Janela Publicitária    
 
  Publicada desde 15/07/1977.
Na Web desde 12/07/1996.
 
A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes, com o apoio da Proview em 2010.


 

23 de junho de 2010, quarta-feira

RADIO, MEDIA & OUTDOOR

O Brasil dominou a cerimônia de premiação de ontem com diversas agências premiadas e terminando o país mais premiado em outdoor.
Em Media, a Lew’Lara ainda ficou como a terceira melhor agência e teve à frente dela uma Fischer Portugal movida por energia criativa luso-brasileira. Uma surpresa para as duas.
Em Rádio, tivemos o primeiro ouro da história do país, com uma ótima peça da Lew'Lara para a Cultura Inglesa, legendando nos displays dos rádios dos carros que possuem sistema de transmissão ao vivo de texto as músicas em inglês.
A agência disputou com apenas outros dois ouros o Grand Prix, que acabou com um spot colombiano para uma ONG, a Cruz Vermelha. Basicamente, trazia pessoas fazendo barulhos diferentes e depois, juntos, mostravam o som de um helicóptero e uma ambulância, o conceito era que juntos podíamos fazer a Cruz Vermelha seguir em frente.
O nível da categoria, entretanto foi fraquíssimo e os poucos leões distribuídos mostraram isso.
Media, a categoria que veio a seguir, foi um pouco melhor. Me chamaram a atenção duas peças ótimas para o mesmo cliente, feitas em dois países diferentes.
“The Story Behind the Still” para as câmeras digitais Canon 7D, Ouro para a Grey NY (abaixo, à esquerda).
Já a Leo Burnett Sydney, ganhou o GP criando para o mesmo cliente o Photochains, que usa um princípio parecido: a partir de um detalhe de uma foto de um usuário, os outros eram convidados a fotografar outra coisa. (abaixo, à direita)

A cerimônia terminou com a longa distribuição de leões para Outdoor.
O protocolo só foi quebrado por uma figura português que subiu na hora da entrega de um leão, arrancou a camisa e mostrou uma camisa escrito: “Um dia eu ganho um desses. Estou na Lisbon Ad School”, de quebra o gajo ainda saiu em várias fotos na saída do Palais. Até na Fenêtre, como vocês poderão ver mais abaixo. Lá em Portugal, a turma chama isso de “emplastro”.
O jurado brasileiro Marco Versolato, da Y&R, foi recebido com muita festa pelos seus compatriotas. Versolato “conseguiu” nada mais nada menos do que 4 vezes mais leões do que a média brasileira na categoria.
Conversei com ele depois da premiação e ele disse que conquistou o respeito dos demais jurados justamente por não querer puxar a sardinha para o país e sim defender as melhores ideias de onde quer que elas viessem.
Desta premiação, acabei gostando mais da segunda metade, a subcategoria “Ambient” que trouxe cases bacanas como esse de Heineken (veja abaixo, à esquerda)
E o “Swap” de Coca-Cola Zero, da McCann Madrid, que colocava um copo do produto sem açúcar dentro do copo do comum no cinema e lá dentro um comercial convidava as pessoas a pegarem o copo de zero dentro do copinho vermelho de Coca: “um comercial não ia convencer você que o sabor era igual” dizia o filme de cinema, feito para uma promoção, que ganhou em outdoor. Simples e bom.
Fez muito sucesso também o painel digital da AlmapBBDO para a revista Billboard (abaixo à direita) mas a peça para o Andes Teletransporter foi imbatível e acabou levando o júri.
Com o resultado de ontem, mais a expectativa de pelo menos 10 leões em Press que podem ser confirmados nas próximas horas, o Brasil caminha firme e forte para ser o país mais premiado do festival, algo que ainda não aconteceu neste século.

SHORTS

Muito bem, prometi ontem comentar o shortlist de Press e Outdoor e para não deixar de fazê-lo, vou ser breve: achei repetitivo. Vocês podem conferir as peças no site canneslions.com então nem vou me alongar muito no assunto. O Brasil acabou sobrando na turma justamente pela irreverência e pela capacidade de se virar com até mesmo com pouca produção.

MOMENTO AMAURY JR

Olha aí a galera na saída da cerimônia de premiação de ontem.

Dentsu Lew Lara
A Dentsu dando dava uma entrevista a cada degrau que descia da escada do Palais. O time da Lew’Lara rindo à toa.
Fischer Portugal Marco Versolato e Miguel Bemfica
A “equipa” brasileira da Fischer Portugal e o “emplastro” da Lisbon Ad School. O jurado Marco Versolato, da Y&R, recebe os cumprimentos do amigo Miguel Bemfica, da JWT Madrid.

FALAM OS LEITORES

GUSTAVO BASTOS, 11/21:
Antonio Carlos Accioly e Fabio Seidl"Fabio, parabéns por mais uma cobertura mineiríssima de Cannes. Mas faço uma crítica séria: poucas fotos do Accioly. Veja que no post de hoje, dia 22, vemos várias fotos de pessoas que estariam em Cannes, mas a gente não pode saber ao certo, já que não há um Accioly nas fotos para comprovar. De resto, parabéns."
SEIDL RESPONDE:
O amigo tem toda a razão. O que aconteceu é que ontem uma falha na transmissão das fotos fez com que esta bela imagem do Accioly cornetando a minha coluna ficasse de fora. Mas segue a própria para quem já estava com saudades do nosso Acciolito.

MARIO BARRETO, Imagina:
"Todos podemos perceber que as condições da excelsa cobertura melhoraram demais!
Onde estão as reclamações do hotel? Não ficas mais hospedado nos pulgueiros dos anos passados né?
Penso que, uma vez dominada a técnica do jabaculê agora o nível é suíte dupla no Martinez.
E isso depois de um Safári Africano... És um nababo.
Estou por aqui acompanhando diariamente, só esperando onde este fausto irá parar.."
SEIDL RESPONDE:
Mário? Que Mário? Ah, aquele. Só não me lembro quem é esse Fausto. E essa ex-Celsa é alguma ex- minha? Que condições são essas dela? O filho não é meu, juro. Sobre o hotel, este ano temos patrocinador e não podemos ficar falando mal das condições da carceragem, nem da ração, nem dos banhos de sol a que temos direito todas as quintas-feiras, das onze da noite às onze e quinze.

DANIEL XAVIER, Cartoon Network:
"Seidl, eu tava aí também na Copa de 2002. Foi quando no conhecemos na sala de imprensa e também a minha única vez no festival. Hoje, começa Cannes e eu corro pro Janela pra te ver representando firme e forte o jornalismo gonzo e lembrar daquele ano. Grande abraço!"
SEIDL RESPONDE:
Obrigado, Daniel. O que a gente quer é isso mesmo, fazer uma cobertura muito gonzada. Sobre aquele nosso encontro. Sabe como é, eu estava bêbado, foi só por uma noite, uma brincadeira entre amigos e...bem, você nunca mais ligou, hein? Beijo, gato.

ANDRÉ PELLENZ, diretor
"Fabio, como o querido e amado produtor da série que estou dirigindo, o Accioly, está aí com você, no bem-bom enquanto a gente tá ralando aqui, lembrei de Cannes e... da Fenêtre, claro! A única fonte confiável de informação séria, imparcial e relevante deste festival.
Aproveito o clima da Copa pra vc lembrar aos leitores, já que é época de Copa, daquele jogo em Marselha que fomos assistir e que... o Brasil perdeu. O dia em que descobrimos que publicitários são um bando de pé-frio. Você estava, não?"
SEIDL RESPONDE:
Então vamos lá a duas informações: uma séria e outra confiável: A séria, na Copa de 98, você só pode estar querendo jogar a sua fama de pé frio pra cima de mim. Eu não fui nesse jogo não. Era só um guri na época. Agora, a confiável: Accioly está em todos os lugares. Portanto, pode procurar aí atrás da sua estante, na despensa, no bolso, deve ter um Accioly aí em algum lugar.

Continuem usando o seu tempo ocioso mandando trelelês para:
[email protected] e [email protected]


RITMO DE FESTA

E não é que deu overbooking na festa de ontem também?
Por algum motivo, esqueceram de avisar os delegados de que a festa de gala que abre o festival é normalmente chatinha e olha só: foi todo mundo.
Depois das 22h, uma hora depois do rega-bofe começar, já tinha uma multidão barrada.
O certo seria o pessoal que chegou mais tarde esperar os apressadinhos comerem, beberem, chegarem em todas as suecas, caírem de bêbados e serem resgatados pela ambulância para poderem entrar.
Mas o que acabou acontecendo comigo, pasmem, é que ao ver o meu crachá de Press “B”, o chefe da segurança acabou permitindo que eu passasse na frente dos demais esfomeados. “Está trabalhando!”, disse ele aos seus asseclas. Mal sabe o pobre coitado do que eu realmente faço por aqui.
E o baile tava uma uva. Tinha aquela turma que ficava só pegando o camarãozinho da paella e deixava todo o arroz (essa nossa classe mérdia é uma média mesmo) e ainda a rapaziada que não podia esperar na fila do banheiro e tirava a água do joelho na caruda, do lado do píer do Hotel Carlton, na frente da área reservada aos bambambans do festival.
Presença garantida também de, ora vejam vocês, Antonio Carlos Accioly, o homem e o mito, registrado aqui tirando uma cerveja morna das mãos deste humilde missivista. “O Marcio falou que você não pode beber, tem que trabalhar!”
Agora fala a verdade: em que outra cobertura jornalística de Cannes você vê: babuínos transando, um sujeito chamado Buceta, um cara fazendo xixi na frente de todo mundo e a desenvoltura múltipla do Accioly em toda sua plenitude?

MOMENTO AMAURY JR FESTA

Louise e Cleber Paradela Duda e Marcos Pedrosa
Louise e Cleber Paradela (Agência Tudo) Duda e Marcos Pedrosa (CGcom)
Família Ehr Ray Paula, Righi e Krysse
Erh Ray, da BorghiErh, festa é estar com a família. Detalhe para o “hang-loose” do Rayzinho. Paula, Righi e Krysse: a Fulano Filmes em ação na Cote D’Azur.

BICHADO

Uma contusão, graças a um pisão no pé, me tirou da fase final do Campeonato de Beach Soccer e para mim, acabou o sonho do bi nas areias da Riviera francesa.
Aliás, para o Brasil também. Depois de perder por 5 X 0 da Estônia, o time acabou eliminado do campeonato, apesar de ter vencido a Argentina nas quartas (jogo duríssimo, 3x2 e os devotos de Maradona tinham feito 15 gols em 3 jogos). A boa notícia, para o Marcio, é que com isso consegui assistir alguma coisa do festival.

DANDO UM GOOGLE NOS NÚMEROS
A palestra do Google teve como orador o brasileiro Henrique de Castro.
E infelizmente, acabei encontrando o que muita gente havia comentado ontem que tem rolado nas palestras: uma apresentação de case ao invés de uma palestra.
Henrique começou bem humorado, sacaneando alguns argentinos, mas o que apresentou a seguir foram muitos números que vendiam a empresa.
Era como convencer os beduínos da importância da água.
Todo mundo já sabe que sem o Google, ninguém mais sai de casa. Acabou surpreendendo pouco.
OUTRAS IMPRESSÕES
Conversando com as pessoas ontem na festa, mais de uma pessoa comentou um ponto interessante: Cannes está virando um festival onde mais vale a história que você conta, do que o que realmente você faz.
Ou seja, os cases são tão ou mais importantes do que as ideias.
E eles ou impressionam, ou são meras prestações de contas.
Os que impressionam, podem ou não ter realmente funcionado nos seus países de origem. E duvido que o Festival tenha como medir se tudo aquilo que se conta aqui nas votações é verdade, se foram mesmo 500 mil pessoas que participaram daquele flash mob ou se o jornal da TV que mostra a repercussão da campanha é relevante.
E os que prestam contas, a maioria, fazem mais do mesmo e podem acabar mostrando a ideia de uma maneira fraca, mesmo que ela seja boa.
E agora? Como evitar que o festival vire um campeonato de histórias?
SPIKE JONZE
Se um dia eu tiver a honra participar do Programa do Raul Gil - assim como grandes nomes da cultura e das artes brasileiras como Alexandre Frota, a Carla Perez ou os caras do Grupo Molejo - eu quero tirar o meu chapéu para o Spike Jonze.
Jonze é um dos maiores diretores da história recente da publicidade e do cinema. E é um cara extremamente simples. Na sua palestra, patrocinada pela Kraft Foods, resumiu o diferencial seu trabalho em dois pontos.
1. Dizer não. Foi isso que o ajudou a concentrar sua energia em coisas que realmente quis fazer e que achou que saberia fazer. Recusar clips milionários para fazer curtas de baixo orçamento. Recusar roteiros de escritores premiados para acreditar em ideias novas.
2. Trabalhar com a raiz das ideias. Isso significa, sentar com os roteiristas ou criativos e tentar entender o caminho que eles levaram até chegar aquele produto, supostamente, final. Ele diz que procura sempre fazer o caminho de volta com eles para entender o que era a intenção inicial da ideia pura, o que foi deixado pelo caminho e porquê.
Falou pouco, mas disse muito.
ADICIONANDO NO FACEBOOK
A terceira das palestras mais disputadas de hoje foi com o fundador do CEO, Mark Zuckerberg. Tinha gente guardando lugar no auditório 2 horas antes.
O americano, de 26 anos, começou uma revolução na internet aos 21, fazendo um novo Orkut se tornar uma nova mania mundial com 500 milhões de usuários até o momento e, mais importante, um grande negócio.
Mark fala da sua empresa com a empolgação - e, às vezes, a oratória - de um adolescente, mas mostra maturidade no que diz respeito a visão e autocrítica da sua empresa.
Diz que não tem planos de vender a empresa tão cedo, diferentemente da maioria dos jovens empreendedores ansiosos de Silicon Valley.
Falou que não enxerga o Facebook como uma empresa de mídia, nem de tecnologia, mas dos dois, um modelo híbrido que o mercado ainda não conhecia.
Fez questão de mais de uma vez, querer se colocar num lado oposto à filosofia da Apple, que oferece uma plataforma cada vez mais aberta e gratuita.
Sobre o segredo do seu sucesso, foi sucinto: todo mundo tem amigos e família e gosta de partilhar as coisas, o Facebook não é uma onda, veio para ficar.
Só sobre a polêmica questão da privacidade, que recentemente colocou em cheque a sua empresa, que estaria disponibilizando os dados dos usuários para fins comerciais é que ele falou, falou, e não saiu de cima do muro.
Disse que estão melhorando e que as pessoas tem que aprender também a se preservarem ou se flexibilizarem sobre isso.
Revelou também o próximo passo do seu portal: a localização. Ou seja, vai incorporar o conceito do Foursquare e dizer onde nós e nossos amigos estão.
Deus me livre.
OUTRAS COBERTURAS EXÓTICAS
Tá pensando que só a Janela é esquisita? Os brasileiros José Carlos Lage e Alexandre Mastorillo, da produtora paulista Imagem e Cia criaram a cobertura “Dois Caras e 1 iPhone” e estão fazendo entrevistas de uma pergunta só com a brasileirada por aqui.
Confira no site dos caras: www.imagemcia.com.br
Mas o campeão do jornalismo-fanfarrão é o David on Demand. O figura aí do lado anda com uma câmera na cabeça, um computador e um fone recebendo ordens ao vivo das pessoas pelo twitter dele @davidondemand.
A galera vai acompanhando no site onde ele está, ao vivo, e mandando ele fazer qualquer coisa. E ele faz. No próximo ano, a gente podia ter um Ehrlich On Demand, o que vocês acham?
ESQUENTOU A CHAPA
Depois da farta e abundante distribuição de leões nos primeiros dias do festival, tivemos um parco leãozito em Cyber, categoria onde somos craques. A cara da turma digital por aqui não é de bons amigos.

MOMENTO AMAURY JR RESSACA

Olha aí os poucos bravos que estavam de pé hoje cedo para assistir os seminários
Fred Saldanha, da Ogilvy, festejou os 10 leões da sua agência até o momento, mas ligou o despertador.
Já Ícaro Dória, brasileiro que trabalha na Goodby San Francisco, só faltou trazer um colchonete para lidar com o fuso horário de 9 horas da sua casa até aqui. Um sujeito fez uma brincadeira de “Adivinha Quem É” comigo na saída do Palais. Adivinhem quem era?

AQUELE ABRAÇO

Para Ana Alqueres, do Britannia e Bernardo Romero, da África que estão acompanhando a nossa cobertura de chantilly com chocolate granulado, castanha e cereja do Festival de Cannes.
Continuamos recebendo ofensas, cobranças e chamegos em [email protected] e [email protected]

O redator Fabio Seidl é o enviado especial da Janela em Cannes 2010.