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Toninho Lima: De como ir e onde chegar

Toninho Lima no Bonde

Moderno é ter vários aplicativos de transporte individual no celular e poder escolher entre Uber, Cabify ou 99Táxi para ir sempre de casa até o escritório. O caminho não importa, o preço é tabelado, você só chega. E sempre ao mesmo lugar. Onde haverá a sua cadeira, no mesmo salão, com as mesmas pessoas ao redor. Rotina. Tudo funciona como um relógio. E isso traz uma baita sensação de normalidade. Tudo está estável e previsível. De segunda a sexta, quando você não está na sua casa, está na sua mesa, no escritório. E lá fora, sem que você se dê conta, a vida continua acontecendo. E você não está presente. O chope com os amigos é sempre adiado. Porque, depois de um dia inteiro no escritório, você quer estar de volta o quanto antes ao ponto de partida para o dia seguinte: sua casa. Amanhã vai pedir um Uber, um Cabify ou um táxi no 99. E vida que segue. Sempre do ponto A ao ponto B. E vice-versa.

Moderno é ir de metrô. Cartãozinho recarregável no bolso, mochila nas costas, cada dia uma estação diferente. A metáfora do metrô é perfeita: um dia salto na estação Antero de Quental para uma reunião da Versão Beta, no outro estou na General Osório pensando em um novo livro. Hoje pode ser o roteirista de tv saltando no Jardim de Allah, amanhã pode ser o palestrante saltando na estação da Carioca. Entro em uma estação redator, salto em outra estação professor da Miami Ad School, por exemplo. No metrô eu estou sempre indo. E quando volto para casa parece que estive fora por bem mais do que um dia.

Lembra quantas coisas eu já deixei de fazer por falta de tempo? Pois é. Mas dá muito medo não saber exatamente aonde estou indo. Dá insegurança não ter uma rotina. Ainda mais para um taurino empedernido como eu, acostumado aos pequenos rituais de cada dia. Hoje acordei com aquela sensação de frio na barriga. Na verdade, estou embarcando em um metrô imaginário que me leva de um modelo conhecido e confortável de trabalho para um outro modelo, até então muito enigmático para mim. Mas sei que, assim que eu entrar na estação do Jardim Oceânico e passar na catraca do metrô, estarei indo de novo. Para onde? Ainda não sei.

Mas sei que vou chegar.

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Toninho Lima

Toninho é redator, escritor, marido da Drika e avô da Juju.
  • Elysio Pires

    Toninho Lima, com o seu talento vc chegará sempre no top……

  • Antonio Luiz Accioly Netto

    É Toninho, você tem razão. Hoje em dia raramente, mas raramente mesmo uso carro. A ponto dele ficar no fundo da garagem e ter de avisar ao porteiro com 20 minutos de antecedência para tirar o nó. Incrível como com o tempo certos valores deixam de ter importância. Antigamente metrô para mim era algo exótico e ônibus , ÔNIBUS ! , nem pensar. Pois agora pego metrô todo dia (alem disto, para mim é de graça, mais de 65, pelo menos isto) que me deixa no meio de onde preciso ir e as vezes na volta por preguiça prefiro ônibus,pois me deixa na porta de casa (moro na Av. Oswaldo Cruz). Alem disto me cago de medo de ir com o carro alem do Centro do Rio, ou passar pelas vias coloridas (Vermelha ou Amarela). Quando tiver uma via verde, quem sabe ?Sei que você escreveu de forma metafórica, quase um poema de crônica metropolitana mas a vida vai passando e as coisas menores ficam maiores. E, claro as maiores vão ficando menores. Hoje faço 73 anos. Quando eu nasci poucos passavam dos 60.Pois eu também pego os transportes diariamente a cata de trabalho e oportunidades. Ontem me filiei ao Partido Novo. Pelo que eu soube com o presidente do diretório Rio aqui são 1.200 filiados. Portanto eu devo ser o 1.201. Não é nada, não é nada, mas talvez seja minha forma de tentar reverter alguma coisa no futuro, a gente não pode só reclamar da m(*) em que está tudo. País, Estado e Cidade.Você sempre chegou. Quando a gente estava na Artplan você chegava sempre e chegou lá várias vezes (quantas vezes você saiu de lá e voltou por cima depois ?).Estou vendo a mensagem abaixo de outro craque da publicidade, o Elysio Pires que já foi a meca de uma geração inteira de desejos por todas as agencias do Rio. Ele tambem sempre chegava. Foi com a genialidade dele que fiz uma vez o maior anuncio impresso de publicidade até hoje recorde absoluto no Brasil. Um anuncio inteiro de 32 páginas na Revista Domingo vendendo a Barra da Tijuca e por tabela o objetivo principal, o Condominio Barramares. São grandes talentos. E reis da simpatia, você ele. Para vocês, o ponto final será sempre uma escala para cima.

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