Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 

Janela Publicitária - Edição de 26/SET/2009
Marcio Ehrlich

 

Rede faz seu mashup de arte e comunicação

Fernanda Flandoli, Carolina Gimenes e Suzana Apelbaum
Fernanda Flandoli, Carolina Gimenes e Suzana Apelbaum, emolduradas pelo Leblon, onde vão viver a vida da nova agência.
Funcionando desde maio, a Rede, nova agência do Grupo ABC, recebeu a imprensa esta terça-feira para apresentar formalmente a sua estrutura e complementar as notícias que vazaram nas publicações especializadas esta semana. O principal diferencial da Rede, em relação às demais empresas do Grupo ABC (África, DM9, MPM, B\Ferraz, etc) é que ela pretende ter uma estrutura enxuta que vai se dimensionar, para atender às demandas dos clientes, através de um coletivo de consultores externos de áreas como cinema, arte, moda e antropologia, entre muitas outras que surgirão de acordo com seus novos jobs.
Não por acaso, a própria agência está funcionando como uma galeria de arte, que irá trocando de expositores ao longo do tempo. No momento, por exemplo, as paredes da Rede exibem Daniel Feingold, Rubens Gerchman e Gustavo Speridião.
Ao projeto inicial de Carolina Gimenes -- que hoje preside a Rede -- e Fernanda Flandoli -- responsável pelas áreas de Inteligência e Estratégia -- somaram-se nos últimos meses Suzana Apelbaum e Alexandre Santos, que eram diretores da Hello Interactive, agência digital do grupo ABC que foi incorporada pela nova empresa. Suzana entra na Rede como Chief Creative Officer (CCO) e Alexandre como Chief Digital Officer (CDO). Conforme a Janela antecipou, Ricardo Gertrudes será o diretor de criação do escritório carioca. Ao todo, são 37 pessoas nas salas da Rede no Leblon.
Este formato de integração do digital, que, no Grupo ABC, a DM9DDB também vem implementando, vai permitir à Rede, segundo as diretoras da agência, oferecer consultoria (branding, trade e negócios), comunicação multiplataforma (on, above e below the line) e conteúdo, atendendo a clientes que buscam uma flexibilidade que grandes estruturas não conseguem oferecer. "Nosso formato é a tendência mundial", garantiu Fernanda Flandoli.
Além dos clientes já noticiados na Janela, a Rede abre suas portas com Google e Valisére.

Detran pede respeito em campanha da Agência3

Como o carioca adora dizer que o trânsito está um caos mas dificilmente se dá conta que ele é parte do problema, o Detran do Rio está lançando uma campanha, durante a Semana Nacional do Trânsito, lembrando que "Seguir as leis também é respeitar as pessoas". Assinados pela Agência3, os outdoors de educação no trânsito têm como objetivo ultrapassar a mera apresentação de regras e leis e provocar a reflexão sobre valores como respeito, gentileza, colaboração e cidadania para tornar o trânsito mais seguro.
Como ciclista diário, este colunista sugere que o Detran também tente ensinar ao carioca que não caminhe sobre as ciclovias, quando elas estão ao lado de calçadas mais seguras. Incrível como as pessoas adoram andar sobre os tijolinhos vermelhos, como se fossem suas passarelas...
Enfim, a criação foi de Marília Valengo e Thiago Alves, com direção de criação de Álvaro Rodrigues e Luís Salvestroni. O atendimento foi de Christina Santos e Luciana Pacheco, com aprovação de Sergio Jean Tranjan e Janete Bloise.

NBS é tri no Profissionais do Ano

André Lima, Marcelo Noronha e Renato Jardim
André Lima, Marcelo Noronha e Renato Jardim festejam o tri da NBS
A equipe de criação da NBS comemorou muito esta terça-feira, no Vivo Rio, quando os apresentadores anunciaram que seu filme "Mesmice", com o qual a Oi foi lançada em São Paulo, havia conquistado a categoria Comercial Sudeste, título que a agência recebe pela terceira vez consecutiva no concurso. O comercial, aliás, já havia ganho o Prêmio Abril de Televisão.
Na categoria Campanha, o vencedor foi "Família Doriana", da agência BorghiEhr Lowe, que rompe com a caretice dos tradicionais comerciais de margarina, ao colocar os membros da família fazendo gozações uns com os outros.
A festa no Vivo Rio reuniu mais de 500 publicitários cariocas em torno de um cenário inspirado no fundo do mar, no estilo sempre divertido e criativo de Toni Rodrigues, coordenador nacional da premiação.
Vejam abaixo as fichas técnicas e os comerciais premiados:

COMERCIAL: "Mesmice"
Direção de criação: Pedro Feyer e André Lima
Criação: André Lima, Marcello Noronha, Renato Jardim e José Luiz Vaz
RTVC: Andréa Metzker, Álvaro Figueira e Bruno Genuíno
Atendimento da Agência: Antonino Brandão, Gabriela Arroyo, Érica Rabelo e Priscila Testahy
Produtora: Cine
Direção: Clovis Mello
Produção Executiva: Raul Dória
Diretor Atendimento da Produtora: Waldemar Tamagno
Atendimento da Produtora: Sérgio Cardoso
Diretor de Fotografia: Marcelo Brasil
Montagem: João Branco e Clovis Melo
Finalização: Digital 21
Produção de Som e Trilha: Nova Onda

CAMPANHA: "Família Doriana"
Direção de Criação: José Henrique Borghi, Erh Ray e Edgard Gianesi
Criação: José Henrique Borghi, Pedro Corbett e Piu Afonseca
Produção de RTVC: Marcia Coelho e Debora Souza
Produtora: Sentimental Filmes
Diretor de Cena: Mauricio Guimarães e Luciano Zuffo
Produtora de Áudio: AD Música
Fotógrafo: Joel Lopes
Finalizadora: Casablanca
Montador: Marcio Canella
Produção: Equipe Sentimental
Atendimento: Priscilla Carvalho, Viviane Moura e Tazio Muraro
Mídia: Rosana Ribeiro, Flavio Franco e Vanuza Gonçalves
Aprovação do Cliente: José Antonio Fay, Eric Michel Boutaud, Guilherme Chueiri e Larissa Santos

   

Receptivo da Dinâmica nada no fundo do mar da Globo

O receptivo da Dinâmica Talentos foi um dos destaques da festa da Regional Sudeste do Prêmio Profissionais do Ano da Rede Globo, que aconteceu na noite de terça-feira, 22, no Vivo Rio. As meninas fizeram sucesso com o figurino criado por Simone Delfim, dentro da temática de fundo-do-mar definida pelo coordenador nacional do prêmio, Toni Lopes Rodrigues.
Também foi da Dinâmica a troupe de performers que invadiu o salão para distribuir gadgets de neon depois da cerimônia.
Este foi o segundo ano que a Globo contou com o casting promocional da Dinâmica Talentos para a festa do Profissionais do Ano. A empresa, dirigida por Lena Ehrlich, deve fechar 2009 com um crescimento de negócios de 90% em relação ao ano passado, a partir de trabalhos prestados para empresas de eventos como Rio 360, Fagga, K!, Larrat, Matriz de Eventos e KMB. Na Bienal do Livro, por exemplo, a Dinâmica Talentos foi escolhida pela Fagga como a fornecedora oficial de receptivo.

Quem é Tadeu Vieira, o candidato de oposição ao CCRJ?

Essa é a pergunta que mais tem circulado entre os criativos cariocas, depois que este nome surgiu encabeçando a chapa de oposição na disputa pela diretoria do Clube de Criação do Rio de Janeiro (CCRJ), que ocorre esta quarta-feira até as 20:00h no Clube Militar da Praia Vermelha.
Tadeu se candidatou como diretor de criação da I9, uma agência que, ele explica, está se instalando no mercado carioca. Ela marcaria seu retorno à criação no Rio, onde ele atuou, em 2005, como diretor de criação da extinta RIC.
O nome de Tadeu começou a aparecer no mercado quando ele foi um dos criadores e presidente da Associação Brasileira dos Estudantes de Publicidade (ABRAEP), criando um prêmio para a entidade e circulando em vários eventos do meio. Depois de deixar a RIC, ainda em 2005, ligou-se ao marketing da Igreja Universal do Reino de Deus, mudando-se para São Paulo e promovendo uma concorrência para a produção de um especial de 24 capítulos, em que disputaram produtoras como Academia de Filmes, CaradeCão, Conspiração, Cinerama, Diretoria, Mixer, Tá Na Lata e Zeppellin.
Pela ligação com a IURD, chegou à Record em São Paulo, atuando na área de programação.
Tadeu Vieira diz à Janela que decidiu se candidatar ao CCRJ para que este se torne "um clube sério". Em suas críticas, lamenta que a entidade "tenha perdido sua sede e funcione dentro do quarto do secretário, com dívidas enormes e sem conseguir realizar seu festival nem seu anuário". Ele afirma que quer pegar o clube pensando nas oportunidades de negócio para a marca "CCRJ", e para isso conta que tem entrado em contato com diversas outras entidades do mercado, ligadas a produtoras e anunciantes, para conseguir o apoio à sua gestão.
O vice-presidente da chapa de Tadeu Vieira é o diretor de criação da Percepptiva, Marcelo Santos. O candidato não informou à Janela os demais nomes que comporão sua diretoria.

N.R.: A Janela solicitou depoimento dos dois candidatos à presidência, para dar igualdade de espaço. Em contato com Alexandre Motta, durante a festa do Profissionais do Ano, ele negou veementemente que o CCRJ esteja com dívidas financeiras. "As gestões do Flávio Medeiros, em que fui vice-presidente, justamente se preocuparam em ter uma administração enxuta para zerar os débitos que vinham se acumulando dos festivais e anuários anteriores", afirmou o candidato à Janela.

Comentário de Leitores

Da ABRAEP
A ABRAEP voltou. Nova proposta, nova diretoria, enfim, novos rumos. Queremos fazer da ABRAEP algo que faça a diferença, e contamos com o seu apoio para que isso aconteça. Estamos estruturando nosso planejamento para 2010 e em breve estaremos publicando no site nosso calendário de eventos. Enquanto isso não acontece, você já pode ir se cadastrando em nossa comunidade. Acesse http://abraep.com.br (N.R.em 2013: site atualmente desativado)
terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Algumas reflexões sobre a eleição do CCRJ

A vitória de Tadeu Vieira no Clube de Criação do Rio de Janeiro (CCRJ), um nome praticamente desconhecido dos criativos das grandes agências cariocas, pode ser um excelente momento de reflexão sobre o que o mercado quer de suas entidades.
A explicação para a derrota do candidato Alexandre Motta e do presidente anterior, Flávio Medeiros, que não conseguiu fazer seu sucessor, é muito simples e óbvia. Seus eleitores não foram votar. Não apenas os 19 que faltaram para a vitória matemática nas urnas. Mas as dezenas que Medeiros, Motta e seu candidato a vice, Paulo Castro, acreditavam que prefeririam vê-los na presidência do clube.
A primeira pergunta a ser feita agora, portanto, é essa: por que não foram?
Ou seja: por que não acharam importante abrir um tempo no seu dia de trabalho para dar apoio ao nome que considerariam representar melhor a sua classe profissional?
Admitindo a hipótese de que nem Motta, nem Castro, nem Tadeu, nem o vice deste, Marcelo Santos, fossem os nomes que os criativos cariocas gostariam de ver falando em seu nome, por que ninguém mais se mobilizou para lançar outras chapas?
A dificuldade que ambos os grupos tiveram para encontrar os demais participantes para sua diretoria -- e a própria mudança no processo eleitoral, exigindo apenas dois nomes para formalizar uma candidatura -- são comprovantes de que, muito provavelmente, a grande massa dos criativos cariocas nem esteja mesmo dando a menor pelota sobre o que acontece com o Clube de Criação.
Quem vai presidi-lo, ou não, se torna totalmente irrelevante.
A culpa disso tudo é do último presidente, Flávio Medeiros? Claro que não. O problema vem de mais tempo e reside em questões mais amplas: será que os criativos querem fazer parte de alguma entidade? Se sim, o que eles querem dela? Para que serve um Clube de Criação?
Esta eleição, realizada sem que os candidatos pudessem ter apresentado uma única proposta aos eleitores, não ajudou muito a responder àquelas dúvidas que vêm se arrastanto nos últimos anos.
Em tempo: para os novos criativos, explico que escrevo tudo isso por direito adquirido pelo carinho que tenho pelo CCRJ, cujos primeiros passos acompanhei. Fui sócio do clube e parceiro de várias diretorias. Participei de alguns de seus júris. Organizei o 1º Encontro Nacional de Criação Publicitária, em 1978, e assisti momentos grandiosos da entidade. E acompanhei literalmente todas as suas eleições.
O Clube tinha um propósito claro. Numa atividade dominada pelos donos das contas, o CCRJ vinha mostrar que (como dizia o cartaz daquele Encontro de Criação), na verdade eram os criativos que tinham a faca e o queijo nas mãos.
Na época, brigava-se por tudo quanto era nosso, inclusive o direito a fazer os cartazes de cinema, que vinham prontos de fora.
Sem continuar contando história: e agora, para que serve hoje o Clube de Criação? O que os criativos querem dele? Que apenas faça uma premiação em que os criativos possam premiar a si próprios? Ou mais do que isso?
Não conhecendo as respostas para estas perguntas, realmente tanto fará quem seja o presidente.
Agora estamos no dia seguinte do fato. E já começamos a ouvir comentários de que Tadeu não terá representatividade para gerir o clube. Debandada dos associados das grandes agências, recusa em se inscrever no próximo Festival de Búzios e a participar dos júris são algumas das ameaças que começam a pairar sobre sua administração.
Isto será ruim para a gestão do Tadeu, mas será bom para o Clube? É a pergunta que fica para a nova oposição.
E para o Tadeu, fica a lembrança que 54 votos foram suficientes para ganhar a batalha mas não a guerra. Por isso, a nossa sugestão é que, antes de qualquer iniciativa, convoque uma constituinte. Descubra o que o mercado quer. Converse com aqueles que fizeram os bons momentos do CCRJ, como Monserrat, Álvaro Gabriel, Ronaldo Conde, Gustavo Bastos, Hayle Gadelha, Carlos Pedrosa e outros de uma lista imensa de criativos importantíssimos do nosso Rio de Janeiro.
Encontre a nova bandeira para o CCRJ. Porque, sem uma bandeira à frente, fica muito difícil conseguir que os soldados te acompanhem nas próximas batalhas.

Alexandre Motta se desfilia do CCRJ

Alexandre MottaO diretor de criação da Binder/FC+M e candidato derrotado à presidência do CCRJ, está distribuindo uma carta ao mercado, comentando o resultado da eleição:

Derrota: modo de usar.

Eu tinha combinado de fazer uma declaração em conjunto com o Paulo Castro mas, por respeito a ele, venho aqui sozinho falar sobre a eleição de 23/09/09.
Em primeiro lugar, aceito o resultado da eleição do CCRJ. Tadeu Vieira é o novo presidente do CCRJ. Marcelo Santos é o vice. Digam o que disserem, pensem o que pensarem, o mercado escolheu.
Agora, queria fazer uma análise sobre os números dessa eleição. Houve, e isso é um fato, uma entrada maciça de sócios na última semana, da ordem de 40 e poucos anuários vendidos. Ótimo para um Clube que, nas palavras do novo presidente, está afundado em dívidas. Mas, a titulo de curiosidade, vamos eliminar esses votos absolutamente legais (legítimos são outros quinhentos) do montante total.
Foram 91 votos. Repito, 91. Se tirarmos os 40 votos de sócios que milagrosamente resolveram entrar no Clube e participar do nosso processo democrático, sobram 51 votos. Isso mesmo. Um mercado que se diz o segundo maior do Brasil tem apenas 51 sócios do Clube de Criação votantes. Me recuso a acreditar que na minha sala de reunião dá pra colocar todos os sócios que se dispuseram participar de uma eleição que acontece de 2 em 2 anos. Mas a realidade e o resultado dizem isso.
É isso mesmo que somos? Um mercado grande com pessoas pequenas? Um mercado que se recusa a discutir propostas porque é melhor passar o seu tempo em blogs, twitters e emails apócrifos nos diminuindo? Nesses 16 anos em que tenho orgulho de fazer parte desse negócio, nunca me senti tão pouco representado como ontem, dia 23. Descobri que, por bem ou por mal, só 51 pessoas decidiram pensar no Clube de Criação, mas provavelmente centenas gastaram seu precioso tempo desmerecendo a eleição. Ok, vocês venceram. Agora vocês têm um presidente. Os que foram e os que não foram garantiram o resultado.
Erroneamente, boa parte dos criativos do nosso querido balneário acreditam que corporativismo é uma palavra muito grande para caber em um titulo bom. Eu sou corporativista por natureza. Acho “nós” muito mais importante do que “eu”. O “nós” foi responsável por grandes coisas, inclusive o sucesso do grande Clube de Criação do outro lado da Dutra que nós tanto prezamos e respeitamos. Será que depois de tanto olhar o site e os anuários deles a gente ainda não aprendeu isso? Esse espírito a gente pode e deve chupar.
Essa eleição é a oportunidade de colocar na pauta uma coisa mais séria: o que somos e o que queremos ser. Dá trabalho, é mais chato que falar mal do próximo, mas funciona que é uma beleza se você se dispuser a isso. Eu estou disposto, como criativo e executivo de agência. Como candidato, essa foi a primeira e última experiência.
Aos 51 solitários sócios que acreditam no Clube de Criação do Rio de Janeiro, inclusive os que não votaram na minha chapa, obrigado por votar e querer pensar no futuro do CCRJ. Acreditem: o mercado não acabou por causa disso. Ele só se revelou. E isso, meus amigos, pode ser o bom dessa história toda. Façam bom uso dela. Pro bem do Clube.

Alexandre Motta

PS: Como eu disse ao próprio Tadeu ao final da eleição, reconheço o resultado mas não posso reconhecê-lo como presidente. Por isso, solicito minha desfiliação do CCRJ. A ele e ao Marcelo, boa sorte.

Paulo Castro também deixa o CCRJ

Seguindo o ato de Alexandre Motta, líder da sua chapa na disputa do CCRJ, o diretor de criação da Staff, Paulo Castro, também está pedindo sua desfiliação do CCRJ, em carta-aberta ao mercado.

Um texto grande.

Ontem não foi um dia negro apenas para o mercado de criação do Rio. Foi um dia negro para a propaganda carioca. Ou melhor, para a propaganda brasileira. Afinal, sempre lembrando, somos o segundo mercado do país. A partir de hoje, a marca CCRJ tem um novo presidente. Legítimo. E parabéns para ele e sua retumbante vitória. Afinal, perdemos por 18 votos. O que mostra ampla preferência do mercado. Mas a pergunta é: que mercado é esse? Um mercado que apareceu repentinamente, com a compra de 40 anuários ou o mercado dos profissionais com quem tenho o orgulho e o prazer de conviver e concorrer no dia a dia? Pois é. Só que esse mercado ontem não apareceu. Ou melhor, pouco apareceu.
E o mais engraçado de tudo isso, apesar de não ver graça nenhuma nisso, é que correram soltas ontem no twitter piadas sobre a eleição. Ali, o mercado compareceu. A pergunta agora é: amanhecemos rindo do que hoje? De que os principais criativos cariocas não se sentem representados? De que as principais agências não se sentem representadas? De que os clientes de ponta não se sentem representados? De que uma geração de estudantes não vai ver os profissionais que representam o mercado no CCRJ?
Nossa cidade há muito tempo vem perdendo empresas, clientes e profissionais. E agora perdeu o Clube. Uma entidade que teve Monserrat, Álvaro Gabriel, Ronaldo Conde, Gustavo Bastos, Hayle Gadelha, Carlos Pedrosa, André Eppinghaus, Fernando Campos, Álvaro Rodrigues e o próprio Flávio Medeiros. Gente grande. De trabalho grande. De prêmios grandes. De talento maior ainda. Em nome do tamanho e da grandeza do CCRJ, peço minha desfiliação imediata do Clube. O CCRJ que sempre conheci, onde o Motta e eu tínhamos a proposta de continuar trabalhando junto com o Chiquinho, o Dudu e o Zé Luis, é muito maior do que isso.
No Clube que começa hoje, o meu 1,90m e os meus 20 anos de história não cabem nele.

Paulo Castro

Eleição do CCRJ - Falam os leitores (1)

De Glaucio Binder:

"Marcio,
Tudo que você escreveu sobre a eleição do CCRJ é verdadeiro e corretíssimo. Mas é só uma pontinha do Iceberg. Nós publicitários temos o péssimo hábito de olhar o nosso mundo como o centro do universo.
A verdade é que o brasileiro, e não só o publicitário e não só o criativo carioca, tem o péssimo hábito de não querer saber de representatividade. Basta olhar para aqueles que nos representam em Brasília. Nós só votamos porque somos obrigados. E mesmo assim muitos de nós ainda arrumam um jeito de viajar no dia da eleição para "justificar" depois.
E isso começa bem de baixo. No colégio (e eu tive esta experiência) fazer campanha pelo grêmio é sempre uma garantia de ser taxado como esquisito perante a maioria dos "espertos". Fico muito feliz quando vejo colégios como o São Vicente, onde estudaram meus filhos, brigando pelo Grêmio, brigando pelo modesto exercício da democracia.
Mas não para por aí. Quem de nós gosta de reunião de condomínio? Quem já teve coragem de dedicar um ano de sua vida para ser síndico? Quem ao menos se habilitou a fazer parte de um conselho consultivo de um prédio? E olha que tudo isso é interesse de toda a comunidade ao redor. Do pequeno prédio, ao grande País.
Montar chapa para o SINAPRO é uma guerra. O mesmo para a ABAP e o mesmo para ABP. A Luciana é uma heroína de ter juntado os cacos do GAP para começar novamente. A ABP, que deveria ser a entidade da qual nós cariocas mais deveríamos ter orgulho, tem uma representatividade baixíssima (aproveito para fazer uma campanha "FILIEM-SE À ABP" - aliás, é uma excelente oportunidade para os órfãos do CCRJ encontrarem um organismo de apoio). Mas a gente tem mais o que fazer. Ontem, por exemplo, tinha jogo na Globo. E ainda por cima estava chovendo. " E você ainda quer que as pessoas percam o seu valioso tempo para ir votar no CCRJ?" Nossa, Márcio, quanta ingenuidade!!"

De Rynaldo Gondim:

"Marcio,
Sempre prestigiei e sempre torci para o CCRJ. Embora nunca tenha participado de nenhuma diretoria, votava em todas as eleições, quando trabalhava no Rio.
Contribuia com o site e o anuário, sempre que me solicitavam. E mesmo depois que vim para São Paulo, continuei acompanhando tudo de longe e, eventualmente, até de perto: no último Festival de Búzios fui um dos palestrantes. Hoje, lendo a carta do Alexandre Motta, um dos mais ilustres representantes da propaganda carioca, fiquei bastante chateado. O Clube, que ficou um tempo esquecido, estava aos poucos se revigorando e o que aconteceu ontem foi um verdadeiro retrocesso.
Uma pena mesmo. Compreendo e apoio a decisão do Alexandre Motta e do Paulo Castro de deixarem o CCRJ. "

De Guto Graça:

"2009 e 1989. Em 1989 - quando um operário era candidato contra um mauricinho das Alagoas, a obtusa classe dominante falava que empresários iriam deixar o Brasil, que o Brasil seria entregue aos comunistas e outras baboseiras. A classe média, idiotamente, acreditou.
Vinte anos depois este mesmo operário é o presidente.
A necessidade de renovação estava lá. Só faltava a coragem para tentar.
Lula representou a chegada de um novo grupo. Novas idéias. E que, com visão social dos problemas reais, fez o Brasil andar como nunca. Goste ou não do Lula, ele representa exatamente isto.
Um novo grupo numa nova caminhada. Adequando o Brasil aos novos tempos. Dentro de uma nova realidade. Um novo grupo que soube ler melhor as necessidades do Brasil.
Hoje o CCRJ vive este momento.
A necessidade de renovação veio explícita por meio da baixa participação. Muito mais que pela vitória deste ou de outro candidato. Isto foi apenas decorrência.
Chega um novo grupo. E muito mais do que não se sentir representado por um novo grupo, é o momento de união pelo mercado. E não de questões pessoais.
A derrota não foi uma derrota dos criativos Paulo Castro ou do Alexandre Motta. A outra chapa soube ler o mercado carioca. Traduziu o pedido de renovação.
E que a nova diretoria tenha o brilho que o CCRJ já teve. Diretorias como a do Monserrat ou do Gustavo Bastos sejam fonte de inspiração.
Boa sorte ao Tadeu e ao Marcelo. Que façam o que o mercado do Rio precisa: Trabalho, foco e vontade.
O desafio é grande.
Vamos cobrar."

Eleição do CCRJ - Falam os leitores (2)

De Ronaldo Conde, diretor da 11|21 e ex-presidente do CCRJ:

"Marcio,
em primeiro lugar, obrigado pela referência elogiosa ao meu nome como presidente do CCRJ.
Mas, a seguir faço algumas considerações sobre a eleição do CCRJ.
Muitas delas, inclusive, já conversamos e temos pontos de vista comuns.
Os erros vem de longe.
Você sabe que sempre fui contra o critério de comprar anuário e poder ser sócio e eleitor do CCRJ.
Qualquer clube de esquina tem um estatuto, tem regras mais claras, e os sócios só podem votar com um tempo mínimo de permanência na entidade - por exemplo, 1 ano, 6 meses.
No CCRJ podem votar aqueles que compram o anuário: ridículo, antidemocrático e sujeito a fraudes que, agora, os que perderam, reclamam.
Mas esses mesmos não só aceitaram esse critério, como usaram a seu favor.
Quer um exemplo: para votar peças no site do Clube, também basta comprar o anuário, e não, como em todos os clubes, pagar mensalidade ou anuidade.
Então, determinada agência compra para o seus funcionários tantos anuários e esses funcionários votam nas peças da própria agência.
Isso vale, né?
E aconteceu e continua acontecendo.
É renda pro Clube, então fechemos os olhos.
Agora vem o candidato derrotado e seu vice anunciarem que estão se desfiliando do Clube.
Como é isso?: devolvem os anuários comprados e estão desfiliados?
Onde se oficializa isso?
Na sua coluna?
Outra coisa: a situação não viu esse movimento às vésperas da eleição da compra de 40 anuários?
Se viu, não denunciou? Não se mobilizou?
No mínimo, é incompetência somada à presunção de que a eleição já estava no papo.
Que começou com a tardia e antidemocrática, de novo, convocação das eleições - sem um prazo mínimo e estabelecido por estatuto (existe?) que desse tempo de outras chapas se inscreverem.
Eu disse isso ao Flávio Medeiros, no Festival da ABP, quando ele se arvorou em me contar que estava fazendo tudo dentro da lei.
Não se convocou um debate, um papo, um encontro, nada, para que os candidatos se apresentassem e apresentassem suas propostas.
O candidato da oposição foi apresentado na sua coluna, num furo de reportagem estupendo.
E, desculpe, Marcio, a situação tem culpa sim.
Passou quatro anos no poder e não conseguiu moblizar mais que 90 sócios para votar, dos quais 40 acabados de chegar, por conta dessa norma esdrúxula - a bem da verdade usada em outras eleições, por outros candidatos eleitos.
E reclama disso?
Contra eles mesmos, não é certo?
Por que eles não pensarem em modificar isso?
Tiveram 4 anos, eu disse 4 anos.
Eles provaram do próprio veneno e agora, perdendo, denunciam.
O Flávio também tem culpa, sim.
E muita, porque abandonou o Clube à sua própria sorte - uma prova disso é o novo site do CCRJ que, além de muito ruim, anunciava ontem, dia da eleição, que "amanhã tem eleição"(sic).
Ele se preocupou em fazer um balanço da sua administração, uma prestação de contas, que seja?
Não, nada, na presunção, novamente que a eleição já estava ganha.
Não coloquemos, pois, a culpa no mercado. Essa é simples demais.
E esse movimento de não escrever peças no anuário não começou com a derrota da situação.
Há muito se fala nisso, por conta dos júris pouco representativos, dos constantes adiamentos e também da crise.
Acho que o Motta, o Flávio, o Paulo Castro e os componentes da chapa perdedora devem refletir sobre esse momento, sobre a legitimidade das eleições do CCRJ - não apenas essa, mas as anteriores também e as futuras, por que não? -, em vez de falar de dia negro, desfiliação e outras atitudes do gênero.
Já ganhei e já perdi eleição do Clube.
Mas estou aí, sempre."

Comentários de Leitores

De Digo Souto
Bravo Conde!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009

De Carlos Negreiros
Conde, brilhante.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009

De Heleno Bernardi
Caro Ronaldo Conde, achei muito lúcido seu ponto de vista.
Concordo com boa parte dele.
Votei, inclusive, sem conhecer as plataformas, que não foram difundidas.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eleição do CCRJ - Falam os leitores (3)

Em todo este somatório de episódios estranhos ligados à eleição do CCRJ, um a ser criticado foi a tentativa de desqualificar o nome de Tadeu Vieira por sua preferência religiosa, como membro da Igreja Universal, um preconceito que não deveria existir entre criativos.
Pedimos a opinião sobre o episódio a Chiquinho Lucchini, um criativo que também é evangélico.
Mais abaixo, a mensagem enviada à Janela por Fábio Barreto.

De Chiquinho Lucchini, diretor de criação da Quê:

Chiquinho Lucchini"Marcio,
Eu não conheço o Tadeu. Nem sabia que era da Universal e evangélico, até ler esta matéria que me enviaram.
E também não sei se ele está sofrendo preconceito só por ser cristão protestante/ neopentencostal. Não sei se é apenas por isso.
O preconceito maior, hoje, talvez seja porque o mercado de criação carioca não queira se ver representado por alguém desconhecido. Só isso.
Principalmente frente a outros clubes, outros mercados. E como bem disse o Motta e o Paulo, o 2º maior mercado/clube do país.
Só isso.
O Ronaldo Conde me enviou o email que também mandou pra você. Concordo com muitas das coisas que ele escreveu ali. Outras, não.
Eu, ele, Ercílio, Flavinho, Dudu já discutíamos isso e muito quando trabalhamos juntos. Em vários almoços.
Por exemplo: desde os tempos de estudante fui sócio de um Clube de Criação. O de São Paulo. Já que nesta época, o CCRJ estava “dormindo.”
Mas sempre fui sócio do CCSP pagando boleto bancário, anuidade. E isso é que me dava direito ao anuário. Não o contrário.
Como pode alguem comprar anuário ontem hoje e amanhã decidir o destino de uma entidade? Mas fizeram as regras assim e agora provam do próprio veneno.
Lembro-me bem quando o Ronaldo disputou uma eleição e de repente apareceram vários estagiários no nada e votaram.
Conclusão: perdeu a eleição.
Todos os Presidentes tem méritos e cagadas.
O Gustavo Bastos que reanimou em 1991, lançando o anuário do Feijão, com disputa nacional. Belo anuário, diga-se de passagem, onde ganhei meu primeiro premio, ainda estudante, com 18 anos ! Do Gustavo, tinha ainda o jornalzinho na época que não havia internet, lembra ? De cagada, só não ter dado continuidade.
Até que o André resolveu tirar o Clube da tumba e prometeu um site. E de surpresa fez um anuário, o da Bíblia.
Aí vei oem seguida o Fernando Campos e deu continuidade, despertando o Festival de Buzios.
O Alvaro em seguida. E o Clube parecia pegar embalo.
Veio o Flavio e parecia que tinha continuidade. Um segundo mandato, meio aos trancos e barrancos, sem nenhum movimento e a mesma historia de lançar eleição na ultima semana, sem tempo pra chapa nenhuma, zero de mobiliação, zero de discussão. O Flavio teve o mérito de expandir o CCRJ para fazer intercâmbio com outros Clubes Brasil afora. E o desmérito de atrasar anuários. Dois. E não entregar o teceiro. Aí, deu no que deu. Falta de credibilidade...
Bem, no que me diz respeito, é uma pena o Motta não ter entrado, pois eu fazia parte da chapa. Fui convidado pelos dois e aceitei. Gostaria de ajudar principalmente no Clube do Futuro. Não deu. Fica, quem sabe, para uma próxima."

De Fabio Barreto, diretor de criação da Kindle+Escritório de Ideias:

"Márcio, muito sadia a discussão que você fomentou. Segue uma opinião a mais:
Tal qual acontece na nossa sociedade, onde existe um abismo entre o povo e seus representantes políticos, o distanciamento do CCRJ e seus sócios sempre foi visível. E isso já vem de longa data.
Não acredito mesmo que, ao se fazer uma pesquisa, a maioria dos criativos cariocas diria se sentir representada até então. Mas, como vivemos uma democracia, essa realidade deveria ser mostrada e trabalhada através de uma participação mais ativa. Não na hora da votação apenas, mas durante toda a gestão. Contribuindo, discutindo, questionando, criticando, enfim, participando daquela que é, ou deveria ser, uma entidade de toda a classe, associada ao Clube ou não.
O esquema de eleição a jato foi pífio, com um tempo exíguo para formação de chapas, apresentação de projetos, debate de ideias. Tudo o que caracteriza um processo eleitoral justo e organizado. E o resultado acabou causando surpresa.
Mas aí é que está: surpresa em quem e por que? Era para a vitória da situação estar assegurada? O vitorioso só poderia ser alguém conhecido? Claro que não.
E se não houvesse 40 anuários a mais na disputa, Motta teria ganho com 36 votos? Infelizmente, acho que também não seria, digamos, tão representativo.
Se houve a proliferação de anuários em cima da hora ou não, ao que tudo indica a vitória se deu dentro das normas estipuladas pela Diretoria até então.
Se uma parte dos participantes discorda do resultado, na verdade discorda das regras vigentes. Se isso ocorreu de fato, não foi uma atitude admirável, mas foi, por assim dizer, legal.
Infelizmente, tudo o que não foi discutido antes da votação, passou a ser discutido agora: critérios, permissividades e afins.
Mas, independente do resultado, quem não pode sair perdendo é o CCRJ e todos aqueles que querem enxergar nele a sua representatividade. E ele vai sair perdendo se, ao contrário de nos aproximarmos, começarmos a nos afastar ainda mais.
Por isso entendo que o CCRJ precisa do Tadeu, do Santos, do Motta, do Paulo e de todos nós contribuindo, discutindo, questionando, criticando, enfim, participando.
Isso sim vai dar legitimidade ao Clube, seus dirigentes e seus associados."

Eleição do CCRJ - Falam os leitores (4)

De Marcelo Coli, redator da Rede

Marcelo Coli"Eleições são assim mesmo. Sei porque minha família vem entrando nelas desde 1936. Algumas custaram a fortuna do meu avô e uma delas custou um enfarto a meu pai em cima de um palanque. Ou seja, sei bem como é perder uma dessas. E já perdi várias, ganhamos outras é verdade, esta do CCRJ é apenas mais uma que perdi.
Não pude votar, porque não sou sócio e fiz questão de não me associar até mesmo por protesto por tantos desmandos. Mas, o fato é que eu escolhi um lado. Que realmente achava melhor, só que ele perdeu. E perdeu sem que o outro fraudasse a urna. Democracia é isso. Agora temos um presidente que nunca fez um anúncio (pelo que eu saiba), nunca contribuiu com uma oposição batalhadora, honesta, leal. Nunca lutou o bom combate. Mas ele ganhou dentro das regras impostas pelo atual presidente, não é verdade? O fato de comprar 40 anuários é ilegal? Não. É imoral? Sim, com certeza.
Dói, dói muito porque não era o que queríamos para nosso combalido CCRJ. Mas, sinceramente, não acho que a saída seja abandonar o Clube. Como também não acho, como algumas pessoas me disseram, que criar outro clube ou outra associação seja solução.
A pergunta permanece: o que queremos do Clube? Que ele acabe? Morra? Desapareça, para ficarmos finalmente sem nada? Quem sabe assim, possamos passar a reclamar do CCSP como fazíamos do CCRJ, porque sem ele podemos destilar nossa ironia rumo a nossa metrópole vizinha e culpar a eles por nossos males, mais fácil não? É realmente isso que você quer? Eu não.
Por isso, vou ficar e lutar. Criticando, propondo e tentando mostrar que há uma saída para isso tudo. Podem ser dois anos escuros ou luminosos, quem sabe? Não podemos prejulgar pessoas simplesmente porque não conhecemos ou por sua crença, credo, ou simplesmente porque não achamos que não tem capacidade.
O fato é que estes anos passarão. E o Clube vai continuar. Porque é maior que uma compra de anuários com objetivos eleitoreiros. É maior que eleições na calada da noite. É maior que um presidente que não se defende e nem mostra suas propostas. E porque ele é maior que uma simples eleição. Só como exemplo, o Brasil também resistiu ao Collor.
Óbvio, não tenho a representatividade de pessoas que admiro tanto pelo trabalho quanto pela postura e luta como Alexandre Motta, Paulo Castro e Marcello Noronha. Só para citar alguns. Mas é justamente por eles que vou ficar. Porque acho que o trabalho realizado em todos estes anos não pode ser jogado fora. Acredito sim, que o trabalho brilhante de agências como Agência3, Artplan, F/NazcaS&S, NBS, Quê, entre tantas outras, deve e merece continuar sendo registrado num anuário com um júri forte, soberano, isento e representativo do melhor do mercado, como já vinha sendo.
Winston Churchill disse: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.”
Donde se conclui que não seremos os primeiros e nem os últimos a sofrer com os males da Democracia. Mas vamos aceitar e lutar, porque um dia o sol voltará. E no Rio, graças a Deus, ele aparece muito mais do que a chuva.
Espero também que a nova diretoria tenha a dignidade de se pronunciar sobre alguma coisa. Porque até agora, só ouvi boatos e o silêncio."

De Leonardo Bartoli, redator da Publicis Rio

Carta aberta a Tadeu Vieira.
"D epois de tantas cartas abertas ao mercado resolvi escrever mais uma, só que exclusivamente dirigida a você e ao seu silêncio, Presidente Tadeu Vieira.
Você, como eu, deve saber que o processo eleitoral relâmpago, com apenas dois nomes divulgados na chapa e sem espaço para apresentação de propostas, representou de forma emblemática o fim de uma administração que vinha sofrendo muitas críticas de seus associados.
Você, como eu, deve saber que o mercado carioca desde sempre viveu uma espécie de racha provinciano entre as grandes e pequenas agências. Todo mundo tem ou já teve um amigo publicitário que, por não conseguir uma vaga em uma agência mais representativa para o mercado, esbravejou contra o "sistema", a "panela" ou o "clube do bolinha" das grandes.
Você, como eu, deve saber e se orgulhar, sem bairrismos, de um mercado que é talvez o maior celeiro de grandes profissionais da comunicação de todo o Brasil.
Você, como eu, deve saber que agora a sua eleição está manchada com a notícia da suposta compra substancial de anuários na semana das eleições.
Você, como eu, deve saber que todos os criativos da cidade conhecem campanhas memoráveis de Adilson Xavier, Alexandre Motta, Marcello Noronha, só pra citar alguns nomes, entre tantos outros criativos representativos que andam divulgando sua desfiliação do clube após essa notícia tomar corpo.
Você, como eu, deve saber que a sua história para a nossa classe é nula e que sua ligação com o marketing de uma instituição polêmica como a Igreja Universal não ajuda muito as coisas para o seu lado.
Você, como eu, deve saber que o jogo político é assim. Que são em brechas legais e obscuras que a falta de ética se desenvolve e instala-se como cancêr no seio de cada repartição ou órgão público brasileiro.
Você, como eu, deve saber que neste momento a maioria significativa do mercado carioca supõe que você comprou esse cargo.
Agora o que eu não sei e gostaria que você me dissesse, sr. presidente, é como diabos você vai conseguir tocar o clube assim?"

De Renata Giese, redatora da B de Mello Comunicação

"Marcio,
Só temos a lamentar o destino do clube que começou nesta 4a feira. Pelo menos o acontecido serve pra gente parar e pensar. E o texto do Ronaldo Conde ajuda a pensar."

Eleição do CCRJ - Falam os leitores (5)

De André Pedroso, Diretor de Criação da DM9DDB e ex-presidente do CCRJ

André Pedroso"Nostalgia é um perigo quando ela só serve como desejo de voltar ao passado e não como aprendizado. E o que aprendi com alguns nomes ilustres do CCRJ como Cidão, Pedrosa, Franco Paulino, Gadelha, Acioly, Marcio, Ronaldo Conde e o sempre combatente e saudoso Henrique Meyer foi que o CCRJ sempre deverá estar acima dos interesses individuais. Porque foi isso o que estes profissionais fizeram honrando o clube através do seu talento e histórico profissional com a sua presença e experiência. Eles lutaram pela valorização do trabalho criativo em diferentes frentes, muitas vezes alem das páginas de um anuário, combateram decisões do Sindicato, construíram respeito em torno do CCRJ.
Linda época onde antes de qualquer eleição todos os criativos eram convidados para assistir aos debates, a apresentação das chapas, dos seus planos e de como eles seriam colocados em prática. Existia o cadastramento prévio dos seus associados antes de qualquer pleito. Agências grandes, médias e pequenas eram representadas. Era bonito de ver, uma festa democrática com profissionais dos estúdios das agências, fotógrafos, produtores de áudio, diretores, redatores, diretores de arte, assistentes.
Quem lembra do Franco Paulino perturbando as sessões para fazer valer sua opinião? Democracia pura. Sensacional.
Os tempos passaram.
Veio a administração do Gustavo, que devolveu a classe um glamour necessário que ela havia perdido e um anuário que muito teimaram em não reconhecer como anuário. Uma piada. Veio o André e depois a administração mais que profissional do Fernando Campos. Vim para São Paulo e não acompanhei mais o caminho do CCRJ.
Mas o aprendizado está aí. Nas próximas eleições as regras deverão ser mais claras e menos sujeitas a desvios que as próprias diretorias ajudaram a criar. O estatuto precisa ser revisto.
Mas o que é importante neste momento é que todos ajudem o CCRJ, lembrando que todos devem apoiar a entidade, a classe.
Não gosto do Lula. Mas não vou deixar de ser brasileiro por isso."

De Guto de Paula, redator

"Meu caro Marcio,
Pra quem não sabe, sou do tempo em que o CCRJ era sinônimo de enfrentamento a tudo de ruim que havia neste nosso Brasil, inclusive presidentes. Mais importante que organizar prêmios e festivais, dar palestras e estágios para os mais novos, era defender valores. Como a Democracia, por exemplo.
Ser sócio do CCRJ significava estar disposto a lutar, discutir e, sobretudo, a pensar amplamente. Mas pensar em coisas grandes, em ações que tivessem finalidade não só para os criativos cariocas, mas para o conjunto da sociedade. Por isto, ainda hoje podemos nos lembrar com orgulho de José Monserrat, Carlos Pedrosa, Pedro Galvão, Ronaldo Conde, Hayle Gadelha e tantos outros que presidiram o clube numa época em que nem internet existia, muito menos twitter. O que havia eram objetivos bem definidos. A coisa funcionava no peito e na raça, mas incomodava muita gente poderosa. Os inimigos não estavam ao nosso lado, mas no ar que respirávamos naquele Brasil de então. Hoje, parece que a luta se dá entre grupos internos, daqui e dali, mas sempre entre os mesmos que deveriam ser o corpo e a voz de uma atividade profissional cada vez mais desunida e despreocupada com o seu próprio futuro. Muito triste.
Mais triste, ainda, porque estas turmas que brigam entre si já cresceram num ambiente em que Democracia não é mais um palavrão, mas a atmosfera que os cerca. Porém, a sensação que tenho é que não entenderam nada do que lhes foi deixado por centenas e centenas de outros profissionais que chegaram a levar o nome do CCRJ para estar ao lado de verdadeiras “entidades” que orgulhavam este País, como OAB, ABI e Jornal do Brasil. Hoje, elas também não são mais as mesmas. E o Brasil, também não.
Agora, a finalidade do CCRJ é outra. Há muito tempo perdeu aquela nobreza. A profissão mudou, as pessoas mudaram, e o tal do mercado - entidade apócrifa e totalmente sem vergonha - passou a reger o seu destino e a ditar o ritmo de tudo e de todos. Ao invés de saber aproveitar os novos tempos e de se tornar útil novamente, o CCRJ virou um site, um anuário, uma instituição sem voz e sem importância para quem não está nem aí para a propaganda carioca.
Tirando uma ou outra boa iniciativa, como a criação do Anuário, o Clube do Futuro, os convênios com a ESPM e com algumas agências, o CCRJ nunca mais fez nada que pudesse ser relevante ou socialmente significativo. Quem se lembra dele?
Fico aliviado por ter deixado o CCRJ há alguns anos, porque hoje estaria brigando para anular esta eleição que me parece totalmente imoral. O Ronaldo está certo em suas colocações. Nada disto que aconteceu é mais que resultado do péssimo uso que se fez ultimamente deste legado, construído à custa de muita luta, de muita dedicação e compromisso ético. Ver manobra como esta acontecer no CCRJ é vergonhoso até para quem não pertence mais a ele.
Por fim, não tenho a mínima idéia de quem seja este novo presidente, mas me parece que ele não tem nenhuma representatividade nem no tal “mercadinho sem vergonha”, muito menos entre aqueles profissionais que personificam a essência da indústria da propaganda carioca. E os maiores interessados ficam mudos, que diferença faz a minha opinião?"

Gente Que Vai e Vem

Diretoria Cinematográfica (Rio - RJ) - A produtora de comerciais do diretor Libero Saporetti, anuncia Roberta Folly como nova integrante da equipe de Atendimento. Roberta tem passagens também como Atendimento pelas agências V&S, Binder, NBS e Publicis. (21/09/2009)