• Sinapro-RJ vai apelar a Claudio Castro que reveja edital de publicidade

    Governador Claudio Castro - Governo Rio Janeiro

    “O patrimônio líquido de uma agência vai da sala para o quarto no final do dia”. A frase da Janela é uma adaptação, para os tempos do home-office, da história famosa creditada ao publicitário Edmur de Castro Coty, na antiga McCann Erickson, que teria, nos anos 1960, respondido a um prospect que “o patrimônio líquido da agência vai embora todo dia às 6 da tarde pelos elevadores”.

    O assunto voltou à tona nas últimas semanas, quando donos de agências do Rio de Janeiro se deram conta de que o edital de concorrência para atender o Governo do Estado está exigindo que as participantes tenham um patrimônio líquido de R$ 2 milhões. O valor é calculado com base na Lei 8.666/93, que regula as concorrências públicas, de acordo com a verba licitada.

    O Sindicato das Agências do Rio (Sinapro-RJ), presidido por Rodrigo Amado, deve enviar na quarta-feira, 24/03, ao Governador em exercício, Claudio Castro, uma reivindicação de que esta exigência seja reconsiderada, já que, segundo levantamento do órgão, não chegaria a meia dúzia o número de agências do Rio de Janeiro com condições de atender àquela cláusula. Como antecipou à Janela o advogado João Luiz Faria Netto, assessor jurídico do Sinapro-RJ, o apelo a Claudio Castro será para que ele dê “uma chance ao talento fluminense de participar da concorrência”.

    Esta não é a primeira vez que o mercado se une para combater esta obrigação que só faz sentido para empresas fornecedoras de materiais. Afinal, agências de publicidade não precisam de maquinário pesado, não transportam seu produto em caminhões nem estocam as ideias em galpões. Em tempos de pandemia, então, com parte da equipe funcionando em home-office, a regra se torna ainda mais disparatada.

    Outros casos

    Em 2018, em seu editorial sobre a concorrência do Banco do Brasil, que chegou ao absurdo de pedir um patrimônio líquido de R$ 12,5 milhões, o jornalista Armando Ferrentini citou que a exigência “não é ilegal e não fere a ética do universo dos anunciantes. Mas, não contribui para uma melhor distribuição de renda no mercado publicitário brasileiro.”

    Também naquele ano, a Janela registrava que o Sindicato de Agências de Publicidade de Brasília (Sinapro-DF) protocolou um pedido de impugnação da disputa do Sebrae Nacional, atendendo a reivindicação das associadas da entidade, contrárias à exigência de Patrimônio Líquido de R$ 8 milhões. A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), presidido na época por Glaucio Binder, chegou a alertar ser um contrassenso o Sebrae, como instituição que defende as pequenas e médias empresas, querer trabalhar apenas com agências do porte de multinacionais.

    A entrega das propostas para a concorrência do Governo do Estado do Rio, que selecionará quatro agências para uma verba de R$ 125 milhões, está marcada para o dia 12/04.

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    Tupi na TV.

    Marcio Ehrlich

    Jornalista, publicitário e ator eventual. Escreve sobre publicidade desde 15 de julho de 1977, com passagens por jornais, revistas, rádios e tvs como Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, Rádio JB, TV S e TV E.

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