Janela Publicitária    
 
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A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes.
 

26 de junho de 2009, sexta-feira

ENFIM, UM SHORT LIST REALMENTE SHORT


Apenas 260 filmes, cerca de 3h15 de exibição, foi o que restou dos quase 3500 filmes inscritos no festival de Cannes este ano.
É quase a metade do que estávamos acostumados a assistir. E os tais “10% das peças” que normalmente ficam para o shortlist também foram para a Cucuia, este lugar de nome estranho, que ninguém sabe onde fica, mas aproximadamente todas as coisas que desaparecem, como os pés esquerdos das meias e a taça Jules Rimet, vão para lá.
O que se viu nas diversas salas do Palais não chegou a ser animador do ponto de vista criativo.
Mas as peças brasileiras que ficaram são bacanas. Massagista, da BorghiErh/Lowe, do Rato, da DM9DDB e do cachorro-peixe da Almap, por exemplo, agradaram muito o público e tem sido bem comentadas.
A Almap, aliás, que já teria ouro para o “Dogfish”, deve virar o jogo para cima da DM9 e sair daqui como a brasileira mais premiada. Briga boa, a conferir.
A surpresa? A ausência das Sobrancelhas, da Fallon Londres para Cadbury’s apontado como um dos favoritos a disputa pelo GP antes do Festival por muita gente. Nem a shortlist chegou.
E será que temos algo, entre todos os filmes, que mereça muito o GP? Não sei. Não sei nem se vão dar leões a todas as categorias. Mas vamos ver.
Separei alguns filmes gringos que me chamaram a atenção também, vejam aí o que vocês acham.
  Os filmes de 1 segundo de Miller, usados nos intervalos do Superbowl (onde cada segundo custa uma fortuna), aposta fácil de Leão.
Mais cerveja, por favor. “É bom ter amigos”, um dos 21 shots argentinos, da Del Campo para Ambev. Vai um viagrinha? Ajuda a curar um monte de coisas, segundo a campanha da Táxi Canadá.
O surrealismo de Skittles, da TBWA NY já virou tradição em Cannes e parece não esgotar a sua maluquice. Barbadinha: Lift, da Droga5 pra Puma.
O filme do site de empregos Monster, que disputa com o massagista da BorghiEhr. Neve, da DDB Canadá para Midas.
Olha que varejo bacana da francesa HSuresnes para Citroen. Mais festival de cinema, agora um argentino. Criação da TBWA.
Comercial de 15s para o festival de curtas de Toronto, da Doug. Toby & Sheila, ou se preferirem o “cachorro/pato”, da Santo para Arnet. Detale: a agência lançou isso como um vídeo “real” na web.
Sou fã das campanhas da Centraal Beeher criadas pela DDB holandesa. Eis o filme deste ano. Mais barbadas: Dance da Saatchi Londres para T-Mobile.
O que seus pais fazem quando você não está? A Forsman e a Tele2 respondem. Outra: Whodunnit, da WCRS Londres.

Eu juro que procurei no youtube umas coisinhas bizarras que saíram aqui no short, mas não achei. Mas para vocês terem uma ideia, tem um comercial tailandês para um teto anti-calor que um cara arranca a cabeça de uma menina e coloca um milho no lugar pra mostrar como que, com o calor, ela passará a ter uma cabeça de pipoca.
É, como diria o Alborghetti: tem gente que parece que tem pipoca na cabeça...

NA TORCIDA

A torcida brasileira ontem era grande no Caffé Roma, restaurante em frente ao Palais. Pelos resultados que começaram a pipocar nos telefones dos delegados, vindos de fontes fidedignas e pela seleção brasileira que, cá entre nós, não precisava passar esse aperto. Mas estamos na final.
Fico imaginando como teria sido a entrevista do Joel Santana em inglês, se foi tão boa quando as suas anteriores:

CYBER 2010

Recebo por email duas apostas de CyberLions para...o ano que vem.
O site da Toronto Eletronic Utilities Credit Union que pode ser abreviado na sigla www.TEUCU.com
E o da Fundación para Desarollo Urbano, que atende pela abreviação www.FUDEU.org
Criativo. E de verdade.

BOB GELDOF EMOCIONA

O ex-líder da banda Boomtown Rats (mais alguém aí ia pra escola cantando “I Don’t Like Mondays”?) e idealizador do LiveAid levou literalmente, às lágrimas, alguns jornalistas na sua coletiva de imprensa ao falar sobre a situação da pobreza na África. A seguir, fez uma disputada palestra com Kofi Annan sobre o aquecimento global. Mas, pena, a atenção do público estava dividida entre o fim do mundo e os finalistas de Cannes.

CANNES SE DEBATE

Tivemos hoje o Cannes Debate Presents com Martin Sorrell, CEO do grupo WPP conversando com VPs e CEOs globais de grandes anunciantes: como Procter, McDonald’s e Kraft Foods.
E fez a melhor pergunta no final: “O que deixa vocês malucos na relação com suas agências”. Os clientes ficaram meio constrangidos no início, mas soltaram o verbo. Anota aí:
1) A relação em si, que anda cada vez mais impessoal.
2) A falta de feedback, por parte do próprio cliente, que atrapalha o desenvolvimento criativo da agência.
3) A falta de convívio com o mundo lá fora, dos consumidores, porque agências e clientes vivem e trabalham em “silos”.
4) Falta parceria e a elaboração, por parte da agência e de clientes, de briefings criativos e inspiradores.

SPIKE FAZ A COISA CERTA

O cineasta Spike Lee foi o últimos “superstar” a palestrar aqui em Cannes.
Infelizmente, a palestra tinha cinco pessoas para falar, não sei quantos filmes amadores do Youtube pra mostrar, mais uma apresentação institucional da Accenture e...apenas 45 minutos.
Com isso, sobrou ao Spike pouco tempo para falar o que gerou uma certa inquietude dele e do público. Mas lá pelas tantas ele pegou o microfone e roubou a cena.
O tema era o já surrado por aqui “conteúdo gerado pelo usuário”. E Spike foi direto ao ponto. Segundo ele, a melhor coisa desses filmes é que eles nunca escutam um não. Você pode fazer o que quiser. E que, curiosamente, as marcas querem se apropriar disso.
Justo as marcas, diz Spike, que reprovam ideias geniais de suas agências. É o medo que provoca o que ele chamou de opção pelo sabor baunilha, algo que ninguém ama, mas ninguém odeia.
Acrescentou que na internet, aparentemente, existe um grande engajamento, mas também muita falta de técnica e experiência. E isso precisa ser visto pelas marcas.
Fiquei pensando por um outro lado. Nessa velocidade,de geração de conteúdo e, espera-se ferramentas para atender essa demanda de criação de vídeos, fotos e textos na internet, teremos em breve um público consumidor muito mais “criativo” e com a cabeça aberta. Ou seja, é uma esperança para que ideias cada vez melhores sejam aprovadas pelos clientes. Ou estou sendo romântico?
No final, falando sobre talentos e criatividade, citou seu amigo Michael Jackson, morto ontem:
“Ontem perdemos um gigante. Ele teve seus problemas, mas precisamos entender que estávamos diante de um gênio. E gênios, em grande parte, não são normais. Pensem no Mozart, por exemplo. Deus não te dá tanto talento e ao mesmo tempo, normalidade, não é assim que o homem trabalha.”
E fica uma dica: assistam a exclusiva que o Spike deu para o Multishow aqui em Cannes, depois da palestra. Ele só fez isso porque viu que era um canal do Brasil, país que ele adora. Grande trabalho da galera aqui.

JORNALIZANDO

Falando em grande trabalho, é chegada a hora de uma homenagem à maior delegação de imprensa entre todos os países aqui em Cannes (embora a da Índia esse ano tenha vindo forte): os jornalistas brasileiros.
Não consegui tirar fotos de todos porque muitos nem param na sala de imprensa. E alguns já apareceram aqui na Fenêtre ao longo da cobertura.
Mas é só para reconhecer o trabalho desses profissionais que trabalham pra caceta, 24 horas por aqui. Como diria o apresentador e pêlo pubiano com mal formação na raiz, Fausto Silva: esses são fera.
E ainda tem: Adonis Alonso, About, Blue Bus, Portal da Propaganda, Ad News e por aí vai. Sem contar a turma que ficou no Brasil, acordando de madruga para ralar no horário de Cannes.
A todos vocês, parabéns.

João Livi
  A turma do Terra está em todos os lugares, aqui estava entrevistando o João Livi, da Talent.
Alex Lemos Roger Daltrey
Alex Lemos, do Meio & Mensagem. A equipe teve duas bases aqui: uma no Palais, outra no Majestic, onde se hospedam os jurados. Luis Fernando, do Vox News, veio cobrir o evento e ainda conheceu seu ídolo, Roger Daltrey.
Sabrina Parlatore e Marcello Queiroz
Olha aí a equipe do Reclame/Multishow. Sabrina Parlatore, da TV Cultura, entrevista Marcello Queiroz, do Propmark enquanto a equipe atualiza o site.

PRESENTE

Falando em jornalistas, conversa engraçada aqui do meu lado aqui agora. Uma jornalista sérvia fez amizade com uma da Índia. E deu de presente pra ela uma garrafa de uma bebida que parece ser uma cachacinha da terra dela.
Deu a mão, a indiana, bem humorada, pediu o braço.
“Adorei. Mas será que você não poderia me mandar outro presente da Sérvia?”
“O que você quer?”
“O Novak Djokovic, aquele tenista lindo que vocês tem lá!”
“Claro, filha, vai bebendo essa garrafinha e olhando pros homens aí que uma hora você vai encontrar com ele.”

CARTAS

E a galera continua escrevendo.
Mandaram aquele abraço: o Rodolfo Sampaio (que me confundiu com Flamenguista e me preocupou porque se estou dando esta impressão o nível disso aqui deve estar realmente baixo), a Fátima Megale, Malu Miranda (F/Nazca), Karina Rei (Imagina) e o Diogo Patoilo que até abriu até uma resposta no blog dele sobre a pergunta que fiz aqui sobre o que a galera tinha achado do GP de Press: http://12timesnewroman12.blogspot.com
Brigadão, galera!

PARABÉNS

E eu, daqui mando meus parabéns para os amigos queridos Roberto Vilhena, da Mohallem/Artplan e Antonia Zobaran, da F/Nazca, pelo nascimento da sua pequerrucha. Seja bem-vinda, Maria!!

ATÉ

Amanhã eu volto falando sobre o short de Titanium e Integrated. Mas já para vocês ficarem sabendo. Só se fala no case “Melhor emprego do mundo” e no “Emprego mais cascudo do mundo”, que é a campanha presidencial do Obama.

O redator Fabio Seidl é o enviado (com todo o respeito) especial da Janela em Cannes 2009.