeiro em todo o concurso deste ano.
Filmada com linguagem de um documentário -- com o próprio diretor Breno Silveira ("Dois Filhos de Francisco") empunhando uma 35mm e dois outros câmeras registrando com 16mm --, a campanha contou com três filmes (mais um foi produzido mas não veiculado) com a duração de 90" sem uma cena sequer ensaiada. Em todos eles, a produção mostrava a atriz Dira Paes acompanhando uma pessoa que era reunida à sua família distante, com a qual não mantinha contato há muitos anos. O objetivo era lembrar, através da emoção, que o 31 não podia fazer isso por todas as pessoas mas podia aproximá-las por telefone, graças às suas tarifas.
A emoção, aliás, esteve presente durante toda a produção da campanha, pelo que conta Andrea Metzker, diretora de RTV da NBS e que acompanhou as filmagens. Afinal, apenas a personagem principal sabia que o encontro iria acontecer e, ainda assim, sem imaginar qual seria a reação da sua família. Andrea conta que "no filme da Cris (imagens ao lado), quando ela finalmente se encontrou com o pai depois de uma longa viagem que chegou a envolver até a locação de um monomotor, ninguém da equipe resistiu e acabou desabando. O André Lima chorava, Dira Paes chorava, eu chorava e até o Breno, na câmera, chorou também".
A campanha foi veiculada entre maio e junho de 2005 com as versões completas em cinema e tv a cabo e com versões de 60" e 30" na tv aberta. Na ficha técnica estão ainda André Lima, Rynaldo Gondim e Pedro Feyer (redação); José Luis Vaz (direção de arte); Antonino Brandão, Aline Pimenta e Ana Laura Beckert (atendimento); e Alberto Blanco e Flávia da Justa (aprovação).

Brasil fecha Cannes 2006 com apenas 3 Film Lions

Pode ser apenas uma enoooorme coincidência, mas este ano de 2006 o Brasil está repetindo em Cannes uma atuação tão fraca quanto teve, pela última vez, em 2002, igualmente um ano de Copa do Mundo.
Com a informação de que o Brasil não conquistou mais do que três Leões no Films Lions (ih, o mesmo número de 2002!) o país termina Cannes 2006 com a marca de 29 Leões, apenas 2 a mais que naquele ano e bem menos que os 43 de 2005.
Em 2002, ao menos havíamos ganho uma Prata e dois Bronzes em filmes. Agora, foram três os Bronzes:
- "Passarinho", da AlmapBBDO para a Gol
- "Pássaro, da FischerAmérica para Neosaldina.
- "Ilusão de Ótica", da Lew Lara para o Grupo Schincariol.
A grande esperança do Brasil, o filme "Pesadelo", da Duda para o Guaraná Antarctica, ficou apenas no shortlist.
Se serve de consolo, em 2002 acabamos conquistando a Copa do Mundo do Futebol. Será uma premonição para este ano?

O redator Fabio Seidl é o enviado (com todo o respeito) especial da Janela em Cannes 2006.