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  • Morre Ricardo Boechat, jornalista, aos 66 anos

    Ricardo Boechat

    Morreu esta tarde, em São Paulo, vítima de um acidente de helicóptero, o jornalista e âncora da Band em TV e Rádio Ricardo Boechat.

    Nascido em Buenos Aires em 1952, quando o pai trabalhava no Ministério das Relações Exteriores, Boechat começou como estagiário no Diário de Notícias e em seguida como foca do colunista social Ibrahim Sued. Depois passou pelos mais importantes veículos brasileiros, como O Globo, O Dia, Jornal do Brasil e o Estado de S. Paulo. Ele foi ganhador de três prêmios Esso e recordista de vitórias — 8! — no Prêmio Comunique-se, e o único a ganhar em três categorias diferentes (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

    O helicóptero que levava Boechat retornava de Campinas — onde Boechat participou de um evento — para São Paulo, quando tento pousar no Rodoanel, chocando-se com um caminhão. O jornalista teria que estar ao final da tarde de volta a São Paulo para seus compromissos com o jornalismo da Band. O piloto também faleceu no acidente.

    Boechat era casado com a jornalista Veruska Seibl Boechat, com quem teve as filhas Catarina e Valentina. Boechat ainda teve outros quatro filhos.

    A Janela, ainda em homenagem a Boechat, reproduz, abaixo, um texto da jornalista Renata Suter.

    Vai-se um mestre da arte de fazer coluna
    Fred e Renata Suter, com Ricardo e Veruska Boechat
    Fred e Renata Suter, com Ricardo e Veruska Boechat

    Fred Suter e Ricardo Boechat, na cabeça dos desocupados, sempre foram “rivais”. Na cabeça dos desocupados e de quem gostava de uma intriga. Ao contrário disso, se davam bem e riam muito quando se encontravam ou se falavam.

    Em 2001, ambos foram demitidos, simultaneamente, no mesmo dia, dos jornais em que trabalhavam. Assim que soube, Fred ligou pro Boechat, mas o celular dele estava desligado. Quando Boechat ligou de volta, Fred tinha saído e eu mesma conversei com ele. Naquele momento, óbvio, ele estava sem chão, sem esperança e não via um futuro que o animasse. Eu retruquei que o furacão ia passar e a vida ia ser ainda melhor. E foi.

    Boechat conheceu Veruska logo depois, foi paixão fulminante, e ambos se casaram quase ao mesmo tempo que eu e Fred. Todos casados, nos encontramos em várias festas, muitas, nós entrando e eles saindo ou vice-versa. Nenhum dos dois era muito chegado à badalações. No dia desta foto, aniversário de uma amiga comum, ficamos um bom tempo, os quatro, conversando. Os dois só falaram besteira e fizeram a gente rir muito. Além da alegria dos fotógrafos, foi uma noite deliciosa!

    Depois, a vida seguiu como eu disse ao Boechat, muito melhor pra ele, nem tanto pro Fred, que pouco tempo depois seria diagnosticado com Alzheimer.

    Com certeza, o jornalismo ficou – muito – mais pobre hoje. Com o Boechat vai, definitivamente, embora a época dos grandes colunistas, os mestres da arte de fazer coluna, seja social ou de variedades. Respeito muitos dos colunistas de hoje, mas não têm nem sombra do talento de um Fred ou de um Boechat.

    Com certeza também, hoje tem festa onde quer que eles venham a se encontrar – tanto Fred, quanto Boechat eram agnósticos – e se juntar ao Zózimo, ao Tarso de Castro, ao Maneco Müller e a tantos outros gênios do jornalismo.

    Sei bem o quanto, e com que intensidade, a Veruska deve estar devastada…e é pra ela que vão as minhas orações hoje. Forte pra aguentar o rojão ela é, mas é um rojão puxado, daqueles difíceis de suportar.

    Torço pra que ela lembre do quanto foi feliz – a foto mostra tão bem isso, quatro lindos e felizes – e encontre forças nessas e em muitas outras lembranças de felicidade que certamente viveu ao lado dele.

    Renata Suter

    Marcio Ehrlich

    Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.
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