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Ófilaine, eu? Não. Dez vezes não!

Toninho Lima Digital

Redator ou Conteúdo? Essa é a pergunta que anda no ar. Bem, me usarei aqui apenas de exemplo.

Em 1995 comecei a navegar, com conexão discada e fugidia, em um notebook AT 386 de segunda mão. Muitos dos meus contemporâneos estranharam e me chamaram de “moderninho”.

Ali por volta 2005, quando o mercado publicitário já estava em meio a uma corrida desesperada pela formação digital, onde redatores pareciam peças de museu e nos salões da criação começavam a brotar produtores de conteúdo vindos das mais diversas áreas, poucos criativos souberam esperar a onda grande passar, furando-a por baixo, como se faz no mar. Acontece que eu, olha que ironia do destino, fui um bom nadador nas piscinas olímpicas do Fluminense Football Club. E isso só prova como sou adaptável: sempre torci pelo Botafogo de Futebol e Regatas, mas a piscina do Flu era mais perto de casa. Furar ondas, digo com orgulho, foi minha especialidade desde os jacarés nas ondas em frente à Farme de Amoedo.

Já em 2015 muitos se perguntavam: afinal, o que significa ser digital? É o que você é, ou é o que você faz? Eu fiz a minha aposta: é onde você está! Assim, escolhi acreditar que digital é o ambiente. Disse a mim mesmo “adapte-se a ele”. E foi o que fiz.

Criatividade, pertinência, relevância e ineditismo continuam fazendo toda a diferença.

2017. O próprio mercado, depois de furar a onda grande, ainda um tanto ofegante, limpa os olhos da água salgada para enxergar melhor onde estamos. A grande novidade é que o ambiente digital precisa de conteúdo de qualidade, que seja surpreendente, impactante e diferenciado. Ué, mas isso fazemos há anos, a partir do velho e conhecido briefing… pois é. Criatividade, pertinência, relevância e ineditismo continuam fazendo toda a diferença. A boa ideia muda de roupa e de formato, mas não perde a sua essência.

E onde o mercado foi buscar esse conteúdo diferenciado e eficaz? Onde foram procurar ideias com potencial de provocar emoções, de mobilizar, de gerar resultados? Nos bons e velhos redatores de publicidade.

Tenho sérias razões para acreditar que redatores experientes e brilhantes continuam sendo uma necessidade básica para este irrequieto e célere mundo digital. Desde que eles tenham entendido o cenário onde estão hoje. Desde que aceitem que há coisas que não conhecem e não dominam. Que busquem o apoio de seus colegas nascidos e criados nesse ambiente digital para aprender o que não sabem. E que os seus pares digitais nativos também os vejam como parceiros capazes de trazer mais brilho e visibilidade ao produto criativo que vai para as redes.

Descobri muitas coisas enquanto a publicidade se transformava. Aprendi formatos, linguagens, limites e particularidades. Quando eu achava que sabia tudo, logo descobria um longo túnel de novas dúvidas.

E agora estou eu aqui: um redator de filmes de 60seg para os intervalos do Fantástico, trabalhando com novas linguagens e formatos. Me junto agora a um gênio das mídias digitais (Michel Lent) e sua sócia (Liliane Badaró,) que me mostram os mistérios do mundo online, no qual logo mergulhei de cabeça, explorando durações que variam dos 30 e 15, passando pelos 7 e até 5 segundos, dependendo da plataforma. Olhando para os filmes que já produzimos em tão pouco tempo, entendi que a soma deu muito certo. Mais uma vez, fez toda a diferença a experiência e o portfólio acumulados, agora aplicados ao online.

Você pode ser quem você é, fazendo o que você sabe fazer.

Mais uma vez, como eu disse, a virtude está no meio. E aqui cabe o duplo sentido do termo: é o meio. Então, descobri que você pode ser quem você é, fazendo o que você sabe fazer. Desde que você seja muito bom nisso. E que saiba se antecipar às mudanças, estudando os novos meios e suas particularidades, sem resquícios de preconceito ou rejeição. Fure a onda. Saia ileso do outro lado, fazendo pose para as meninas da areia.

Até porque já sabemos que, de um jeito ou de outro, somos todos digitais. Até as vovós do comercial do Itaú. Então o melhor é mergulhar e se divertir nas ondas do que ficar espiando, amuado, lá da areia.

No fim de tudo prevalecerá a boa ideia. Assim foi. Assim é. Assim será.

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Toninho Lima

Toninho é redator, escritor, marido da Drika e avô da Juju.
  • Tania Lobo

    <3 perfeito, Toninho.

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