Janela Publicitária    
 
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Na Web desde 12/07/1996.
 
A Fenêtre é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes.
 

21 de junho de 2012, quinta-feira

PRESS, DESIGN, RÁDIO, CYBER

Em Cannes, não é impossível ver tudo. É impossível ver 20% do que acontece.
E pelo volume de peças também acabam rolando constrangimentos como você não dar os parabéns para alguém que teve um bom resultado.
Pior, algumas peças na ala de exposição do Palais estão sem a etiqueta de Bronze, Prata ou Ouro. Simplesmente não foram colocadas, apesar dos anúncios terem sido premiados. Mas vamos à premiação de ontem.


PRESS

Hugo Veiga Diego Machado e Anselmo Ramos
A Ogilvy de volta ao palco do Palais, com Hugo Veiga, Diego Machado e Anselmo Ramos.
A Ogilvy subiu ao palco de novo, desta vez com o trabalho para a Claro, Road Letters. E o GP ficou com o esperado Unhate, para Benneton. A peça é assinada por uma agência italiana, a house Fábrica, e outra californiana, a boutique, 72andSunny e até agora eu não entendi como essa colaboração aconteceu.
As polêmicas campanhas da Fábrica, que nos anos 90 tinham a assinatura do fotógrafo e diretor de criação Oliviero Toscani (alô, molecada e estudantes, Google no cara), não costumavam ser inscritas em festivais, mas agora voltaram com tudo.
E falando em anos 90, parece que eles voltaram a ser tendência por aqui. O que tem de ideia velha reciclada é uma grandeza. Será a publicidade sustentável?
Só ontem consegui dar uma bizoiada nessa categoria e olha, não gostei muito não.


DESIGN

A categoria é a que trouxe trabalhos mais diferentes até agora, e o domínio foi todo oriental, sobretudo japonês.
Trabalhos geniais como as algas de sushi com design para aumentar as vendas do produto da BBDO Tokyo, ou a colaboração da banda OK GO com a Hakuhodo para o Google se destacaram.
Algas de sushi com design da BBDO Tokyo.
"All is Not Lost", da Ok Go e Google.


RÁDIO

A dupla brasileira da Talent responsável pela criação do spot vencedor do GP não conseguiu chegar, mas o DC João Livi estava aqui para recolher o troféu histórico para a categoria.
É que a discussão sobre o Grand Prix foi terminar 3h30 da manhã de Cannes, 22h30 no Brasil, o que inviabilizou a vinda dos caras.
A ação vencedora é muito bacana: transmitiram conteúdo na rádio Bandeirantes na frequência de um repelente de mosquitos, patrocinada pela revista de esportes de aventura Go Outside.
O que se comentou é que o presidente do júri, da australiana #Network BBDO, vencedora dos dois últimos GPs, não estava “satisfeito” com os argumentos apresentados para a peça que disputou o prêmio máximo da categoria com um spot mexicana e outro...da sua agência.
Foram 4 votações diferentes até o resultado final. E no fim das contas, deu Brasil.
Talent
A Talent sobe ao palco para levar o inédito GP de Rádio brasileiro com o case "Rádio Repelente" para a regista Go Outside.


CYBER

Jack Dorsey
Jack Dorsey mostrou seu passarinho no palco do Palais.
O ponto alto da cerimônia acabou sendo a homenagem a Jack Dorsey, criador do Twitter e Media Person of The Year no festival, que antecedeu a entrega de cyber. Dorsey fez um discurso que falou sobre velocidade e objetividade da informação, tudo que a cerimônia de entrega dos leões de Cyber acabou não conseguindo ter.
É que as peças estão tão sofisticadas que é difícil contar num videocase a ideia, ainda mais sem poder interagir com ela.
Mas esse é o futuro próximo da premiação, ter cada vez mais coisas digitais. Então como lidar com essas apresentações? Por que eu insisto em fazer perguntas retóricas na coluna? Será que eu acho que vocês vão responder daí?


CLIMA DE VELÓRIO

Muita gente não conseguiu tirar onda em Cannes este ano.
Foi esse o termo usado por um criativo de uma grande agência que não atingiu aqui o resultado esperado. Para piorar, outras agências foram bem. Mas eu escutei outra coisa do Ricardo Chester mais bacana: tem dias que o mar não tem onda na sua praia. É por aí.


DISSE NÃO AOS PUBLICITÁRIOS, FOI APLAUDIDO DE PÉ

JR in Rio JR in Rio
JR está de olho em você.
JR é francês, faz arte urbana e fez a melhor palestra de Cannes até o momento.
O trabalho dele, os cariocas conhecem bem. Foi ele quem fez a colagem de olhos em preto e branco nos Arcos da Lapa e depois imprimiu rostos gigantes de pessoas e colou nas suas casas, nas favelas do Rio.
O cara roda o mundo fazendo uma arte que amplifica os olhares marcantes em PB e os cola em locais inusitados: de prédios em Nova Iorque à comunidades destruídas pela guerra na África. De trens na Índia à faixa de Gaza.
Mostrou suas instalações aqui no seminário da DraftFCB, apresentado pelo próprio Howard Draft que não por acaso, coleciona trabalhos seus.
O tema era Arte vs. Publicidade e ele revelou que, apesar da montanha de dinheiro que os publicitários oferecem a ele, não tem interesse em trabalhar com a gente.
Disse ele: “O artista é livre, não tem prazo, nem precisa fazer concessões ao gosto dos outros. O artista cria melhor porque tem direito de errar, e meu negócio é a surpresa. Mas sim, tenho prazer em tirar dinheiro de vocês, como hoje, quando me dão a chance.” E saiu aplaudido de pé.


DIGITAL NO PAPEL

Muita gente estranhou ontem. Por que o figura Bob Greenberg, lenda da comunicação digital e fundador da R/GA, apresentou sua palestra inteira usando um bloquinho cheio de rabiscos, e se perdendo nas folhinhas, ao invés de usar um tablet ou um Mac, como todo mundo?


PAPEL NA PAREDE

Cantada dos holandeses viralizou.
Comentei aqui do maníaco do Post It.
Agora, o pessoal está colando nas paredes etiquetas dizendo o que merecia Ouro, Prata ou Bronze.
Os papéis, na verdade, eram uma brincadeira dos Youngs holandeses que para que o público escolhesse os homens e mulheres, totosos ou totosas, que merecessem prêmos. A ideia para cantada virou outra coisa.


GOODBY ROCKS

Jeff Goodby
Hello Goodby.
A Young Lions Zone, área dedicada aos Youngs, tinha gente saindo pelo ladrão. Centenas de pessoas, a maioria de pé, assistiram o lendário Jeff Goodby, criador e criativo da Goodby, Silverstein & Partners falar por mais de uma hora.
Com seu tradicional rabo de cavalo grisalho, de bermudão, Goodby falou sobre como vender ideias matadoras.
Contou seus casos de persistência, de como colocou a agência para pensar como um movimento de pessoas e não como um negócio, como a confiança pode superar a arrogância e ajudar no trabalho. Tudo intercalado por seus trabalhos para Bud, Hyundai, GM e muito mais. Genial.


WRONG MEDIA LIONS

Isso é papel que se faça?
Essa casa de tolerância aqui em Cannes vai ganhar um leão de mídia errada. Os caras me colocam, na porta do lugar, um puta cartaz: “Pole Dance All Night” e ao lado um papelzinho escrito à mão: “Precisamos de mulheres”. Puta ideia ruim. Literalmente.


BOLUDOS

Flagrante dos hermanos dentro da G Lounge.
Os argentinos de uma produtora podiam escolher Cannes inteiro para fazer a sua festa aqui. Na praia, numa das trocentas boites ou hotéis que tem por aqui. Ou até no McDonalds. Mas não, preferiram fazer numa balada gay, o G Lounge. Então tá.


O FENÔMENO MASSIVE

Presença massiva na festa da Massive.
A melhor festa que não fui, mais uma vez, foi a da produtora holandesa Massive, na praia, ontem à noite. Até Ronaldo Fenômeno, que faz palestra aqui nessa 5a feira, prestigiou o evento que tinha uma multidão na porta tentando entrar.
Se você vier à Cannes, tenta descolar um convite pra essa balada antes. Faz um spot fantasma com os caras, sei lá, mas é sempre a melhor festa.


CURINTIA

Ontem os Corinthianos estavam usando uma boa tática, ficar até às 3h da matina na gandaia para “dar tempo de assistir o jogo”.
Alguns se reuniram em hotéis que tinham o canal a cabo Al Jazeera, único a transmitir o jogo por aqui ou com um bom sinal de internet, pra rolar aquela bela pirataria. A noite toda se via gente com a camisa do time.
Por conta disso, o medo de assaltos na cidade aumentou muito também na madrugada. Recebendo emails me xingando em 3, 2, 1....


EVACUANDO

A segurança sempre discreta de Bill Clinton.
A organização de Cannes acaba de soltar uma circular sobre o esquema de segurança para a palestra de Bill Clinton.
Primeiro já avisaram que a gente tem que se pré-registrar e passar por um sistema quase de imigração para assistir o ômi.
Agora pediram para que as pessoas evacuem algumas áreas do Palais. Vou dar uma evacuada no banheiro e já volto.


AZAFAMÊ EN CANNES

Pessoal que está só na azáfama por aqui:
André Kirkelis e Claudio Lima
André Kirkelis e Claudio Lima, da Ogilvy, levando o leão para beber água que o passarinho não bebe.
Cristina Leão Carlos Righi
Cristina Leão, da ESPM, está em família nos Lions de Cannes.
Carlos Righi, da Fulano Filmes, na palestra do Jeff Goodby.
Felipe Cama e Miguel Bemfica Carlinha Carvalho
Felipe Cama, da Dentsu, e Miguel Bemfica, da McCann Milão, se reencontrando.
A produtora internacional Carlinha Carvalho só chegou ontem. E já caiu no Martinez.
Miguel Mastrocessario, o Cebola Paulinho Areas e Pancho Cassis
O maestro Milton Mastrocessario, o Cebola, da WMcCann, sabe tudo de Cannes.
O brasileiro Paulinho Areas e o espanhol Pancho Cassis, da Lola Madrid.


AZÁFAMA, A EXPLICAÇÃO.

Teve gente achando que Azáfama era o nome do meio do Marcio Ehrlich, só que não.
Vasco Condessa, que começou com essa história, esclarece:

“Azáfama (árabe az-zahma) s. f.
1. Actividade. Atividade. Atividade intensa. = AFÃ
2. Muita pressa ou intensidade na realização de algo. = AFÃ, CORRERIA
3. Falta de ordem. = ATROPELO, BALBÚRDIA, CONFUSÃO
Só conhecia o significado de “actividade intensa”.
O “atropelo, balbúrdia, confusão”, desconhecia. Deu-te muito jeito porque acertaste algumas sem saber bem como. Como tanta gente em Cannes.”

Valeu, Vasco!


MERCI BEAUCOUP

Gente que segue escrevendo para a Fenêtre, mesmo sabendo o risco que isso pode representar para o respeito que os amigos tinham por elas:
Guga Diehl, da 9ine; Marcelo Maia, da NovaSB; Mauro Silveira, da Giovanni DraftFCB; Camila Caruso, da Bullet.
Muito obrigado, minha gente.
Continue mandando seus chamegos e cafunés para [email protected] ou sugestões de aumento de cachê para o meu editor Marcio “WhatsHisMiddleName” Ehrlich: [email protected]

O redator Fabio Seidl é o enviado especial da Janela em Cannes 2012.