Janela Publicitária    
 
 
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Na Web desde 12/07/1996.
 
11:21 PressCell   Prêmio Colunistas - Participe!
Bl3nd LuchaLibre X-Tudo
A Fenêtre Publicitaire é a cobertura da Janela Publicitária em Cannes 2015, por Marcio Ehrlich, Fabio Seidl e Antônio C. Accioly,
com o patrocínio da 11:21, Bl3nd, Lucha Libre, PressCell e X-Tudo.
 

PITACO DO DIA: IDEIAS "PARA CANNES".

Marcio Ehrlich na Arca de Noé
Quando a gente era mais novo nesse negócio de publicidade -- menos o Marcio Ehrlich que já trabalhava com publicidade quando Noé criou aquela ação da Arca para salvar os animais para o WWF – se ouvia muito a história da ideia “fantasma”.
O termo foi criado pelo maestro Washington Olivetto nos anos 90 e a definição era simples: fantasma era o que não existia na vida real: o cliente não aprovou, não veiculou ou nunca viu.
Depois de oito punições em 12 anos a fantasmas premiados, Cannes decidiu: se vier de Gasparzinho, a jurupoca vai piar, e vocês não brincam mais.
E tal como Bill Murray e Dan Aykroyd contra o gigante de Marshmallow, esperava-se ter posto fim aos ectoplasmas.
Mas os tempos são outros. Ficou mais fácil veicular ou convencer o cliente também. Coloca no Youtube ou veicula uma vez numa revista qualquer e tudo certo. E isso, gostem ou não, está na regra.
E aí veio outro problema. O termo de duplo sentido “ideia pra Cannes”.
A agência criou tal ação. É ideia para Cannes. E agora, isso é bom ou ruim? Uma “ideia pra Cannes” pode ser uma ideia que só tenha sido criada para o festival, sem intenção de mudar pissirica na vida de alguém, nem da marca (ou ONG), nem de quem vê a ação.
Mas uma “ideia de Cannes” também pode ser algo genial, que merece ser premiada no maior festival de publicidade do planeta. “Muito boa essa ideia. É ideia pra Cannes”.
Volta pra gaveta, preibói
If there's something strange in your agency.
Who ya gonna call?
É para se preocupar. Se o lado negro da força dessa expressão tomar conta, já era. Perde-se o respeito pelas agências, criativos, pelo festival, por tudo.
Como é impossível controlar a vontade de ganhar prêmios que ainda ditam o mercado das nossas curtas carreiras, só é possível separar as boas ideias “para Cannes” das mequetrefes através de um critério: a relevância.
Que elas tenham servido de fato, para a marca e para o público. Ainda que tenham sido um protótipo (e existem categorias para isso) ou um único evento.
É claro que Cannes tem celebrado mais as grandes ideias, e várias delas populares: Dove Sketches, Dumb Ways To Die, I Spent it On Myself, Write The Future, todas de Old Spice... Mas com tantas categorias e tantas inscrições abre-se a porteira para passarem ideias que tenham sido tão e somente criadas “para Cannes”.
Bola rolando. Ou melhor, quicando. Boa sorte para todos nós que gostamos da profissão e do jogo, e mais ainda para os jurados. Que as ideias mais premiadas sejam excelentes e para a vida real.



CARTAS PARA A REDAÇÃO

A coluna mal começou e já estamos recebendo sugestões de pauta, alguns comentários elogiosos, vários insultos e 3 convites para sermos príncipes de festas de 15 anos.
Então, faça como o amigo Rafael Simi que há 250 anos escreve pra gente e nunca recebeu uma resposta: mandem a correspondência para a [email protected] ou poste comentários no Feicebuque da Janela Publicitária, abaixo das matérias. Você também pode mandar um fax ou um telegrama animado. É só procurar a gente nas Páginas Amarelas.
Uma hora a gente responde aqui. Essa é uma cobertura democrática, ou seja: feita com a vontade do demo.


Fabio Seidl é o credenciado da Fenêtre para dar pitacos.