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Globo conta os bastidores de “Movido a Respeito”, seu terceiro Leão em Cannes

A criativa Monica Tommasi durante a gravação do vídeo.

Assinado pela Globo, o trabalho “Movido a Respeito” foi um dos destaques de Cannes 2017 entre os criados por profissionais do Rio de Janeiro. Além do Leão de Prata em Creative Data – o terceiro prêmio de Cannes na história de premiações da Globo Comunicação –, foi finalista em Cyber e Digital Craft.

Nele, um carro de Fórmula 1 é dirigido apenas pelos impulsos cerebrais de um piloto tetraplégico, Rodrigo Hübner Mendes, que perdeu todos os seus movimentos após ser baleado em um assalto quando tinha apenas 18 anos.

A ação, que entrou no ar em março deste ano, como parte da mobilização para a nova temporada de F1, faz parte da plataforma “Tudo começa pelo Respeito”, lançada pela Globo em 2016, em parceria com a Unesco, Unicef, Unaids e ONU Mulheres,com o objetivo de ajudar a sociedade a respeitar e discutir os direitos de públicos vulneráveis à discriminação e ao preconceito.

Marcelo Felicio, com a camiseta do projeto Respeito
Marcelo Felicio, com a camiseta do projeto Respeito

A Janela conversou em call com os criativos do trabalho, Marcelo Felício, Alexandre Tommasi e Monica Tommasi, e com os diretores de criação da Globo Comunicação, Mariana Sá e Leandro Castilho, que, até chegarem ao dia final da gravação da pilotagem de Mendes, trabalharam no projeto por sete meses, com mais de 100 pessoas envolvidas no desenvolvimento da tecnologia necessária para o piloto realizar seu feito em segurança.

Na verdade, a criação não estava atendendo a um briefing específico. Desenvolver novas ideias para a plataforma do Respeito já faz parte do dia a dia da equipe. Quando se depararam com a informação de que, meses à frente, a Globo lançaria a divulgação do campeonato de 2017 de Fórmula 1, a equipe de criação lembrou-se de uma traquitana que sua equipe de tecnologia havia apresentado durante os Jogos Olímpicos de 2016 – o aparelho “Emotiv” – que, à época, fora usado em um game no qual o usuário podia comandar um bonequinho apenas usando as ondas mentais. O pensaamento surgiu logo como algo totalmente radical e Jedi: “por que não comandar um carro com a mente?”. Se desse certo, com certeza reforçaria o conceito que a plataforma gostaria de passar, de que “o poder está na cabeça das pessoas”.

Tan Le e o aparelho Emotiv, que capta as ondas mentais

Daí entraram em contato com uma das criativas do Emotiv, a vietnamita-australiana Tan Le e partiram para descobrir como fazer a ideia virar realidade.

Paralelamente, precisariam de um piloto para a experiência. Foram convidar como consultor Rodrigo Mendes, que mantém, desde 1994, a ONG Instituto Rodrigo Mendes, que trabalha na inclusão de pessoas com deficiências e já tinha contato com a Globo em outros de seus projetos sociais. Quando pediram a indicação de um piloto para a prova, Mendes quase chorou e determinou: “o piloto sou eu!”. Dirigir um F1, ficaram sabendo os criativos, sempre tinha sido um sonho seu.

Mariana Sá, diretora de criação da Globo
Mariana Sá, diretora de criação da Globo

De um simples banco com rodas até o carro de F1, vários protótipos foram desenvolvidos, mesmo porque alguns se espatifaram nas tentativas. Até o capacete do esporte teve que ser adaptado, para acomodar em seu interior o Emotiv. O produto final não ficou a dever à tecnologia presente nos monopostos de Hamilton e Vettel. Inclusive em relação à segurança. Um computador de bordo acompanhava cada milímetro do trajeto, para garantir que Rodrigo Mendes não se acidentasse ou precisasse ser acionada a equipe de bombeiros presente à gravação no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo. De fora da pista, a equipe da Globo recebia todos os dados do carro e de Mendes, para poderem intervir até mesmo na frenagem do equipamento.

“O grande destaque criativo desta peça está na combinação da tecnologia com a nossa plataforma ‘Tudo Começa pelo Respeito’. Acredito que, cada vez mais, criação e tecnologia andarão juntas na busca por soluções que sejam positivas para as pessoas e consequentemente para as marcas. Conseguimos, com o alcance das plataformas da Globo, sensibilizar um grande número de pessoas para a campanha e ainda divulgar a abertura da temporada de Fórmula 1”, comentou Mariana Sá, diretora de Propaganda da Globo.

FICHA TÉCNICA

Direção de Criação: Sergio Valente, Mariana Sá e Leandro Castilho.
Criação: Marcelo Felicio, Alexandre Tommasi e Monica Tommasi.
Responsabilidade Social Globo: Bia Azeredo, Raphael Vandystadt e Marcia Frizzo.
Atendimento: Carla Sá, Daniela Farina e Patricia Doliveira.
Produção Globo: Jaqueline Couto, Fernanda Ribeiro, Milaine Almeida e Thais Soares.
Tecnologia: Raymundo Barros, Daniel Monteiro, Luiz Gabriel Vasconcelos, Edgar Lima, Carlos Papani, Pedro Viana, Rodrigo Borges, Ricardo Fontenelle, Ivan Tourino, Miguel Araújo, Jan Habbib, Edmundo Hoyle
Efeitos: Gabriel Eskenazi,Éder Rhis, Rodolfo Meato, Júlio César Lopes, Edson Pereira
Produtora: La Casa de la Madre.
Direção: Jorge Brivilati.
Direção de fotografia: Bruno Tiezzi.
Produção Executiva: Renata Martins e Monica Branco.
Montagem Globo: Marcio Vieira, Rafael Fernandes, Carolina Miranda, Ana Paula Brasil.
Pós-produção e finalização: André Carvalho
Produtora de som: Enoise.
Construção do carro: Adhemar Cabral
Fotografia: Rudhy Huhold

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Marcio Ehrlich

Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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