Janela Publicitária    
 
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Na Web desde 12/07/1996.
 
A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes.
 

20 de junho de 2012, quarta-feira

UMA AZÁFAMA

Vasco Condessa, claramente preso em uma azáfama.
Vou começar a coluna ao contrário hoje, pela seção de cartas.
Vocês não acreditam, mas a Fenêtre faz um sucesso em Portugal. Parece que lá eles entendem minhas piadas.
E hoje veio de Lisboa a correspondência do Vasco Condessa, criativo da DraftFCB e músico de uma das melhores bandas de jazz do planeta, o Soaked Lamb (dá um Google neles agora). Vamos a isso:
“Só para dizer que comecei a ler a Fenêtre, já com a lança da crítica apontada aos teus disparates. Continuo a não perceber como consegues fazer parte da selecção de futebol (só se o Mano também seleciona essa)
Este ano cheguei mais tarde porque com os chefes a passear em Cannes, está aqui uma azáfama. Grande abraço.”

Bom, tive medo da lança do Vasco apontada para mim, mas, principalmente, adorei a palavra azáfama. Morei quase 3 anos na Lusitânia e não conhecia.
Por isso, vou usá-lá, mesmo sem saber o que ela significa, em todas as notas de hoje, em diferentes contextos e vocês vão ver como ela se encaixa. Vamos nessa.

OUTDOOR, MOBILE, MEDIA E... O QUÊ MESMO? AH, EFFECTIVENESS

Em 2013 o Festival deveria vender uma cota de patrocínio para a marca esportiva Fila. Mais adequado, impossível.
O festival já está muito mais cheio, com salas de palestras transformadas numa verdadeira azáfama, e quase não consegui lugar na cerimônia de ontem.
Foi até rápida a entrega, mas porque as pratas não foram exibidas no palco, só citadas.
E você sabe que o site de Cannes virou veículo, né? Não tem mais bobo no futebol.
Então agora, filmar nem pensar. Já teve veículo brasileiro ameaçado de expulsão do evento porque estaria disponibilizando conteúdo que seria do site de Cannes antes mesmo de eles colocarem no ar. É o bicho vindo, véi.

OUTDOOR

Destaque para a Giovanni, aqui em Cannes chamada apenas de DraftFCB Brasil, que subiu duas vezes ao palco para receber o ouro pelos ótimos anúncios de JVC.
Anteontem comentei aqui que a AgeIsobar merecia ouro com as Real Fruit Boxes e finalmente rolou. Os caras subiram pra pegar. E os criativos da Ogilvy, Marcelo Padoca e Fernando Reis, chegaram literalmente correndo ao Palais pra buscar o prêmio deles por Forbes. O voo dos caras pousou às 18h em Nice, que fica a 40 min de Cannes. E o evento começou 18h45. Vieram com a roupa que estavam na agência. Mais azáfama, impossível.
A turma da DraftFCB Brasil, mais conhecida como Giovanni, numa das subidas ao palco.
A Age Isobar recebeu seu merecido Leão pelo Real Fruit Box.
Padoca e Reis no clima de festa "venha-como-estiver".

MOLEQUE, ASSISTENTE, CHINÊS E VENCEDOR DO GP

Se alguém dissesse que um assistente de arte de 19 anos lá da China, com uma peça que você nunca viu na vida ia ser GP em Cannes, você acreditaria?
É, teve gente chiando, mas o GP de Outdoor (em Billboard) Ogilvy China para Coca-Cola, mas, azáfamas à parte, foi unânime para o júri, o que aliás, é raro.
O segundo GP Chinês em dois anos seguidos (em 2011 foi Press para Samsonite) foi criado pelo estudante de design Jonathan Mak, que só tem um ano de profissão.
É dele também uma ilustração que rodou o mundo quando o Steve Jobs morreu, com a imagem do fundador da Apple dentro de uma maçã. Olhando bem, tem a mesma pegada. E foi por essa imagem que a agência convidou o moleque pra trabalhar.
O outro GP de Outdoor (em Ambient Media) foi para a Jung Von Matt, com o carro invisível da Mercedes que, soubemos aqui, contou com a colaboração dos engenheiros da própria marca.
O cartaz da Coca, GP em Outdoor.
O chinezinho Jonathan Mak, que nem passou por Young
mas já levou GP.
O carro invisível da Mercedes, era aposta óbvia para Leão e levou GP

EFFECTIVENESS

Olha, a categoria, claramente criada para fazer sombra a um prêmio bem mais estruturado sobre eficiência, os Effies, não rolou.
Apesar da boa intenção de envolver os clientes como jurados, ninguém entendeu, a apresentação é azáfama, ficam os jurados apresentando os cases, os critérios são confuso, não deu.


MEDIA

A Duval Gullame da Bélgica, do grupo Publicis, foi a agência do ano nessa categoria e para mim, junto com a ServicePlan Munich que comentei ontem, um dos grandes destaques do ano. Trabalho consistente, divertido e que vem ganhando vários prêmios.
A peça Push to Add Drama para o canal TNT, já perdi a conta de quantos prêmios levou
E a ação para Carlsberg, com os Stunt Bikers, também.
Os mais críticos vão dizer: ah, mas essa azáfama aí os caras fizeram uma vez, pra meia dúzia de pessoas. Não é bem assim. Pensa nisso como um comercial baratíssimo que bombaram no YouTube, atingindo milhões de pessoas.
Num país como o Brasil, com 200 milhões de habitantes e com a força de uma Rede Globo, é complicado entender, mas na Bélgica, onde mora menos gente do que em São Paulo, faz sentido.
E pra fechar a categoria olha aí, mais um GP com ideia do ano passado. O de mídia, da OMD Londres para Google Voice Search já havia ganho em outdoor e este ano, com um case mais consistente, veio brigar em mídia. Tá na regra.

Repita comigo: pih-ka-di-lee sur-khus

O case Push to Add Drama, do canal TNT
Você entraria no cinema com essa turma na plateia?


MOBILE

Eu era incrédulo em relação a essa categoria mas gostei do que vi em Mobile. Achei que ia ser azáfama, só com aplicativos e joguinhos, mas teve muita coisa criativa também.
Curto por exemplo a ação Parking Douche, da The Village de Moscou, que levou ouro. A tecnologia aplicada para fazer as pessoas denunciarem, e sacanearem com seus celulares os manés que param o carro na calçada.
E o anúncio de iPad da Bradesco Seguros da Almap é engraçado demais. Leão justo de ouro, capturado aqui por Luíz Sanches e Marcos Medeiros.
Luiz Sanches e Marcos Medeiros subiram ao palco para
segurar o Leão da Almap.
Parking Douche, da The Village de Moscou, Leão de Ouro.
O anúncio da Bradesco Seguros no iPad, criado pela Almap.


PORRERREI

Fiz contas aqui baseado no regulamento antigo do Festival que considerava um leão para cada peça de campanha (ex.: campanha de 3 peças premiada = 3 leões), mas nao é mais assim.
Por isso, a briga matemática do número de leões aqui está mais azáfama, o páreo é entre Ogilvy, Y&R e DM9, as 3 com anos ótimos aqui. E ainda tem categorias por vir.


E A FESTA DE GALA?

La Muvuque de Galle
Eu fui na festinha oficial, mas não estava maneira. Aquela fila pela comida fria, aquelas coroas de 60 anos dançando Barry White, aquela galera queimando a largada com vinho branco e esperando dar meia-noite e meia pra tocar música de “jovem”.
Se bem que era o lugar com menos brasileiros por centímetro de Cannes. A coisa aqui está de tal jeito que os garçons dos restaurantes já estão falando português. Azáfama master.


VIDA DE GADO

Os jornalistas aqui estão apanhando mais do que cachorro magro. Os jurados brasileiros não estão passando informações antecipadamente (tomaram uma prensa dos organizadores) e a imprensa, azafamada, tem que ficar fuçando twitter e facebook de criativo no Brasil que acaba sabendo antes porque tem que viajar pra cá pra receber.
Pra piorar, como o festival encheu mais, além de não ter tomada, não tem mais mesa e cadeira vaga na sala de imprensa. Mas também, só de brasileiros, são mais de 50 ralando.


OK GO

As marcas ainda não entenderam as redes sociais.
A palestra mais bacana que vi ontem foi a promovida pelo YouTube.
Damian Kulash, vocalista e diretor dos clipes do Ok Go, Matt Elek, da excelente revista Vice e Marc Espeichert da L’Oreal falaram sobre Inovação e o Poder do Vídeo.
Damian trouxe bons insights. Defendeu que mídia social é mais simples do que as marcas pregam e tem um caminho, que pra ele funciona, simples: as pessoas compartilham o que é engraçado, o que as deixa impressionadas (é novo, ou grandioso, trabalhoso etc) e o que as deixa com medo.
O problema, segundo ele, é que as marcas ainda são muito azáfamas, não entenderam isso, nem que o seu papel mudou e que não dão mais as cartas.
A sensação que tenho é que tem muita gente jogando dinheiro fora, sem saber o que está fazendo. Tem muito investimento em pesquisa de opinião e pouco em inovação.


PIRA PIRA PIROU

O único jeito de uma mulher te dar bola em Cannes.
A porta do Palais tá parecendo a saída do Metrô da Carioca, ou para os paulistas, o Viaduto do Chá, todo dia tem um louco fazendo uma azáfama que ninguém sabe a razão. Ontem era essa doida num balão jogando papel prateado. Logo depois chegou um cara fazendo bonequinhos com balões. Em seguida, apareceu o Accioly. Só maluco.


BRASIL, MOVIDO A ÁLCOOL, PARA NA HOLANDA

The equipe pray in de left e in de raite,
bat not control de mete.

Nos comportamos como verdadeiros craques da seleção na Copa do Mundo. Só que nesse caso seríamos Ronaldinho Gaúcho e Adriano Imperador.
Vindo praticamente direto das festas de ontem, o time do Brasil entrou em campo suando a camisa. E no suor, veio aquele cheiro de mé. Azáfama total.
O jogo das quartas de final entre a Laranja Mecânica, campeã do futebol em Cannes 2010, e a Banana Mecânica, atual campeã, foi parelho, com boas chances dos dois lados.
Melhor para o time holandês que marcou num erro de saída de bola brasileiro e ganhou pelo placar mínimo de 1x0, em um jogo em que até o juiz veio da balada e chegou 45 minutos atrasado.
Vale lembrar que no ano passado, apesar do nosso título, também perdemos para a Holanda na fase de grupos.
O Brasil deve ainda entrar com um recurso para pedir um anti-dopping contra os holandeses, frequentadores dos coffee shops de Amsterdã.
O problema é que a própria seleção brasileira bebeu a cerveja que serviria para estimular os representantes dos países baixos a fazerem xixi para o exame.
Resta agora torcer contra os argentinos e, segundo muitos na praia, a favor da sueca Maia, única mulher do campeonato e que já recebeu o singelo apelido de “escandinava com bunda de mulata”.


AZAFAMANDO POR AÍ

Estas foram as pessoas que flagramos em situações azáfamas na Cote D’Azur ontem. Confira se o seu cônjuge ou funcionário está nesta lista ou continua desaparecido em Cannes:
“Foto pra Fenêtre? Boa, senão o Clóvis Speroni vai achar que a gente não veio.” Luis Claudio Salvestroni, da Agência 3 e Paulinho Castro, da Staff, dando satisfações ao chefe. Na verdade, isso é Photoshop, os caras estavam em St. Tropez, gastando champagne no cartão corporativo e pedindo pro garçom colocar como misto quente na nota.
Serginho Lobo, da Santa Clara e Luís Christello, da Heads, fizeram questão de tirar foto com a atração turística principal da cidade, esse carequinha aí da direita.
Pedro Bexiga e Marcelo Lourenço, dupla luso-brasileira da Fuel em Lisboa.
Mais um portuga. Pedro Lima, da Partners, não perde uma Fenêtre. O gajo ganhou a competição de curtas da MoFilm aqui e levou US$ 8 mil.
Carlos Renato Rocha, da Arcos, na festinha de gala.
A dupla brasileira da Pereira O´Dell, Paulo Coelho (esse é mago, mas dos layouts) e Arício Fortes, comemorando seu leão pelo livro do Snoop Dogg.
Fred Sartorello, da We, marca presença no Happy Hour, uma das melhores coisas do festival.
Duda Salles, da DPZ, está com um olho no Festival e o outro no final do curso da Berlin School, que tem o último módulo aqui em Cannes.
Esse criativo mascarado diz ter a informação do nome do meio de Marcio Ehrlich (que o Gláucio Binder insiste em escrever dizendo que não existe, evocando as origens israelitas do nosso editor). Aguardem e verão.
Accioly: virou o rei do jabá em Cannes. Só hoje de manhã, já tinha descolado 6 camisas, 2 bonés, 2 óculos, uma toalha, 3 bolsas e um monte de coisas que ele nem fazia ideia o que era. Mas aquelas mochilas bacanas que a Margarida dava por aqui, nada, né Acci?


ESCREVE AÍ

Você quer compartilhar suas ideias? Você quer mandar suas azáfamas? Você quer o tchu? Você quer o tchá? Então escreve para tchetchetcheretchetchê o Fabio Seidl e você: [email protected] ou pro Marcião: [email protected]


O redator Fabio Seidl é o enviado especial da Janela em Cannes 2012.